Jangada Brasil
  

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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

cancioneiro

ANO VI - EDIÇÃO 67
Junho 2004

Cancioneiro
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O boi moleque

Jesus, São Pedro e o ferreiro da maldição, cordel de Franscico Sales Arêda

Na praia da Itatinga
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Capa
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Festança
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Imaginário
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Oficina
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Palhoça
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Colher de Pau
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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As cartas, opiniões e pedidos dos nossos leitores
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CANCIONEIRO: Nesta seção, textos sobre música regional; literatura de cordel; cantos de trabalho; poesia popular; desafios; romances; cantos religiosos; quadras, pasquins...


Na praia da Itatinga
(Rio de Janeiro)

Na praia da Itatinga
Eu ia morrendo à sede
Uma moça me deu água
No ramo da salsa verde

Salsa verde na panela
É um tempero natural
Quem tem sue amor mulato
Tem gosto particular

Na outra banda do rio
Não chove, nem faz orvalho
Se vós tendes de ser minha
Não me deis tanto trabalho

Quando meus olhos te viram
Meu coração se alegrou
Na corrente de teus braços
Minha alma presa ficou

Lenço branco é apartamento
Eu que digo é porque sei
Me vejo apartada hoje
De um lenço branco que dei

Sapatinho bole, bole
Na fôrma do sapateiro
Assim bolem os meus olhos
Quando vêem moço solteiro

O sol quando vem saindo
Pede licença ao amor
Para estender os seus raios
Por cima da bela flor

O sol quando vai entrando
Leva o seu relógio dentro
Ele vai marcando as horas
Deste nosso apartamento

Fui na fonte beber água
Por baixo de uma ramada
Somente para te ver
Que a sede não era nada

Fui ao rio lavar roupa
Me saiu o sol por engano
Tanto lava a mulatinha
Que até no lavar tem fama

Não me atires com pedrinhas
Qu'eu estou lavando loiça
Atira devagarzinho
Que papai, mamãe não oiça

O capitão cheira cravo
Marinheiro cheira canela
Mais vale um filho de fora
Do que duzentos da terra

(ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro; cantos e contos populares do Brasil. v.2, Rio de Janeiro, Livraria José Olímpio Editora, 1954, p.503-505. Coleção Documentos Brasileiros)