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Edison Carneiro
O abastecimento de víveres estava assegurado aos moradores da cidade, pela
bondade da natureza, tanto no trecho escolhido para sede do governo geral como
na região em volta.
Nóbrega, deslumbrado, escrevia (1549): "Tem muitos frutos de diversas
qualidades e mui saborosos; no mar igualmente muito peixe e bom. Semelham os
montes grandes jardins e pomares, que não me lembra ter visto pano de raz tão
belo. Nos ditos montes há animais de muitas e diversas feituras, quais nunca
conheceu Plínio, nem deles deu notícia, e ervas de diferentes cheiros, muitas e
diversas de Espanha..."
Os habitantes seguiam à risca os costumes dos índios.
O alimento básico era a farinha de mandioca ou de pau, assim chamada para se
diferençar da farinha de trigo ou do Reino. Havia a farinha fresca, de duração
limitada, e a farinha de guerra, mais resistente, embora mais áspera e menos
substancial. Da mandioca faziam-se beijus, mais saborosos e digeríveis do que a
farinha, tapioca e mingaus. Com o aipim, frabricavam-se bolos semelhantes, no
gosto, a pão fresco. A pacova, a banana brasileira, — o figo de Adão, — era
muito procurada, segundo Gandavo (1570), "porque assadas verdes passam por
mantimento, e quase têm sustância de pão". Havia "muitas castas" de milho,
dizia, Fernão Cardim (1601), "e dele fazem pão, vinho e se come assado". A terra
abundava em feijões, abóboras e melões e uma enorme variedade de frutos podia
matar, ocasionalmente, a fome e a sede dos colonizadores, — umbus, jenipapos,
jaboticabas, araçás, mangabas, cajus, maracujás, abacates, mangas, cajás... O
brejo, que circundava a cidade pela banda da terra, era terreno excelente para
hortaliças.
A armada trouxera alguns pescadores, como Gonçalo Aires, João Fernandes e
Francisco Lourenço, mas certamente eram os índios que forneciam a maior parte do
peixe aos moradores, conhecedores, como eram, das águas piscosas da baía. Os
peixes mais comuns eram o xaréu, a tainha, a pescada, o beijupirá, a alvacora...
O mar dava ainda baleias, caramurus ("assados sabem a leitão", notava Fernão
Cardim), tartarugas, ostras e uçás, uma espécie de caranguejo, muito consumidos
pelos habitantes.
Eram igualmente numerosos e variados os animais de caça — antas, suaçus,
cotias, taiaçus, pacas, tatus, capivaras... Os índios, que caçavam esses
animais, vinham vendê-los, abatidos ou vivos, na feira, abaixo da porta de Santa
Luzia. Os nativos traziam também pássaros de estimação — papagaios, araras,
sabiás, tucanos, arapongas, — para escambar com os moradores.
Fazia-se vinho de aipim, de milho, de ananás, de caju.
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