Jangada Brasil a cara e a alma brasileiras
Nesta seção, textos sobre música regional; literatura de cordel; cantos de trabalho; poesia popular; desafios; romances; cantos religiosos; quadras, pasquins...

Flor do Dia

(Versão colhida em Cachoeira, BA)

Era uma vez uma moça chamada Flor do Dia que morava com o marido longe dos parentes e o pessoal da parte do marido nenhum gostava dela. Um dia, ela estava mal pra ter criança e o marido saiu para buscar ajuda.

Dom Burco:
Deus o salve, minha cunha } bis
Em seu bom estar

Cunhada:
E o senhor dom Burco
Neste seu cavalo
Dom Burco, desapeie } bis
Para comer um bocado

Dom Burco:
Eu não desapeio } bis
Nem como um bocado
Que a Flor do Dia
Lá deixei de parto

Cunhada:
Tomara que ela tenha } bis
Um filho varão
Que trespasse a veia do coração

Dom Burco vai embora chorando, pedindo ajuda de outros parentes, até que chega na casa da sogra:

Dom Burco:
Deus o salve, minha sogra } bis
No seu bom estar

Sogra:
E o senhor dom Burco
No seu cavalo
Dom Burco, desapeie } bis
Para comer um bocado

Dom Burco:
Eu não desapeio } bis
Nem como um bocado
Que Flor do Dia
Lá deixei de parto

A sogra segue com dom Burco, encontra três pastorinhas e pergunta:

Minhas pastorinhas } bis
Que estão pastorando
Que sino é aquele
Que está dobrando

Pastorinhas:
Eu não vi, não sei } bis
Mas eu vi falar
Que a Flor do Dia
Que de parto está

Mais adiante, encontra outras pastorinhas e pergunta a mesma coisa.

Pastorinhas:
Eu não vi, não sei } bis
Mas eu vi dizer
Que a Flor do Dia
De parto morreu

Quando a mãe de Flor do Dia vê a filha morta, começa a chorar. Então, ouve a voz da filha cantando:

Sou eu, minha mãe } bis
Que vim lhe dizer
Que não tem fortuna
Antes não nascer

O sino já cansa } bis
De tanto dobrar
Só mamãe não cansa
De tanto chorar

 

(Silva, José Calasans Brandão da; Braga, Júlio Santana; Tourinho, Maria Antonieta. Folclore geo-histórico da Bahia e seu recôncavo. Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura / Departamento de Assuntos Culturais, 1972 (Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, 7), p.126-128)
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