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Sumário

Santos de junho: suas histórias, lendas e festas

Ciclo Junino
Festejos juninos em Maceió de outrora
Os três santos de junho

Santo Antônio

Santo Antonio
Xácara de Santo Antônio
Pequena imagem de Santo Antônio conservada para proteger a casa
Santo Antônio no folclore brasileiro
Santo Antônio casamenteiro
Pão dos pobres e lírios de Santo Antônio

São João

A festa de São João
A noite de São João
O bumba-meu-boi pelo São João
O São João no bairro de Bate-Pau
O despertar do santo na festa da véspera
São João e suas lendas
São João nordestino
A véspera de São João em Sergipe
A véspera de São João na Bahia
Assim surgiu a festa de São João
São João baiano
O São João da minha terra
Ladainha de São João no Guaçuí
São João no velho São Paulo
Noite de São João
Festas do povo
São João

São Pedro

São Pedro no folclore fluminense
Festa de São Pedro
São Pedro na voz do povo
Festa de São Pedro
Três histórias populares de Jesus e São Pedro pelo mundo
O cunhado de São Pedro
Uma véspera de São Pedro e os relatos da passagem por Campinas
A imagem de São Pedro no Rio Grande
Jesus Cristo, São Pedro e o ladrão
Três histórias de São Pedro: O preço do sonho, São Pedro e o diabo e Como São Pedro aprendeu a pescar.
São Pedro no Boqueirão

São Marçal

30 de junho, dia de São Marçal. A história do bem-aventurado São Marçal, bispo

A fogueira, os fogos e os mastros

A fogueira de São João
Fogueiras juninas
Fogueira de São João
Fogos de São João
Fogueteiros, artesãos de efêmeros
Junho, festivo mês dos balões
Mastros de São João
Tradicionalismo folclórico da fogueira: o bumba-meu-boi junino

Comidas

Culinária joanina
Culinária junina
Culinária joanina em Alagoas
A deliciosa cozinha baiana do São João
Cuscuz, canjica, pamonha, cocada, quentão, e muitas outras receitas para a festa junina
Lenda sobre a origem do milho
Alguns quitutes e bebidas das festas juninas
Quitutes e costumes folclóricos do mês de junho
Pedidos de canjica

Sortes, adivinhas, crendices e superstições

Amor e sonho no São João
Compadre e comadre
O compadrio
Sortes de São João
Algumas sortes de São João
Quinze adivinhações de São João
Efeito salutar da oração dirigida a São João
Noites de São João, banho de felicidade, cheiro de papel
Algumas sortes de São João
Adivinhas e tradições das festas juninas

Brincadeiras, danças e músicas

Rodas de São João
São João feito por estudantes das repúblicas
Brincadeiras para festas juninas
Quadrilha
A quadrilha de Santa Rita do Passa-Quatro
Rodinha de São João
Músicas juninas
Brinquedo de São João para ser representado
Pau de sebo
Cantiga de Roda: Capelinha de melão
Pau de sebo
Brincadeiras para festas juninas
Como fazer bandeirinha e lanternas
Festa de São João

 

 

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Junho 2008 - Ano X - nº 113

Edição Especial: Festas Juninas

São João

Jorge Americano

Na noite anterior tinha geado. Esta noite o céu estava cheio de estrelas e a brisa movia o ar gelado. Era véspera de São João.

Ao acender a luz nós nos sentávamos em redor da mesa forrada de jornais e acendíamos fogos de salão, reforçada a proteção da mesa por um prato na frente de cada um.

Diminuía-se a luz do gás para melhorar o efeito dos fogos. Queimávamos estrelinhas, segurando-as por cima do prato, para impedir que a bolinha candente caísse sobre a mesa.

Esgotadas as estrelinhas, eram fósforos de cor, de luz prateada, ou de estrelas grandes.

Vinha agora o bonequinho acocorado. Colocava-se um pedaço de massa combustível no baixo das costas. Punha-se por baixo uma vasilha. Depois chegava-se o fósforo à massa, e ela se ia transformando numa espécie de lingüiça retorcida, que enchia e extravasava da vasilha.

Nós ríamos, e a operação recomeçava com a colocação de outro pedacinho de massa combustível.

Depois, era um cone colocado sobre o prato grande. Chegava-se o fósforo à ponta, chiava e jorrava um repuxo de estrelas, que retombava sobre o prato e os jornais em redor.

O ar da sala estava sufocante de fumaça.

Passávamos para a sala de visitas com janelas para a rua, enquanto se arejava a sala de jantar.

Aí, ficávamos olhando pelas vidraças, que a respiração embaçava.

Defronte, gente que não tinha medo do frio cortante, queimava pistolões, chuvas de prata, e depois vinha à rua soltar balões.

Era-nos prometido que soltaríamos balões e fogos na noite de São Pedro, se não fizesse muito frio.

Quando o vizinho fronteiro terminava os fogos, nós nos demorávamos na vidraça muito tempo, olhando o céu. Porque o céu era povoado de balões.

Eram de todas as formas. Redondos, oblongos, facetados, com feitios de aves, peixes, porcos e elefantes.

Olhávamos para o céu e contávamos: um, dois, três... vinte e sete... trinta e quatro... cinqüenta e um. Quem tivesse visto mais ganhava a aposta. Eu ansiava desesperadamente para que caísse em nossa casa algum dos que desciam. Entretanto, caíam nas outras casas, ou na rua, onde maltas de moleques corriam para pegá-los. Ao pegar estraçalhavam-no, e um saía correndo com a mecha.

Durante todo o tempo escutavam-se assobios de rojão e em todos os quarteirões estouravam foguetes, bombas, bichas e busca-pés. Os rojões desfaziam-se em chuvas de prata, chuvas de ouro, estrelas, e às vezes, de cada estrela saía novo rojão, que se desfazia em novas estrelas de todas as cores. Isso acontecia pela cidade inteira, em cada bairro, em cada casa, na véspera de São João, como já tinha acontecido na véspera de Santo Antônio, como iria acontecer na véspera de São Pedro, e como já tinha acontecido em menor escala, por todas as noites do mês de junho.

Tudo isso era à noite.

Mas estava anunciada para a tarde de São João, 24 de junho, a subida de um balão de vinte metros de altura. Era o reclame da Loja do Japão.

A parte superior ficava suspensa no viaduto do Chá. A parte inferior estava presa por estacas no chão, na chácara da baronesa de Itapetininga, no vale do Anhangabaú.

A mecha de aniagem e betume pesava uns cinqüenta quilos.

Acontecia que o vale encanava o vento, dobrava o balão antes que a fumaça o enfunasse, e ele queimava sempre.

*

Certa manhã apareceu um balão murcho no quintal de nossa casa.

Tinha geado. Fomos pegar, estava duro. Trazido para dentro a geada derreteu, e o papel de seda desfez-se num mingau.

(Americano, Jorge. São Paulo naquele tempo (1895-1915). São Paulo, Edição Saraiva, 1957, p.272-274)

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