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Julho 2009 - Ano XI - nº 126


Sumário

Festança
Coco
Valdemar Valente

Cancioneiro
Maria Borralheira ou a varinha mágica
João José da Silva

Imaginário
O cururu e o urubu
Alceu Maynard Araújo

Colher de Pau
Comidas tradicionais do Piauí
Noé Mendes de Oliveira

Oficina
Jabutis
Alceu Maynard Araújo

Palhoça
Trajes femininos em São Paulo antigamente
Jorge Americano

Panacéia
Das ervas à pemba, os truques de mulher

 

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Festança
Textos sobre festas populares, religiosas e profanas; folguedos; danças; datas comemorativas; instrumentos musicais...

Coco

Valdemar Valente

Dança popular, cantada em coro ou estribilho, em resposta aos versos do tirador, também chamado de coqueiro. Tais versos aparecem sob forma de quadras, sextilhas, décimas e emboladas.

É canto e dança que se espalham com freqüência, tanto nas praias como no sertão. É muito conhecido em Pernambuco, estendendo-se também por todo o nordeste e norte do Brasil. Embora seja de influência afro-negra, a coreografia lembra os bailados dos índios, principalmente, adverte Luís da Câmara Cascudo, dos tupis, da costa. Temos a impressão de que influências ameríndias realmente atuaram, embora levemente, na dança e, principalmente, na música. Influências que se misturam com as africanas, harmoniosamente.

As variantes e versões se multiplicam no correr do tempo e de um lugar para outro. Outrora, é Cascudo quem diz, o coco era dançado nos salões da boa sociedade de Alagoas e Paraíba. Era então chamada de samba, pagode, zambê e bambelô.

Em Pernambuco, o coco é formado por uma roda de homens e mulheres que dançam com meneios, um tirador no centro, cantando e dançando. Com uma umbigada convida outro para substituí-lo. Às vezes, o convite é feito com um simples batido de pé.

A orquestra se compõe geralmente de instrumentos de percussão. Entre eles: tambores, cuícas, pandeiros e gongás. Os músicos não participam da roda, e nem da dança.

Nas brincadeiras mais pobres, caixotes de madeira servem de bateria para animar o coco.

Pereira da Costa registrou, no Recife, a presença de viola e violão na orquestra.

Oneida Alvarenga informa que, embora a coreografia não mude, existem muitos tipos de coco, com denominações diversas, conforme o elemento de mais influência. Assim, por exemplo: por influência do lugar, coco-de-praia, coco-de-usina; de acordo com o elemento poético musical, coco-de-embolada.

O refrão fixo constitui uma característica do coco. As estrofes, geralmente em forma de quadras de sete sílabas, são tradicionais ou improvisadas.

Há cocos que se caracterizam pela lentidão e pelo lirismo, não se prestando a dança.

Em verdade, parece haver uma mistura harmoniosa da música indígena com a negra.

O canto, marcado pelo toque dos instrumentos de percussão e pelas palmas dos circunstantes, ao lado da coreografia, os dançarinos realizando seus passos de modo isolado e sucessivo no meio do círculo, revela nitidamente a participação africana.

Em Pernambuco e em Alagoas, onde a presença do negro foi marcante, o coco se mostra dentro da linha característica da dança africana.

Uma das mais antigas referências ao coco, segundo Pereira da Costa, encontra-se no Diáio de Pernambuco, ano de 1829, quando escreve: "Um matutinho alegre, dançador, a quebrar o coco e risco o baiano no meio de uma sala."

Coco composto por José Bernardo, de Caruaru:

Palmeirinha
Ó palmeirinha
Diga adeus palmeira (bis)

Minha palmeira
No tempo que era verde
Eu deitado em uma rede
Vivia a me balançar
Vou lhe contar
Depois que o verão chegou
Minha palmeira secou
Não poude mais fulorá.

Eu já gostei de uma morena
Nem posso me recordar
Nóis vivia na palmeira
A água de coco tomar
Balançando em uma rede
Nem via o tempo passá
Hoje só resta a saudade
Vivo sozinho a chorá.

Com saudade da palmeira
A vocês peço licença
Que eu não posso esquecer
O grande Valdemar Valença
Que nossa festa de turismo
Só é quem tem paciência
Fiquei muito satisfeito
Quando vi sua presença.

(Valente, Valdemar. Folclore brasileiro: Pernambuco. Rio de Janeiro, Funarte, 19??, p.?)

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