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Passa-passa, cavaleiro
Duas meninas escolhidas, de mãos dadas e braços estendidos formando uma
ponte, davam ordens:
— Meninas, formem fila ao nosso lado com as menores na frente.
A fila se formava, enquanto as duas combinavam baixinho: uma seria colher,
outra garfo.
Colher queria dizer céu e garfo, inferno. Tudo pronto, cantavam as duas:
— Passa, passa, cavaleiro, até a última que aqui ficar.
A última ficava presa entre os braços que se abaixavam e as duas perguntavam:
— Você quer colher ou garfo?
As que diziam "colher" ficavam atrás da colher, as que diziam "garfo", atrás
do garfo.
Terminada a passagem, as duas contavam as prisioneiras e diziam:
— Deste lado, colher é céu, e do outro lado, garfo é inferno. Ganhou o céu!
Uma ou outra pequerrucha não gostava de ter caído no inferno, por isso,
desatava a chorar. As maiores diziam:
— Bobinha, isso é só de brincadeira. De outra vez você vai para o céu. E
davam um jeito.
(Wolff, Emílio Silvestre. Nosso folclore. snt, p.173)
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