As capelinhas, cruzes e nichos, erigidos na beira das estradas, oferecem bom material aos estudiosos do folclore.
São capelinhas e cruzes milagrosas. Umas mais que outras. Todas, porém, guardando, guardando os ex-votos ou promessas das mais diversas origens, atestando milagres alcançados por devotos anônimos.
No interior e Sergipe, chamam-se promessa as cabeças, seios, pernas, braços, pés, mãos, corações, esculpidos em madeira ou barro, que ficam amontoados nas capelinhas das estradas.
Também muletas, óculos de barro, fitas de variadas cores, anéis baratos, contas de vidro, miçangas diversas, tudo isso atestando a fé popular.
Através desses ex-votos se poderá conhecer a natureza do milagre recebido. Uma perna esculpida, em madeira ou barro, traz em alguma parte o fingimento de uma ferida curada por milagre. Um coração, de barro ou madeira, atesta que um cardíaco foi curado, por milagre.
Tais promessas, de ordinário esculpidas a talho de canivete, fazem conhecido um ramo de cultura popular.
Às vezes, entre os próprios devotos beneficiários, surgem as críticas. Uma cabeça mal esculpida apresenta, aos olhos dos "críticos", semelhança com alguém. E surgem os motejos: — Bem que se parece com fulano. Ele tem mesmo a cara de promessa de Santa Cruz...
Mesmo não havendo capelinhas ou nicho, mas apenas uma tosca cruz de madeira fincada à beira da estrada, por isso não deixa de ter o seu prestígio. Faz milagres e recebe promessas.
Essas humildes cruzes, desamparadas, sem teto, são homenageadas por transeuntes respeitosos, que deixam, à sua passagem, uma pedra ao seu pé. Em pouco tempo há um enorme monte de pedras, atestando o cuidado e o respeito dos viandantes.
Dificilmente se encontra uma pedra solta nas proximidades de uma cruz de estrada. Há devotos que trazem pedras duma distância de uma légua, ou mais.
As santas-cruzes mais milagrosas são as erigidas em lugares de difícil acesso.