Com o desaparecimento das matas que no passado cobriam parte considerável dessa região, a fabricação de carvão vegetal, anteriormente atividade importante, tem declinado sempre, sendo hoje raro encontrar-se uma pessoa ocupada com esse serviço. A exceção é o homem que trabalha atualmente nas densas matas ao longo da margem esquerda do rio Tietê.
Derrubam-se as árvores a machado — uns poucos metros quadrados de cada vez — e, em seguida, ateia-se fogo para queimar as folhas, pequenos ramos e vegetação rasteira, bem como para “secar os ramos e troncos o suficiente para fazer o carvão”. A lenha é rachada e cortada em pedaços de aproximadamente 1,50 m de comprimento e de não mais de 20 cm de espessura, de modo a permitir fácil manejo na caieira.
Para construir uma caieira, primeiro se limpa e se nivela um espaço perto da lenha derrubada, de aproximadamente 5 m de diâmetro, conhecido como a “praça”. No centro desse espaço limpo, vão-se pondo pedaços de lenha em pé para dar a forma aproximada de um cone. Outras camadas de lenhas são postas em redor dessa até “quanto dê a coragem do carvoeiro”. Em seguida, cobre-se essa pilha com terra frouxa e seca de modo a formar um pequeno monte, que é conhecido como “balão”. Pela parte superior desse monte, introduz-se material combustível sob a forma de folhas e lenha seca, macia e fibrosa. ateando-se fogo em seguida. Quando o fogo está bem avivado, fecha-se a abertura superior e faz-se um buraco na parte de baixo para permitir a entrada de ar e assim provocar a descida do fogo, vagarosamente.
Cerca de um dia depois, quando a fumaça não sai mais e a lenha é tida então como “bem cozida”, põe-se mais terra sobre o balão, e a lenha é deixada a arder por mais três dias. Depois disso, retira-se a terra para um lado e ensaca-se o carvão. Os instrumentos usados em todo o processo, desde a derrubada até o carvão, são apenas quatro: o machado, a foice, a pá e o rastelo, este com dentes de aproximadamente 25 cm de comprimento.
Utiliza-se também um segundo processo, em que a caieira é substituida por um forno. Este é construído fazendo-se um buraco redondo no solo, de cerca de 2 m de profundidade por 3 de diâmetro. Aproveita-se, a seguir, uma abrupta variação no nível do terreno para abrir um túnel curto, de 1 m de largura, na base dessa escavação, a fim de sair numa área onde o carvoeiro possa trabalhar no mesmo nível do fundo do buraco. Este é então coberto com tijolos, tomando a forma de uma cúpula. No lado imediatamente oposto ao túnel, abre-se um orifício de mais ou menos 30 cm, conhecido como a “chaminé”, partindo da parede do forno, de baixo para cima. Ao meio de cada um dos dois outros lados, na parte superior da escavação, fazem-se pequenos orifícios de mais ou menos 20 cm de diâmetro, chamados “baianas”.
Põem-se, então, pedaços de lenha, começando com os menores e terminando com os maiores, em redor dos lados do forno, até este ficar cheio, e faz-se fogo na “porta” do túnel. Logo que a lenha esteja bem inflamada, fecha-se a porta com terra e veda-se completamente, aplicando-se reboco a todos os orifícios por onde o ar possa entrar. Abrindo e fechando a chaminé e as baianas, a quantidade de ar que entra no forno é regulada, e a combustão, ou o “cozimento”, como é chamada, é desse modo controlada e levada a processar-se vagarosamente.
Quando não sai mais fumaça do forno, fecham-se completamente as aberturas e deixa-se a lenha arder por mais três dias, depois dos quais se abre o forno, e o carvão recém-preparado é removido com auxílio do rastelo, para ser ensacado.