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Julho 2008 - Ano X - nº 114


Sumário

Festança
A renascença do folclore

Cancioneiro
O velho da praia

Imaginário
A mulher do piolho
Hildegardes Viana

Colher de Pau
Comidas e bebidas de santo

Oficina
As rendas e redes do Ceará
Sérgio D. T. Macedo

Palhoça
Cobra mamadeira
Francisco Pereira da Silva

Panacéia
Agricultura popular
Alice Inês Silva Merheb

 

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Festança
Textos sobre festas populares, religiosas e profanas; folguedos; danças; datas comemorativas; instrumentos musicais...

A renascença do folclore

As danças do cacumbi e do pau de fitas, dois dos mais importantes ramos do folclore brasileiro, foram vistas por todos aqueles que visitaram a I FAINCO, domingo passado, numa promoção da Comissão Catarinense de Folclore e do Departamento de Cultura da Universidade Federal. O Pau de Fita dos Pilões e o Cacumbi do Mestre Francisco Amaro, durante mais de uma hora constituíram-se na atração máxima da feira, permitindo a muitos dos visitantes a oportunidade de pela primeira vez ver três tipos de danças.

A promoção, antes de mais nada, serviu para dar uma demonstração do quanto é importante o nosso folclore, que, ao contrário do que muitos pensam, ainda é cultivado, em grande escala, pelo povo.

Entretanto temos a certeza de que a maioria dos que apreciaram as três danças, pouco ou nada sabem a seu respeito. É por isso que damos abaixo um pequeno histórico de cada uma delas, baseados em informações prestadas pela Comissão Catarinense de Folclore.

Cacumbi

Trata-se de uma dança afro-brasileira também conhecida pelo nome de ticumbi. É representada em homenagem a São Benedito e apresentada em maiores proporções na véspera do dia consagrado ao santo. O grupo do cacumbi é composto por onze homens de cor – São Benedito era negro – e por uma moça que conduz uma bandeira com as imagens bordadas do santo e de Nossa Senhora do Rosário. O cacumbi é representado por duas alas de marinheiros, com calças e sapatos brancos e camisas azul brilhante, alguns com bonés e outros com chapéu enfeitados. O grupo tem à frente o capitão, que é o chamador da cantoria, na qual são reverenciados vários santos. Os versos são acompanhados pelo som de pandeiros e o batuque de tambores, em várias toadas. A dança termina com a luta do capitão com os marinheiros, que reclamam o pagamento da ração.

Pau de fitas

O pau de fitas é dançado na zona litorânea de Santa Catarina, em especial nos municípios de Laguna, São Francisco, Navegantes, Tijucas, Biguaçu, Santo Amaro e Imaruí. Apresenta-se como folguedo popular entre grupos de imigrantes lusos, que o receberam por aculturação dos espanhóis. A dança foi introduzida no Brasil através da fronteira do Rio Grande de Sul com os países vizinhos. O pau de fitas é apresentado por doze pessoas, seis damas e seis cavalheiros e em alguns lugares as damas são homens vestidos com roupas femininas. Além da meia-lua, que é o movimento inicial, o pau de fitas é apresentado em seis outros movimentos, quais sejam:

1º movimento: Os pares dão-se as mãos e, formando um arco, vão passando por baixo até voltarem à posição inicial.

2º movimento: Os cavalheiros voltam-se em sentido contrário para as damas, colocando as mãos espalmadas sobre os ombros. As damas, segurando as mãos dos cavalheiros, fazem vários movimentos em volta do mastro, que se encontra no centro.

3º movimento: Cavalheiros e damas, de mãos dadas, alternadamente dirigem-se em direção ao mastro e recuam até estender o círculo ao máximo, todos girando em torno do mastro. Segue-se a tomada das pontas das fitas, a fim de ser dado início ao quarto movimento.

4º movimento: Consiste no trançamento das fitas no mastro, sendo o mais gracioso da dança, constituindo-se no ponto alto da apresentação.

5º movimento: É o movimento do destrançamento inverso do trançamento, sendo efetuado logo após a retirada das fitas das mãos do grupo.

6º movimento: Os cavalheiros retiram as espadas das cintas e atacam em conjunto o chefe do grupo, dizendo, em tom de reclamação: "Seu capitão, cadê o dinheiro da nossa ração". É uma luta em que se emprega grande agilidade e após o seu término as damas voltam, formando a fila dupla e retiram-se em seguida carregando o mastro.

("A renascença do folclore". O Estado. Florianópolis, 15 de setembro de 1968

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