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Nesta seção, textos sobre plantas medicinais; rezas; benzeduras; simpatias; crenças; superstições; amuletos; orações; devoções; magia e feitiçaria...

Aqui, as más superstições

Deise Sabbag

O professor Rossini Tavares de Lima, atual presidente do Conselho Estadual de Cultura e diretor do Museu de Artes e Técnicas Populares, falando sobre superstições e crendices maléficas, apresenta uma série delas, material recolhido há mais de 20 anos por alunos da classe de Folclore Nacional do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Eis algumas superstições:

Abacateiro: Quem plantar morrerá quando ele der frutos.

Agosto: Mês do desgosto e também do cachorro louco.

Água: Moça que beber em concha, casa com homem careca.

Água de chuva: Tomá-la dá papo.

Agulha: Encontrar uma na rua é sinal de miséria.

Agulha: Quando quebra ao coser, a pessoa morrerá logo.

Aleijado: Conversar com um, na sexta-feira, dá azar.

Aliança: Moça que experimenta aliança de mulher casada não se casará.

Aliança: Quando se parte inesperadamente, indica morte de um dos cônjuges.

Ambulância: Quando ela passa, deve-se pegar em um pedaço de ferro para afastá-la da gente.

Anão: Quando se ver um, deve-se dar 3 voltas ao seu redor para evitar o azar.

Andar de costas: É mau agouro. Diz-se estar pisando no cabelinho de Nossa Senhora.

Arrepio: Quando o sentimos, diz-se que a morte passou por nós.

Árvore de Natal: Haverá infelicidade na casa em que for interrompida a confecção desta árvore.

Banana: Quando gêmeas devem ser comidas separadamente, para não trazerem azar.

Beijo: Sonhar com ele é sinal de traição.

Borboleta: Quando pousa na parede é sinal de morte.

Broche: Presentear com um, desfaz a amizade.

Burro: Quando relincha, traz morte.

Cabelos: Não devem ser penteados até o meio-dia da sexta-feira da Paixão, do contrário cairão todos no ano seguinte.

Cachorro: Quando lambe o sangue de uma pessoa, traz-lhe loucura.

Cadeira: Estando vazia, perto da cama, durante a noite é ocupada por alma de outro mundo.

Calçado: Virado com a sola pra cima, dá azar.

Casamento: Em ano bissexto, traz infelicidade.

Casamento: Não serão felizes os noivos que se virem antes do casamento.

Cemitério: Não se deve trazer terra do cemitério, pois alguém morrerá.

Chapéu: Em cima de uma casa é sinal de morte para a pessoa mais velha da casa.

Cigarro: Jogá-lo pela porta ou janela dá azar.

Coelho: Criação de coelhos dá azar.

Cortar unhas: Perde-se o sono, cortando-as à noite.

Corvo: Pousado no telhado de uma casa, anuncia a morte de um dos seus moradores.

Costurar: Até às 6 horas da tarde, carrega a vista.

Crianças: A água de banho das recém-nascidas não deve ser jogada perto das galinhas para que as crianças não percam a fala.

Crucifixo: Uma noiva não deve usá-lo no dia do casamento, com o risco de carregar uma cruz por toda parte.

Dedo: Espetar ou cortar o indicador é sinal de desgosto.

Defunto: A pessoa que beijar pé de defunto, irá logo atrás.

Deitar: No chão atrai morte para alguém da família.

Dentes: Sonhar com dentes que estão caindo, próxima morte ou grande desgraça.

Dinheiro: Sonhar com ele, é sinal de miséria.

Doente: Trocá-lo de cama, é morte certa.

Enterro: Não se deve contar o número de carros de um enterro porque significa o número de anos de vida de quem os conta.

Escada: Passar por baixo de uma, é mau agouro.

Espelho: Quebrado, dá azar.

Estrela: Apontar uma, faz nascer verruga no dedo.

Faca: Uma moça que a derruba corta encontro com rapaz.

Fósforo: Acender os cigarros de três pessoas com o mesmo palito, trará morte à mais moça.

Freira: Encontrar duas juntas é sinal de tristeza.

Galinha: Com canto de ganso, é prenúncio de morte.

Gato: Atrás da porta dá azar.

Grampo: Perdê-lo é perder namorado.

Guarda-chuva: Aberto em dia de sol, chama chuva.

Lagartixa: Matá-la dá azar.

Lenço: Quem recebe e não retribui com 10 centavos, fica de mal com o ofertante.

Língua: Quando se morde a língua, é sinal que estão falando mal da gente.

Mala: Deixá-la aberta é sinal de mau agouro.

Mesa: Deitar sobre ela, dá azar.

Ovo: Sonhar com ovo é sinal de briga.

Padre: Ver três juntos dá azar.

Panela: Moça que raspa, chama chuva no dia de seu casamento.

Pão: Quem comer a ponta de pão se casará com médico.

Pé: Comer de pé de galinha atrasa a vida.

Relógio: Estando parado anuncia vida curta.

Santo Antônio: Quando o mudamos de lugar, chove na certa.

Sapo: Ficaremos com dor de cabeça se um sapo nos ver primeiro do que nós a ele.

Sexta-feira: É um dia perigoso.

Sorvete: Morre a mãe de quem tomar um sorvete de palito e quebrá-lo no fim.

Teia de aranha: Tirando-a de uma casa, tira-se a boa sorte.

Tinta: Derramá-la anuncia morte.

Urubu: Quando abre as asas, é sinal de chuva.

Uva: Sonhar com uvas, é sinal de lágrimas.

Vento: Muito forte, é aviso de morte de um padre.

Vesgo: Ver um na rua dá azar o dia todo.

 

(Sabbag, Deise. "Aqui, as más superstições". Diário Popular. São Paulo, 09 de janeiro de 1971)

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