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João Chiarini
Já afirmamos um bonde de vezes, que não temos uma cozinha nacional popular
brasileira.
Pratos regionais temos algumas grosas. Ricos. Saborosos. Estéticos. Com técnicas
ou maneiras de fazê-los especifícas.
Na palestra que pronunciou no auditório do Jornal de Piracicaba a folclorista
e antropóloga Maria Brígido, de Belém do Pará, que veio para o I Festival de
Folclore de Piracicaba, ao encerrarmos a sua falação, dissemos aos presentes,
principalmente aos diretores do DMT local, que já organizam a III Festa do
Peixe, em se fazer o I Concurso de Cuscuzes.
Primeiro porque o cuscuz, como iguaria afro-brasileira, liga-se àquela festa.
Faz-se-lhe também de peixes.
Segundo, porque ele oferece umas variantes: há de frangos, de carne, de
camarões, de sardinha, de bacalhau. Em relação ao de peixe, há os de mandis, de
cascudos etc.
Além de farináceos que compõem qualquer um deles, acrescentam-se-lhes
guarnições: azeitonas, ovos, palmitos, tomates, ervilhas etc...
Os condimentos se-lo-ão: sal, pimenta do reino, afora a necessária gordura, que
ninguém a desconhece neste prato.
É claro que a farinha é obrigatoriamente africana, o que não diremos do amigo,
que é peninsular, europeu.
É evidente que o cuscuz não é um prato brasileiro. Muito menos
nacional-brasileiro. Faz-se-lhe com técnicas locais.
A técnica simplesmente não dá vitalidade caracteristicamente nacional popular.
Os cuscuzes de peixes, vindos de mãos diferentes, têm técnicas diversas, gostos,
sabores, massas estranhas que se não esfarelam.
O cuscuz que solta, que se esfarinha não vem de mestra da cozinha.
Desclassifica-se por si só. O excessivamente seco ou oleoso também não tem
cotação. Enjoa-nos.
O cuscuz se não come só. Acompanha-lhe a cerveja ou o chopps. É uma exigência
dos pratos de base amidonácea ou farinácea.
É ele um prato que pertence a cozinha folclórica.
Hoje, há formas próprias de alumínio, sendo o depósito, a do banho-maria. As
formas de barro cozido, que já se não encontram mais, são as melhores para a
feitura daquele prato.
Um concurso desse prato, pode fazer turismo certo, dar renda a quem o patrocinar
e prêmios aos concorrentes.
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