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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

A MISSA DE NATAL

ANO VI - EDIÇÃO 62
JANEIRO 2004

Colher de Pau
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Depoimento do  folclorista Renato Almeida sobre doces baianos da época de sua meninice

Folclore da jabuticaba, por Maurílio Torres

Folclore dos cuscuzes, por João Chiarini
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Capa
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Festança
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Cancioneiro
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Imaginário
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Oficina
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Palhoça
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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COLHER DE PAU - Nesta seção, textos sobre receitas tradicionais; bebidas típicas; alimentos brasileiros; costumes à mesa; horta, pomar e criação; crenças, costumes e tabus relacionados à alimentação e alimentos...


Folclore dos cuscuzes

João Chiarini

Já afirmamos um bonde de vezes, que não temos uma cozinha nacional popular brasileira.

Pratos regionais temos algumas grosas. Ricos. Saborosos. Estéticos. Com técnicas ou maneiras de fazê-los especifícas.

Na palestra que pronunciou no auditório do Jornal de Piracicaba a folclorista e antropóloga Maria Brígido, de Belém do Pará, que veio para o I Festival de Folclore de Piracicaba, ao encerrarmos a sua falação, dissemos aos presentes, principalmente aos diretores do DMT local, que já organizam a III Festa do Peixe, em se fazer o I Concurso de Cuscuzes.

Primeiro porque o cuscuz, como iguaria afro-brasileira, liga-se àquela festa. Faz-se-lhe também de peixes.

Segundo, porque ele oferece umas variantes: há de frangos, de carne, de camarões, de sardinha, de bacalhau. Em relação ao de peixe, há os de mandis, de cascudos etc.

Além de farináceos que compõem qualquer um deles, acrescentam-se-lhes guarnições: azeitonas, ovos, palmitos, tomates, ervilhas etc...

Os condimentos se-lo-ão: sal, pimenta do reino, afora a necessária gordura, que ninguém a desconhece neste prato.

É claro que a farinha é obrigatoriamente africana, o que não diremos do amigo, que é peninsular, europeu.

É evidente que o cuscuz não é um prato brasileiro. Muito menos nacional-brasileiro. Faz-se-lhe com técnicas locais.

A técnica simplesmente não dá vitalidade caracteristicamente nacional popular. Os cuscuzes de peixes, vindos de mãos diferentes, têm técnicas diversas, gostos, sabores, massas estranhas que se não esfarelam.

O cuscuz que solta, que se esfarinha não vem de mestra da cozinha. Desclassifica-se por si só. O excessivamente seco ou oleoso também não tem cotação. Enjoa-nos.

O cuscuz se não come só. Acompanha-lhe a cerveja ou o chopps. É uma exigência dos pratos de base amidonácea ou farinácea.

É ele um prato que pertence a cozinha folclórica.

Hoje, há formas próprias de alumínio, sendo o depósito, a do banho-maria. As formas de barro cozido, que já se não encontram mais, são as melhores para a feitura daquele prato.

Um concurso desse prato, pode fazer turismo certo, dar renda a quem o patrocinar e prêmios aos concorrentes.

(Chiarini, João. "Folclore dos cuscuzes". Jornal de Piracicaba, 26 de outubro de 1967)