Nos dias de 13, 24, 29, ou na passagem do respectivo dia anterior para esses dias (o
instante mágico é meia-noite, como sempre) se podem tirar "sortes" do santo,
ligadas ao amor, à profissão, ao destino e a outros assuntos. Algumas dessas
"sortes":
Sorte de namoro
Plantar um dente de alho com o nome da moça, ou do moço, de quem gosta, escrito num
papel. Fica o dente do alho pra cima, junto com o papel. No dia seguinte diz que já
amanhece brotando o que vai dar casamento. Se não no dia seguinte, esperar mais alguns
dias.
Sorte do copo com clara
A gente pega um pouco dágua e bota uma clara de ovo. Não pode olhar; a gente
cobre. No outro dia, aparece o modelo da noiva. Se não aparecer nada, quer dizer que não
vai casar nesse ano.
Sorte do prato dágua
Escreve os nomes das moças, ou dos moços, em pedaços de papel. E torce todos os
papeizinhos, bem torcidos. A quantidade que quiser. Põe todos num prato dágua, e
deixa. No dia seguinte, o papel que aparecer aberto, é o que tem o nome que vai dar
casamento.
Na beira do rio
Chega a beira do rio à meia-noite de São João. Se a gente não vê a sombra da gente na
água, é porque não alcança o outro São João; morre antes.
Amarrar as pontas do lençol
Escreve-se o nome de três pessoas amadas, em três pedaços de papel. Coloca-se cada
pedacinho de papel (com um nome escrito) numa ponta do lençol e se dá um nó, mas sem
colocar nenhum papel. Vira-se o lençol várias vezes, arruma-se a cama, e vai-se dormir.
Na manhã seguinte, se escolhe uma ponta e se desata o nó: o nome no papel será o da
pessoa mais indicada para o casamento, e se tiver sido desfeito o nó sem papel é porque
não vai haver casamento.
Três grãos de feijão
Pega-se três grãos de feijão; um inteiro, outro tira-se a metade de casca, o outro
tira-se toda a casca. Coloca-se debaixo do travesseiro. No dia seguinte pega-se sem olhar
um dos grãos do feijão. Se pegar o inteiro casa-se com moço rico; se pegar o que está
pela metade casa-se com classe média; se pegar o descascado casa-se com pobre.
Três limões
Pega-se três limões um verde, um quase verde e um maduro. Venda-se os olhos da
moça e ela pegará um dos três limões. Se pegar o verde casará com o rapaz mais novo,
se pegar o quase verde (o regular nem verde e nem maduro) casa-se com rapaz de idade
regulando com a da moça, se pegar o maduro casa-se com rapaz mais velho.
Sorte de Santo Antônio
Na véspera de Santo Antônio, pega-se um prato com água, e uma vela, pinga-se o choro da
vela dentro da água, de acordo com sua idade, se tiver vinte anos serão vinte pingadas.
Daí o choro da vela formará uma letra, essa letra será a inicial do nome do rapaz que
futuramente se casará com esta moça.
Sorte
Na igreja as moças comem um pãozinho e pensam no amado. Depois de haver comido-o e
pensado no garoto elas se casam com eles.
Sorte da Bananeira
Na véspera de São João pega-se uma faca que nunca foi usada, espeta numa bananeira
(meia-noite) e no dia seguinte acredita-se que estará marcada a inicial do nome da pessoa
que casará com a pessoa que espetou a faca na bananeira.
Sorte dos Papeizinhos
Na véspera do dia de São João, põe-se três nomes de moços em três papeizinhos, e os
coloca em baixo do travesseiro. No dia seguinte ao acordar pega-se um dos três papéis
sem olhar. Ele será seu marido.
Sorte no EspelhoUm pouco antes da
meia-noite, prepara-se uma mesa como se fosse para um jantar, com pratos e talheres, etc.
Exata a meia-noite olha-se no espelho e se vê o reflexo do futuro marido.
(PELLEGRINI FILHO. Folclore paulista; calendário e documentário)