Jangada Brasil a cara e a alma brasileiras
Ano VIII - Edição 86
Janeiro de 2006
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Baunilha

Richard Burton

Também nos foram mostrados exemplares da baunilha nativa, preparada pelos nossos anfitriões As vagens são penduradas em uma corda e postas a secar, todos os dias, ao sol e ao ar, mas de maneira a não se tornarem excessivamente secas. Por duas vezes, com um certo intervalo, é aplicado o óleo da azeitona-da-África, por meio de uma pena. Há quem corte as vagens e salpique dentro delas açúcar e sal. Esse valioso produto é de há muito conhecido no Brasil; uma lei colonial de 1740 proibia o seu corte. O autor do poema Caramuru, cuja primeira edição é de 1781, fala sobre ele (Canto 7, es.47):

A baunilha nos cipós desponta
Que tem no chocolate a parte sua
Nasce em bainhas, como paus de lacre
De um suco oleoso, grato o cheiro acre

Ao passo, porém, que os espanhóis exploravam a vaynilla (Epidendron vanilla), mesmo em sua época do ouro e da prata, os portugueses, especialmente os paulistas e os mineiros, sistematicamente a negligenciavam, e nossos livros a ignoram. No entanto, a planta cresce em grande parte do Brasil intertropical e, em certos lugares, perfuma a atmosfera. Parece, portanto, se reproduzir sem a arte. As vagens que nos foram oferecidas em São João eram grandes, carnosas e muito escuras; conservaram durante meses seu cheiro característico. 

[1867]

 

(Burton, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. Brasília, Senado Federal, 2001. O Brasil visto por estrangeiros, p.129-130)
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