|
Doralecio Soares
Quase todos os estados do Brasil conservam entre os seus povos os costumes que
lhes foram transmitidos pelos seus colonizadores. Desde o fetichismo, que se
dividem em uma série de crendices se destacando entre todas as herdadas da raça
negra até as mais ingênuas brincadeiras populares que vêm sendo estudadas e
divulgadas para outros povos pelos folcloristas nacionais. Não só de crendices,
festas populares, cantigas, modinhas, brincadeiras e outros costumes que nosso
povo conserva, constitui o nosso folclore. Temos uma parte importantíssima, que
é constituida pelo nosso artesanato, que reúne tudo que se relaciona com as
indústrias caseiras, elaborado ainda por processos rudimentares conservando a sua
tradição primitiva. O valor folclórico do objeto está na autencidade da
confecção. Tem que ser conservada a espontaneidade com que foi executado, em que
predomina a sua forma inata no caso da cerâmica, mesmo que o executante fabrique
centenas de objetos idênticos, haverá sempre diferenças entre si. E assim temos
de norte a sul, de leste a oeste do Brasil os mais variados tipos de artigos do
nosso artesanato. Em trançados temos uma infinidade de tipos de cestos,
bolsas, chinelos, etc. Em cerâmica são maravilhosos os tipos de objetos
autênticos de folclore, destacando-se os conhecidos marajoaras, e em toda
região Norte e Nordeste do Brasil, existem verdadeiras obras-primas na cerâmica
primitiva. O artesanato de couro e objetos de metais na Bahia é o que se pode
chamar de grandioso só sendo igualado pelo Rio Grande do Sul.
Em Santa Catarina, como também no Nordeste do Brasil até a Bahia, herdaram dos
seus colonizadores portugueses originários dos Açores, Madeira e de outros
pontos de possessões portuguesas, a arte de fazer "rendas de bilros" em
almofadas. Os portugueses originários dessas ilhas se localizaram em nossa zona
litorânea, pois se dava à pratica da pesca e as suas mulheres e filhas se
dedicavam a feitura de "rendas", pois que inclusive as redes sempre foram
trançadas pelos próprios pescadores e seus familiares, tradição esta que até
hoje ainda se conserva entre muitos, muito embora já existam redes fabricadas
por máquinas, pois as necessidades de maior consumo de pescados nos obrigam a
isto.
É assim em Santa Catarina, principalmente Florianópolis, e zonas adjacentes, já
se tornaram, pois, zonas tradicionais como centro de "rendas de bilros" e
conhecidíssimas são dos que nos visitam as nossas "vendedoras de rendas". As
rendas da ilha de Santa Catarina, sempre tiveram grande aceitação no Rio Grande
do Sul, São Paulo, Rio e estados do centro. Maravilhosos são os trabalhos das
nossas rendeiras que vêm transmitindo de geração em geração esse labor da sua
faina diária, cujos resultados são mínimos mas o costume perdurará para sempre
pois a tradição nunca desaparecerá. Dias virão em que estas encontrarão melhores
compensações pelo seu trabalho que dura de sol a sol.
|