Este índio velho atirado
Ao Deus-dará pelo mundo
Já teve um viver jocundo
Já foi um guaca entonado
E como não!
Já foi pastor do rincão
Cavou terra e berrou grosso
Mas foge o tempo de moço
Como foge um patacão
É verdade!
Meu tempo, barbaridade!
Que faixa de índio, que estampa!
E hoje riscado de guampa
No mangueirão da Saudade...
Caramba!
Sempre andei de rédea bamba
Saracoteando ao meu gosto
E andava sempre disposto
Pra uma festa, ou turumbamba
Tudo passa!...
Já fui tourito fumaça
Que não caía em rodeio
E hoje inté peludeio
Na canga dessa desgraça
Ah, rapaz!
Coisa que hoje nem se faz
E que até nem se acredita
Eu fiz só por favorita
Por pabolagem, no mais!
E que tirano!
Não dou "finado Fulano"
Por testemunha, moçada:
Perguntem pr'essa velhada
Das manhas deste aragano!
Fui dos preto!
Gostei sempre de no espeto
Sê o primeiro a dá meu talho
E andava sempre em atalho
Por causa de algum lambeto
que sempre hai
Cheguei de piá sem pai
A ser capataz de estância
E conheço a palmo a distância
Do Candiota ao Uruguai
E que vaqueano!
Miles de boi de ano em ano
Baixei de riba da Serra
E em Cerro Largo, na guerra
Foi que aprendi castelhano
"Chico el mundo!"
E foi assim, a virar o mundo
A lo largo e a lo grande
Que camperiei neste Rio Grande
Que é a invernada do fundo do Brasil
E é campo, seu!
Se cabe mil, pode botar mil e
Que na safra, eu le garanto tanto
É formal!
É campo sem igual
Da brasileira comarca
Da brasileira comarca
Poltrilho aqui antes da marca
Já enfeita que nem bagual
E cada pingo!
Até gadinho de gringo
Cria polpa à flor do pasto
E guri que dá bom nos bastos
Já vê virá no domingo
Raça boa!
Inté cura a macacoa
Do índio velho que arrenova
Nessa rapaziada nova
Que não nega a raça boa
Indiada, à beira da cova
Um taura les abençoa!