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Pião
Brinquedo de madeira, piriforme, com uma ponta de ferro sobre a qual gira. É
impulsionado pela fieira, cordão enrolado na extremidade ponteaguda, que deve
ser puxado com firmeza e habilidade. Industrializado ou feito pela própria
criança, o pião é jogado em cima de terra batida ou no cimento e requer grande
destreza e treino do jogador. Quando gira velozmente, pouco se deslocando, está
dormindo ou está sereno. Quando roda pulando, este movimento é chamado pararaca
(em Araruama) ou sarará (no Rio de Janeiro).
Há inúmeras modalidades de disputas com o pião. O racha ou quebra inicia o
jogo: risca-se no chão um círculo — a cela — de onde os participantes, em número
variável, jogam um a um, o seu pião para tirar o ponto da linha, isto é, tirar o
ponto em relação a uma linha demarcatória distante desse círculo. A
classificação dos competidores é feita de acordo com a maior ou menor
proximidade entre os locais onde os piões caem e rodam a essa linha. Aquele que
se classificar em último lugar ou não conseguir rodar o pião, deverá colocá-lo
deitado dentro do círculo, passando-se assim à segunda fase do jogo. Colocados
por tras da linha riscada no campo, cada um joga uma vez o seu pião sobre o que
está no círculo com o objetivo de tirá-lo de lá. De acordo com o combinado entre
os participantes, quem erra deixa o seu próprio pião no círculo, substituindo o
do companheiro, ou então tem a oportunidade de apanhá-lo ainda rodando,
colocá-lo na palma da mão e deixá-lo cair no círculo, sempre rodando, para
tentar novamente deslocar o pião que lá está. Quando realiza esta jogada, diz-se
que o jogador conseguiu tirar o pião da cela. Neste caso, ele pode ainda jogar
três vezes o pião, tentando rachar o do adversário. Quando isso acontece, para
recomeçar o jogo é novamente tirado o ponto da linha. O dono dopião rachado só
poderá continuar participando se substituí-lo.
Muitas vezes os jogadores fazem apostas valendo os próprios piões. Um jogador
coloca o pião dentro do círculo e o perderá no caso de um companheiro tirá-lo
com uma só jogada; se não conseguir, colocará o seu pião em substituição ao que
estava no círculo.
Quando são dois os participantes, a brincadeira pode ser feita com disputa de
pontos: quem jogar o pião dentro do círculo, ganha um ponto e quem jogar fora,
perde um. Nos momentos de disputa, as jogadas tomam nomes específicos, com
significações diversas:
Machadinha: joga-se o pião para trás, por cima do ombro puxando a fieira para
a frente.
Puxa-tripa: impulsiona-se a mão para baixo, para a frente, depois para o lado
direito e rapidamente para trás, dando efeito ao jogar o pião.
Baianinha: com a mão no lado direito, joga-se rápido o pião para o lado
esquerdo e o pião sai de lado, começando logo a rodar.
Esses mesmos termos também podem indicar uma hierarquia entre os jogadores,
fundamentada no grau de destreza de cada um. Assim a denominação puxa-tripa é
atribuída à jogada que caracteriza os principiantes, baianinha os médios e
machadinha é a jogada dos mais habilidosos.
Os que possuem maior habilidade no manejo do brinquedo, exibem sua técnica
rodando o pião na mão, na unha, no antebraço, nos ombros etc.
O pião é lembrado na brincadeira de roda que leva seu nome: as crianças
formam um círculo e, de mãos dadas, vão girando. Uma menina, representando o
pião, coloca-se ao centro deste círculo e faz os movimentos sugeridos pela
música cantada pelos participantes:
O pião entrou na roda
Ô pião
Roda pião
Bambeia pião
Sapateia no tijolo
Ô pião
Roda pião
Bambeia pião
(Folclore fluminense. Rio de Janeiro,
Departamento de Cultura / INEPAC / Divisão de Folclore, 1982)
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