Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
Edição do Mês | Edições Especiais | Edições Anteriores | Tema do Mês | Temas Anteriores | Por Autor | Por Artigo | Por Seção |
Janeiro 2007 - Ano X - nº 98


Sumário

Festança
A alma simples do povo numa noite de pagode
Audálio Dantas

Festa de São Benedito
Auguste François Biard

Natal em Belém
Leandro Tocantins

Cancioneiro
Zé Marcolino, o poeta injustiçado
José Medeiros de Lacerda

Tapejara

No seio da Virgem Mãe
Guilherme Santos Neves

Imaginário
História do Jesus mendigo
Carmen Dolores

Biroca
Luíz Alberto Ibarra

A bondade da aranha
Roberto Martins

Colher de Pau
As doceiras
Daniel Bicudo

Chá do Paraguai (mate)
Oscar Canstatt

A saúde final
Paulo de Verbena (Marcelino de Carvalho)

Oficina
Candango
Francisco Pereira da Silva

Remeiros do São Francisco
Antônio Gonçalves

Vendedores ambulantes e pregões da cidade
Luiz Edmundo

Palhoça
Gíria e escritores
Eneida

Dez curiosidades folclóricas natalinas
João Chiarini

Moleque comprador de tempero
Hildegardes Vianna

Panacéia
Penitentes e sua origem folclórica
Luíz Róseo

Folclore português: Benzimentos
Elisa Vilares Cepeda

Chá de buraco
Terezinha Caldas

Veja o que foi publicado em Panacéia
Apoio Cultural
Simplicitate Design

Veja como sua empresa pode apoiar a nossa iniciativa.

Panacéia
Textos sobre plantas medicinais; rezas; benzeduras; simpatias; crenças; superstições; amuletos; orações; devoções; magia e feitiçaria...

Chá de buraco

Terezinha Caldas

Ao ouvir esta frase, tão expressiva e pitoresca do nosso homem do interior — espirituoso e simples — passo em revista vários chás.

No Rio de Janeiro, os da fidalga Casa Colombo, com petit fours e os da Americana, filtrados em bolas de filó. Em São Paulo, os da Maple e da Fasano, com "queijo mole". O delicado five-o'clock dos navios ingleses, com geléia e bolinhos de passas e nozes... O chá magro dos doentes, com fatias anêmicas e sem manteiga... Os saudosos chás nas casas-grandes dos nossos engenhos, com o grande bule de louça escondido no abafador de lã, que as meninas bordaram no colégio com grandes flores à matiz; chás que eram acompanhados de beijus, de bolinhos de goma, de pão-de-ló ou de bem-casados, feitos com perfeição e carinho, em geral por alguma babá, Maria-pequena ou Das Dores.

Há os conhecidos chás de mato, com ervas caseiras, tais como capim santo, cidreira, hortelã; os chás de remédio, de pega-pinto, de capeba, de velame etc. E foi ensinando assim várias receitas para determinada moléstia que o matuto espirituoso acrescentou: — Se não der resultado, então só chá de buraco.

Chá de buraco é... cá de cova, que, cedo ou tarde, após uma vida desbaratada ou bem vivida, aguarda inflexível, a todos nós.

E então enviei célere essa singular receita endereçada ao Palácio Itamarati, ao mestre Renato Almeida, que responde lá pelos estudos do nosso folclore...

(Caldas, Terezinha. "Chá de buraco". Jornal do Commercio. Recife, 19 de setembro de 1954)

Home | Revista | Catavento | Almanaque | Realejo | Downloads | Colaborações | Mapa do Site
Assine nosso boletim | Central dos Leitores | Expediente | Apoio Cultural
Jangada Brasil © 1998-2009. Todos os direitos reservados. | Fale Conosco | Termos e condições de uso