Com um ano, na
Bahia,
Vinte e quatro em Pernambuco,
Somente o forte trabuco
A Holanda expulsaria.
Tabocas com energia
Foi uma das nossas glórias,
Guardamos bem nas memórias
Índios, flechas e tacapes,
Grandeza dos Guararapes,
Campo de duas vitórias.
Foi na Bahia a
primeira
Invasão dos holandeses
Mas demoraram poucos meses
Nesta terra brasileira.
O bispo Marcos Teixeira
Junto a Domingos Furtado
Tomando um certo cuidado
Chega em nosso território
Fradique Toledo Osório
Expulsando-os do estado.
Tomando dos
espanhóis
A prata dos mexicanos
A Holanda em novos planos
Arma a esquadra contra nós.
Luta tremenda e atroz
Que recordamos ainda.
A ganância não se finda
Nos holandeses sem brios
Que com setenta navios
Botaram fogo em Olinda.
Sete mil homens
de guerra
Com setenta embarcações
Com mais de dez mil canhões
Invadiram nossa terra.
Matias, herói, se aferra
Aos nossos bravos conduz
Com amor, coragem e luz
Perseverança e prudência
Faz centro de resistência
No arraial do Bom Jesus.
Albuquerque com
valor
Ao invasor deu castigo
Proibiu que o inimigo
Ganhasse o interior.
Índio, cativo ou senhor
Lutaram com bizarrias
De emboscada as companhias
Com tática, honra e ação
Negreiros e Camarão
João Vieira, Henrique Dias.
A Espanha
arrefecendo
Com pouco auxílio se enquadra
Resolve e manda uma esquadra
Por dom Antônio de Oquendo
Dando-se um choque tremendo
De holandeses e espanhóis.
Peter almirante feroz
Nesta batalha não ganha
Esta esquadra da Espanha
Trouxe vantagem pra nós.
O nosso grande
Matias
de Albuquerque, homem de Luz
No arraial do Bom Jesus
Com Filipe e Henrique Dias
Guerrilhas e companhias
Com vitórias muitas vezes
Pretos, índios,
portugueses
Obedecendo os bons planos
Causaram diversos danos
Aos perversos holandeses.
Invasor perde a
ação
Quis a terra abandonar
Porém aí Calabar
Contra nós faz a traição.
Conhecendo a região
Contrabandista famoso
Elemento audacioso
Quis a Holanda ajudar
Puderam bem conquistar
Igaraçu, Rio Formoso.
Matias não ia
bem
A situação se agrava
De posição lhe restava
Apenas Sirinhaém.
Quinhentos em armas tem
As coisas não estavam boas
Ao todo oito mil pessoas
Com fome, com sede e guerra
Deixa os hereges na terra
Foi parar nas Alagoas.
Os nossos, nessa
demanda
Como simples retirantes
Em Porto Calvo brilhantes
Derrotaram os da Holanda.
Matias que bem comanda
Como bravo lutador
Domingos, o impostor
Este não pôde ser salvo
Enforcado em Porto Calvo
Como ímpio traidor.
Pois naqueles
tristes dias
A Espanha um plano forja
De mandar Rojas y Borja
Para o lugar de Matias.
Madri com antipatias
Dava a Matias desprezo
Suportou do ódio, o peso
Em paga desta campanha
Depois chamado à Espanha
Por injustiça foi preso.
No forte Rio
Formoso
Deu-se um episódio heróico
Pedro de Albuquerque, estóico
Comandante valoroso
Vencê-lo foi custoso
Com três assaltos caiu
Covardia não se viu
Vinte combatem quinhentos
Até os últimos momentos
Esse bravo resistiu.
Heroínas de
valor
Filhas de Tejucupapo
Pobres, cobertas de trapo
Lutaram com destemor
Combateram o invasor
Lhes dando grande castigo
Deixam roça, deixam abrigo
Com foices, paus e enxadas
Mas são imortalizadas
Rechaçando o inimigo.
Das Índias
Ocidentais
A companhia em início
Manda o príncipe João Maurício
de Nassau, culto e capaz.
Pontes, diques e canais
Letras, artes, edifício
Nos fez algum benefício
Mas surgem desgostos e danos
Passando aqui sete anos
Volta à Holanda Maurício.
