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Julho 2009 - Ano XI - nº 126


Sumário

Festança
Coco
Valdemar Valente

Cancioneiro
Maria Borralheira ou a varinha mágica
João José da Silva

Imaginário
O cururu e o urubu
Alceu Maynard Araújo

Colher de Pau
Comidas tradicionais do Piauí
Noé Mendes de Oliveira

Oficina
Jabutis
Alceu Maynard Araújo

Palhoça
Trajes femininos em São Paulo antigamente
Jorge Americano

Panacéia
Das ervas à pemba, os truques de mulher

 

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Oficina
Textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária; artesanato; vendedores ambulantes; pregões...

Jabutis

Alceu Maynard Araújo

Geraldo Pereira Machado, branco, trinta e oito anos, verdadeiro artista da xilurgia contou ao pesquisador: "foi a necessidade, o desemprego e a fome rondando a minha casa e meus filhos, que me levaram a fazer tartarugas de madeira, jabutis. Peguei uma viva, estudei-a depois comecei a fazê-las em timbaúba, madeira mole. Agora vivo disso, vendo todas que faço. Não faltará quem imite este meu trabalho, aqui em Fortaleza basta uma pessoa começar, inventar uma coisa que logo pega influência, não falta quem comece a fazer para também ganhar dinheiro."

A madeira empregada é a timbaúba que a vai buscar no mato e a compra à razão de mil e quinhentos cruzeiros cinco paus de um metro e oitenta mais ou menos de comprimento e um diâmetro de vinte centímetros na ponta mais grossa. Com essa madeira dá para fazer três dúzias de tartarugas pequenas.

Os jabutis desse artesão medem mais ou menos um palmo e as tartarugas, meio palmo. Ambos tem pescoço e cauda móveis. Uma pequena aragem basta para que se movam emprestando graça ao enfeite, um dos motivos de atração dos compradores é sem dúvida esta mobilidade; acrescente-se também o fato de ser um trabalho escultural muito bom, grande semelhança com o modelo animal. O artesão trabalha apenas com uma peixeira e lixa. Faz por dia, duas ou duas e meia tartarugas. Pelo fato de o jabuti, ser maior, leva um dia. Observa-se também o cuidado que o artesão tem ao fazer os olhos da tartaruga embutindo as sementes vermelhas de uma frutinha chamada piriquiti.

Os preços variam de acordo com o freguês e a maneira pela qual manifesta seu interesse pela tartaruga ou jabuti. Aquelas a partir de cem cruzeiros para mais e os jabutis a partir de duzentos e cinqüenta cruzeiros para cima.

Este artesão, com melhores instrumentos poderia duplicar a produção. Nem serrote possui para cortar a timbaúba nos tamanhos de seus jabutis e tartarugas. Tudo é feito a peixeira e a lixa ainda é folha de cajueiro bravo.

 

(Araújo, Alceu Maynard. Folclore nacional. São Paulo, Editora Melhoramentos, 1964, v.2)

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