Dança popular, cantada em coro ou estribilho, em resposta aos versos do tirador, também chamado de coqueiro. Tais versos aparecem sob forma de quadras, sextilhas, décimas e emboladas.
É canto e dança que se espalham com freqüência, tanto nas praias como no sertão. É muito conhecido em Pernambuco, estendendo-se também por todo o nordeste e norte do Brasil. Embora seja de influência afro-negra, a coreografia lembra os bailados dos índios, principalmente, adverte Luís da Câmara Cascudo, dos tupis, da costa. Temos a impressão de que influências ameríndias realmente atuaram, embora levemente, na dança e, principalmente, na música. Influências que se misturam com as africanas, harmoniosamente.
As variantes e versões se multiplicam no correr do tempo e de um lugar para outro. Outrora, é Cascudo quem diz, o coco era dançado nos salões da boa sociedade de Alagoas e Paraíba. Era então chamada de samba, pagode, zambê e bambelô.
Em Pernambuco, o coco é formado por uma roda de homens e mulheres que dançam com meneios, um tirador no centro, cantando e dançando. Com uma umbigada convida outro para substituí-lo. Às vezes, o convite é feito com um simples batido de pé.
A orquestra se compõe geralmente de instrumentos de percussão. Entre eles: tambores, cuícas, pandeiros e gongás. Os músicos não participam da roda, e nem da dança.
Nas brincadeiras mais pobres, caixotes de madeira servem de bateria para animar o coco.
Pereira da Costa registrou, no Recife, a presença de viola e violão na orquestra.
Oneida Alvarenga informa que, embora a coreografia não mude, existem muitos tipos de coco, com denominações diversas, conforme o elemento de mais influência. Assim, por exemplo: por influência do lugar, coco-de-praia, coco-de-usina; de acordo com o elemento poético musical, coco-de-embolada.
O refrão fixo constitui uma característica do coco. As estrofes, geralmente em forma de quadras de sete sílabas, são tradicionais ou improvisadas.
Há cocos que se caracterizam pela lentidão e pelo lirismo, não se prestando a dança.
Em verdade, parece haver uma mistura harmoniosa da música indígena com a negra.
O canto, marcado pelo toque dos instrumentos de percussão e pelas palmas dos circunstantes, ao lado da coreografia, os dançarinos realizando seus passos de modo isolado e sucessivo no meio do círculo, revela nitidamente a participação africana.
Em Pernambuco e em Alagoas, onde a presença do negro foi marcante, o coco se mostra dentro da linha característica da dança africana.
Uma das mais antigas referências ao coco, segundo Pereira da Costa, encontra-se no Diáio de Pernambuco, ano de 1829, quando escreve: "Um matutinho alegre, dançador, a quebrar o coco e risco o baiano no meio de uma sala."
Coco composto por José Bernardo, de Caruaru:
Palmeirinha
Ó palmeirinha
Diga adeus palmeira (bis)
Minha palmeira
No tempo que era verde
Eu deitado em uma rede
Vivia a me balançar
Vou lhe contar
Depois que o verão chegou
Minha palmeira secou
Não poude mais fulorá.
Eu já gostei de uma morena
Nem posso me recordar
Nóis vivia na palmeira
A água de coco tomar
Balançando em uma rede
Nem via o tempo passá
Hoje só resta a saudade
Vivo sozinho a chorá.
Com saudade da palmeira
A vocês peço licença
Que eu não posso esquecer
O grande Valdemar Valença
Que nossa festa de turismo
Só é quem tem paciência
Fiquei muito satisfeito
Quando vi sua presença.