Em meio a esta
campanha
Por um ato natural
O povo de Portugal
Ficou livre da Espanha.
Portugal com artimanha
E o IV João de Bragança
Trata de certa aliança
Com a Holanda em ação
Pois seria a Insurreição
A nossa única esperança.
Pois João
Fernandes Vieira
Em tudo acelera o ritmo
Um patriota legítimo
Lá da Ilha da Madeira
Da riqueza açucareira
Era o maior produtor
Valente e trabalhador
No arraial lutou demais
Queimou seus canaviais
Nada dando ao invasor.
Com a ordem de
prisão
Para o grande João Fernandes
Aí os corações grandes
Apressam a Insurreição.
Treze irmãos Batistas, são
Com a mãe grandes guerreiros
Camarão e companheiros
Nas guerrilhas tomam parte
Sendo o maior baluarte
André Vidal de Negreiros.
Todos contra o
invasor
Quarenta e cinco o momento
Em junho há o movimento
Chamado: Libertador.
Nativistas com primor
Cada qual o mais disposto
Com coragem, fé e gosto
Queimaram mais do que brocas
Na batalha das Tabocas
Vitória, três de agosto.
Outras vitórias
nos vêm
Nos bafejou mais a sorte
Vencemos em Casa Forte,
Recife e Olinda também.
Invasores vez não têm
Nesta Terra de Tupã
Foram atracando por cá
O holandês triste fica
Somente com Itaparica
E a Ilha Itamaracá.
O invasor muitas
vezes
Faz a Portugal apelo
Dom João finge atendê-lo
Manda Barreto Menezes
Este preso nove meses
Pôde fugir da prisão
Entra com pressa em ação
No arraial chamado novo
Aclamado pelo povo
General da Insurreição.
Aos dezenove de
abril
De quarenta e oito o ano
o povo pernambucano
Numa batalha febril
Para glória do Brasil
O nativista se move.
Guararapes bem promove
As derrotas do afoito
Sendo uma em quarenta e oito
A outra em quarenta e nove.
Depois de passar
dez meses
Van Schkoppe ainda falha
Perde a segunda batalha
Foi infeliz duas vezes.
Foi Barreto de Menezes
General dos Guerrilheiros.
Nós como bons brasileiros
Cumpramos nosso dever
Não devemos esquecer
Camarão, Dias, Negreiros.
Epopéia varonil
Organiza Portugal
A companhia geral
De comércio do Brasil
Manda uma frota viril
Ajudar na expulsão.
Van Schkoppe sem ação
Sofre o ajuste de contas
No forte da Cinco Pontas
Deu-se a capitulação.
João Fernandes
Vieira,
E Barreto de Menezes,
Ninguém sabe quantas vezes,
Honraram nossa bandeira,
A Holanda aventureira
Com a derrota concorda,
Nossa alegria transborda,
Um pacto foi combinado,
Este armistício assinado,
Na campina do Taborda.
Navio não levou
a carga,
Toda a esperança acabou-se,
Ao invés de açúcar, doce,
Tiveram a derrota amarga,
A triste Holanda nos larga,
Tudo se passa afinal,
Temos bela capital,
E Olinda, padrão de fé,
Tabocas sempre de pé,
Guararapes imortal...
Pernambuco foi
teatro
Da luta que em sangue pinta
De mil seiscentos e trinta
Ao ano cinqüenta e quatro.
Seus heróis eu idolatro
Nos anais da nossa história
Tenacidade, amor, glória
Provaram os pernambucanos
Com bravos paraibanos
Sustentáculos da vitória.
Estão num só
paralelo
Do Maranhão dois guerreiros
Antônio Muniz Barreiros
E Antônio Teixeira Melo.
Dos heróis eu sempre zelo
Os nomes com distinção
Da Bahia ao Maranhão
Do Maranhão à Bahia
Fraternidade alegria
Vitória, amor, redenção.
Guardemos bem
nas memórias
Trabucos, flechas, tacapes
Tabocas e Guararapes
São dois montes de vitórias.
Troféus, triunfos e glórias
Nessas batalhas renhidas
Surjam nas mãos prevenidas.
Cinzel, pincel, penas, lápis
Não gravam dos Guararapes
Suas glórias merecidas.