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Nesta seção, textos sobre a casa em diferentes regiões; utensílios; materiais; móveis, indumentárias; usos e costumes; tipos populares...

Dez curiosidades folclóricas natalinas

João Chiarini

A árvore de Natal faz parte da maior festa da cristandade há bem pouco tempo. Entrou para os nossos costumes e deitou raízes profundas.

Em algumas casas superou o presépio. Este é que deveria ser eternizado. A árvore de Natal é de mais fácil montagem. Não há, que a guardar para o ano futuro. Neste a gente arranja outra. Depois, um galho servirá. Há quem a faça com fitas, dando-lhes forma de árvore.

Mas há os que também se aproveitam do pinheirinho, pinus etc...

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Nos milhares de presépios que estudamos, estendidos pelo chão ou montados em mesas, tábuas, encontramos o não se respeitar a verdade geográfica, fazendo-se o chão verde, quando na verdade a terra da Palestina é árida e areada.

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Os sinos das igrejas ficaram conhecidos na Europa, a partir do século VIII da era cristã.

Na pequena vila de Stokeby-Nayland, em Suffolk, um grupo de sineiros é encarregado de tocar seis grandes sinos do condado.

Eles começam a tocar durante uma hora na manhã de Natal. Tocarão uma hora a mais antes das matinas, às 11 horas. Depois, ainda, percorrem aquela vila, badalando sinetas de mão, visitando, durante uma semana, cada casa do povoado.

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Nem todas as maneiras de se celebrar o Natal têm origem pagã.

No Queens College, de Oxford, a chegada da cabeça do javali é saudada por uma fanfarra de trombetas e cantos corais.

A cabeça é festivamente decorada com flâmulas e ramos de azevinho, trazendo na boca uma laranja.

Diz a lenda, que tal costume vem de um estudante ali matriculado, logo depois de sua fundação.

Passeava ele pela floresta contígua de Shotover, lendo um volume de Aristóteles, quando um porco selvagem avançou para ele com a boca aberta.

O estudante escapou do ataque, batendo com o pesado livro pelas faces do porco, colocando-o fora de combate. A façanha é comemorada até hoje com um jantar natalino.

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A cremação de feixes de lenha até as cinzas é outro costume ainda observado nas estalagens e casas de regiões isoladas da Inglaterra.

Um pequeno feixe de gravetos verdes é amarrado com grossas tiras de cortiça e colocados, na noite de Natal, sobre um fogo ao ar livre, na presença da família e dos vizinhos.

A medida que cada uma das tiras se rompe, todos tomam uma caneca de sidra ou cerveja, dizendo simultaneamente: "Quando esta tira, que liga o feixe de gravetos se queima, é tempo meu bom povo, de brindar com uma bebida à felicidade de todos".

O importante para as moças solteiras da comunidade são as tiras do feixe. Antes de ser ateado o fogo, cada jovem escolhe a primeira tira a se queimar e será a primeira a se casar, segundo a crença da região.

Presa a esse costume está a linda lenda, segundo a qual, no estábulo de Belém, na primeira véspera de Natal, a Sagrada Família procurou se aquecer com um fogo feito de gravetos.

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Em Yorkshire a cidade é dividida em duas partes. Uma das metades é visitada pela outra e na noite seguinte dá-se o inverso.

Cada senhora, dona da casa é despertada nas noites de festa entre a meia-noite e duas da madrugada pelos inesperados convidados.

Um, entre eles, chama cada dona de casa pelo seu nome, depois de terem sidos entoadas as cantigas natalinas.

O mesmo anuncia a hora e as condições do tempo.

Na manhã do Natal todas as casas da cidade já foram visitadas.

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Em Yuletide há outra tradição, que se conserva até hoje em Killin, Perthsire.

Perto da igreja de São Filan há bastante pedras e de tamanhos diferentes, que se sabe, terem sido usadas por aquele santo, para curar vários males.

Essas pedras estão conservadas num nicho, em um velho moinho pertencente à marquesa de Breadalbane.

No Natal, as pedras são dali retiradas e colocadas sobre um leito de palhas e caniços transportados pela água e não cortados pelo homem.

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Em Somerset, acende-se em plena rua uma fogueira no dia 26 de dezembro (Boxing Day), na qual os habitantes levantavam brindes com chouriços espetados em vara de aveleira.

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Em Allendale, em Nothunberland é observado um costume semelhante, embora as danças e folguedos tomem o lugar dos brindes com chouriço. Os festejos duram enquanto o fogo estiver aceso.

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Os druidas tiveram as suas danças do fogo e essas danças em torno de fogueiras foram adaptadas ao uso cristão.

Os povos da Europa setentrional também dançavam em volta do fogo, aceso no meio de suas vilas, em honra dos deuses pagãos. O costume contemporâneo, portanto, deve ter sua origem nessa prática antiga.

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Falta, contar-lhe outras milhares. Talvez 5.000 mil...

 

(Chiarini, João. "Dez curiosidades folclóricas natalinas". Jornal de Piracicaba. 25 de dezembro de 1963)
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