Ao ouvir esta frase, tão expressiva e pitoresca do nosso homem do interior — espirituoso e simples — passo em revista vários chás.
No Rio de Janeiro, os da fidalga Casa Colombo, com petit fours e os da Americana, filtrados em bolas de filó. Em São Paulo, os da Maple e da Fasano, com "queijo mole". O delicado five-o'clock dos navios ingleses, com geléia e bolinhos de passas e nozes... O chá magro dos doentes, com fatias anêmicas e sem manteiga... Os saudosos chás nas casas-grandes dos nossos engenhos, com o grande bule de louça escondido no abafador de lã, que as meninas bordaram no colégio com grandes flores à matiz; chás que eram acompanhados de beijus, de bolinhos de goma, de pão-de-ló ou de bem-casados, feitos com perfeição e carinho, em geral por alguma babá, Maria-pequena ou Das Dores.
Há os conhecidos chás de mato, com ervas caseiras, tais como capim santo, cidreira, hortelã; os chás de remédio, de pega-pinto, de capeba, de velame etc. E foi ensinando assim várias receitas para determinada moléstia que o matuto espirituoso acrescentou: — Se não der resultado, então só chá de buraco.
Chá de buraco é... cá de cova, que, cedo ou tarde, após uma vida desbaratada ou bem vivida, aguarda inflexível, a todos nós.
E então enviei célere essa singular receita endereçada ao Palácio Itamarati, ao mestre Renato Almeida, que responde lá pelos estudos do nosso folclore...