A subida, a queima e a queda dos balões dão motivo a manifestações tipicamente folclóricas. O grito da gurizada balão!! balão!!, clamor incoercível, jubiloso, brado que sempre anuncia e saúda a subida imponente dos balões. Há magotes de moleques, perversos, desejosos de furar o balão dos outros, com pedras e ao grito de tasca! procuram atingir o balão luminoso, quando sobe aos ares, ou quando, sem forças retorna à terra. Tascar balão é, aliás, o divertimento maior desses pequeninos sádicos. Os guris, porém, preferem implorar, olhando o céu, cobiçosos: cai, cai, balão! cai, cai, balão! aqui na minha mão! variante reduzida desta cantiga velha que ainda se ouve em Vitória:
Cai, cai, balão!
Cai, cai, balão!
Na rua do Sabão!
Não cai não,
Não cai não,
Não cai não,
Cai aqui na minha mão!
Há, também, uma pega pouco decente, que consiste em perguntar ao simplório: quando o balão se queima no ar, o que é que cai primeiro? Se a resposta é o gás! pra quê! ressoa de pronto a frase injuriosa, entre a risada mordaz da molecada toda...
Prende-se aos balões uma das nossas sortes ou crendices joaninas. No dia 23, à noite, os namorados ao verem soltar um balão, fazem em voz alta, um pedido ou promessa ao santo milagreiro. Se o balão subir, o recado por ele chegará até os ouvidos de São João. Se, porém, o balão não subir, ou pegar fogo, - que pena! não conseguirão ainda o que intentam.
Santo Antônio, São João e São Pedro já lá se foram. Mas, nos céus de Vitória,
à noite, aqui e ali, por toda a parte, ainda julgamos ver o rasto cintilante dos balões
que festivamente se elevaram aos ares, ao sopro vivificador e constante das belas
tradições da nossa terra e da nossa gente.
Oração dos
baloeiros
Creio em Deus todo poderoso
Creio no sol, na chuva, no vento
E na polícia que mantém a ordem
Creio no papel 2ª via, rotativo estrangeiro ou nacional
Creio na cola, no barbante encerado ou parafinado
Creio na flecha, no verga; hão, no saco e no algodão
Creio na guia, na lanternagem e no sebo
Creio no gás, no maçarico e na turma que ajuda
Creio até no que vem do além
Mas livrai-me da chuva do vento e da polícia,
também.
(Folheto distribuídos por ocasião do lançamento dos balões, registrado por Sandra Maria Corrêa de Sá Carneiro em Balão no céu, alegria na terra)
Jangada Brasil © 1998-2007 | Termos e condições de uso