Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Junho 2006 - Ano X - nº 91

Sumário

Festança
São João no velho São Paulo
Gabriel Marques

Os três santos de junho
Reginaldo Guimarães

Tradicionalismo folclórico da fogueira: o bumba-meu-boi junino
Manuel Balbino de Barros

Cancioneiro
Noite de São João
W. R.

Quadrinhas conceituosas

Quadrinhas amorosas populares

Imaginário
Zumbi de cavalo
Ademar Vidal

Curupira
Ermano de Stradelli

A lenda do gambá e a besta
Lindolfo Gomes

Colher de Pau
Cozinha hoje é local de muito trabalho
Ilídia Silva

Quitutes e costumes folclóricos do mês de junho
Elisabeth Resende Ribeiro de Paiva

Pedidos de canjica
Hildegardes Viana

Oficina
Mutirão: trabalho, recreação, fraternidade
Joanye D'Oliveira

Cantiga dos canoeiros do Amazonas
Richard Bates

As mulheres mendigas
João do Rio

Palhoça
Centelhas do folclore sulino mato-grossense
Arlinda Garcia

Festas do povo
Washington Frazão Braga

São João
Jorge Americano

Panacéia
Ainda as nossas superstições religiosas
Rolando de Serigi

Adivinhas e tradições das festas juninas

As promessas
Carvalho Deda

Veja o que foi publicado em Panacéia
Apoio Cultural
Simplicitate Design

Veja como sua empresa pode apoiar a nossa iniciativa.

Panacéia
Textos sobre plantas medicinais; rezas; benzeduras; simpatias; crenças; superstições; amuletos; orações; devoções; magia e feitiçaria...

As promessas

Carvalho Deda

As capelinhas, cruzes e nichos, erigidos na beira das estradas, oferecem bom material aos estudiosos do folclore.

São capelinhas e cruzes milagrosas. Umas mais que outras. Todas, porém, guardando, guardando os ex-votos ou promessas das mais diversas origens, atestando milagres alcançados por devotos anônimos.

No interior e Sergipe, chamam-se promessa as cabeças, seios, pernas, braços, pés, mãos, corações, esculpidos em madeira ou barro, que ficam amontoados nas capelinhas das estradas.

Também muletas, óculos de barro, fitas de variadas cores, anéis baratos, contas de vidro, miçangas diversas, tudo isso atestando a fé popular.

Através desses ex-votos se poderá conhecer a natureza do milagre recebido. Uma perna esculpida, em madeira ou barro, traz em alguma parte o fingimento de uma ferida curada por milagre. Um coração, de barro ou madeira, atesta que um cardíaco foi curado, por milagre.

Tais promessas, de ordinário esculpidas a talho de canivete, fazem conhecido um ramo de cultura popular.

Às vezes, entre os próprios devotos beneficiários, surgem as críticas. Uma cabeça mal esculpida apresenta, aos olhos dos "críticos", semelhança com alguém. E surgem os motejos: — Bem que se parece com fulano. Ele tem mesmo a cara de promessa de Santa Cruz...

Mesmo não havendo capelinhas ou nicho, mas apenas uma tosca cruz de madeira fincada à beira da estrada, por isso não deixa de ter o seu prestígio. Faz milagres e recebe promessas.

Essas humildes cruzes, desamparadas, sem teto, são homenageadas por transeuntes respeitosos, que deixam, à sua passagem, uma pedra ao seu pé. Em pouco tempo há um enorme monte de pedras, atestando o cuidado e o respeito dos viandantes.

Dificilmente se encontra uma pedra solta nas proximidades de uma cruz de estrada. Há devotos que trazem pedras duma distância de uma légua, ou mais.

As santas-cruzes mais milagrosas são as erigidas em lugares de difícil acesso.

(Deda, Carvalho, Brefaias e burundangas do folclore sergipano. Aracaju, Livraria Regina, 1967, p.116-117)

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