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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

A MISSA DE NATAL

ANO VI - EDIÇÃO 62
JANEIRO 2004

Oficina
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Os jangadeiros, por Joaquim Ribeiro

A vendedora de cheiros na feira-livre, por Isa Leal

Rendas de Santa Catarina, por Doralecio Soares
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Capa
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Festança
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Cancioneiro
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Imaginário
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Palhoça
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Colher de Pau
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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OFICINA - Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária; artesanato; vendedores ambulantes; pregões...


Rendas da ilha de Santa Catarina

Doralecio Soares

Quase todos os estados do Brasil conservam entre os seus povos os costumes que lhes foram transmitidos pelos seus colonizadores. Desde o fetichismo, que se dividem em uma série de crendices se destacando entre todas as herdadas da raça negra até as mais ingênuas brincadeiras populares que vêm sendo estudadas e divulgadas para outros povos pelos folcloristas nacionais. Não só de crendices, festas populares, cantigas, modinhas, brincadeiras e outros costumes que nosso povo conserva, constitui o nosso folclore. Temos uma parte importantíssima, que é constituida pelo nosso artesanato, que reúne tudo que se relaciona com as indústrias caseiras, elaborado ainda por processos rudimentares conservando a sua tradição primitiva. O valor folclórico do objeto está na autencidade da confecção. Tem que ser conservada a espontaneidade com que foi executado, em que predomina a sua forma inata no caso da cerâmica, mesmo que o executante fabrique centenas de objetos idênticos, haverá sempre diferenças entre si. E assim temos de norte a sul, de leste a oeste do Brasil os mais variados tipos de artigos do nosso artesanato. Em trançados temos uma infinidade de tipos de cestos, bolsas, chinelos, etc. Em cerâmica são maravilhosos os tipos de objetos autênticos de folclore, destacando-se os conhecidos marajoaras, e em toda região Norte e Nordeste do Brasil, existem verdadeiras obras-primas na cerâmica primitiva. O artesanato de couro e objetos de metais na Bahia é o que se pode chamar de grandioso só sendo igualado pelo Rio Grande do Sul.

Em Santa Catarina, como também no Nordeste do Brasil até a Bahia, herdaram dos seus colonizadores portugueses originários dos Açores, Madeira e de outros pontos de possessões portuguesas, a arte de fazer "rendas de bilros" em almofadas. Os portugueses originários dessas ilhas se localizaram em nossa zona litorânea, pois se dava à pratica da pesca e as suas mulheres e filhas se dedicavam a feitura de "rendas", pois que inclusive as redes sempre foram trançadas pelos próprios pescadores e seus familiares, tradição esta que até hoje ainda se conserva entre muitos, muito embora já existam redes fabricadas por máquinas, pois as necessidades de maior consumo de pescados nos obrigam a isto.

É assim em Santa Catarina, principalmente Florianópolis, e zonas adjacentes, já se tornaram, pois, zonas tradicionais como centro de "rendas de bilros" e conhecidíssimas são dos que nos visitam as nossas "vendedoras de rendas". As rendas da ilha de Santa Catarina, sempre tiveram grande aceitação no Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio e estados do centro. Maravilhosos são os trabalhos das nossas rendeiras que vêm transmitindo de geração em geração esse labor da sua faina diária, cujos resultados são mínimos mas o costume perdurará para sempre pois a tradição nunca desaparecerá. Dias virão em que estas encontrarão melhores compensações pelo seu trabalho que dura de sol a sol.

(Soares, Doralécio. "Rendas da ilha de Santa Catarina". Jornal do Folclore. São Paulo, julho/agosto de 1960)