Lamparina de quatro bicos
Não ilumina dois salões
Um amor para ser firme
Não ama dois corações
Quem falar de mulher velha
Merece tomar peroba
Se não fosse mulher velha
Não havia moça nova
A vida é um sonho lindo
A vida dura um momento
A vida é tão bela
Que não sai do pensamento
Perco meu tempo em querer
Bem a quem nunca me quis
Que vale regar a planta
Que nunca teve raiz?
As flores que tu me deste
Murchas, tristonhas, sem cor
São como as almas sem alma
São como as almas sem amor
Amor, amor verdadeiro
Como a gente sonha e quer
É trevo de quatro folhas
No coração da mulher
Certos pontos luminosos
Que dão brilho à minha sorte
Têm semelhança com o rio
Que ilumina e deixa a morte
A vida é tal qual a noite
Descendo nos pinheirais
Mas, é na noite bem negra
Que as estrelas brilham mais
Mais vale tarde que nunca
Medidas que o tempo tem
Para um mal é sempre cedo
Nunca é tarde para o bem
É destino de quem vive
O ter mais de uma paixão
Dá tantas voltas o mundo
Quando mais o coração
Não há machado que corte
A raiz do bem querer
Se cortar, brota de novo
Se arrancar, torna a nascer
Como o espaço não tem fundo
É a esperança dom bendito
Parece a âncora do mundo
Atirada ao infinito
O amor e a lua é patente
Têm isto de semelhante
Entram em quarto crescente
E saem em quarto minguante
Chamaste-me a tua vida
E eu tua alma quero ver (ser)
A vida acaba com a morte
A alma não pode morrer
O amor nasce na vista
E mora no coração
Mas vive da correspondência
E morre na ingratidão
A vida é uma equação
A felicidade é o X
Quem conseguiu resolvê-la
É deveras muito feliz
Não peças nunca à vida
Mais do que ela pode dar
E lembra-te que o melhor bem
Não é viver, é sonhar
Coração que vive triste
Viva alegre se puder
Coração que vive triste
Nunca consegue o que quer
Saudade é uma dor que dá
Não é uma dor de doer
É uma vontade de lembrar
É uma vontade de esquecer
Prefiro a dor ao prazer
Por esta razão somente
Todo o prazer vai-te embora
Toda dor fica com a gente
Alecrim na beira d'água
Bate o vento está tremendo
Assim são as mocinhas
Que de faceiras estão morrendo
Minha mãe nos casa logo
Quando somos raparigas
O milho plantado verde
Nunca dá boas espigas
Faço a vida sempre nova
Encanto-a cada vez mais
Por fazer as minhas horas
Todas sempre desiguais
Há certas vidas na vida
Que a morte seria um bem
Mas até a própria morte
Se esquece delas também
Quem sofre o mal da saudade
Não acha alívio um momento
Pois tem perto a enfermidade
E longe o medicamento
A saudade é a luz da lua
Luz que a tristeza gelou
A iluminar os caminhos
Por onde o sol já passou
Muito mais vale a amargura
De desejar e não ter
Do que alcançar a ventura
Para depois a perder
A vida é como um rosário
Que rezamos cada dia
Depois de dez amarguras
Vem um dia de alegria
Dois olhos, duas orelhas
Só a boca não tem par
Quer dizer que é mais prudente
Ver, ouvir do que calar
Mais vale a tosca palhoça
Onde nela o riso mora
Do que palácios dourados
Onde no ouro se chora
Ora, a vida, deixa-a andar
Não queiras da vida ter
O que ela não possa dar
Nem tu possas merecer
Um livro bom é estrela
Que nos guia pela vida
É luz que aclara os caminhos
Fazendo a estrada florida
A Deus cabe a sem razão
De não ser o amor perfeito
Quando fez o coração
Não fez do lado direito
Amar é viver sozinho
Tendo alguém perto de si
Ser pombo, fazer o ninho
E a rolinha sempre ali
Coitado do mal-me-quer
Que não faz mal a ninguém
E todos a desfolhá-lo
A ver se lhe querem bem
O amor é um trem de carga
Na linha da ilusão
Transportando sofrimentos
Dos olhos pro coração
A saudade me tem posto
Mais cruelmente sujeito
Não pode ter liberdade
Quem tem amor em seu peito
Na galera dos amores
Todos se embarcam cantando
Porém, no fim da viagem
Todos se apartam chorando
Hei de me pôr a cantar
Já que chorando nasci
Para ver se recupero
O que chorando perdi