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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

A MISSA DE NATAL

ANO VI - EDIÇÃO 62
JANEIRO 2004

Cancioneiro
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A mulata no folclore sul-riograndense, por Adão Carrazzoni

Desafio entre Manuel do Olho d' Água e Francisco Pamonha

O romance do conde de Alemanha, por Téo Brandão
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Capa
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Festança
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Imaginário
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Oficina
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Palhoça
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Colher de Pau
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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CANCIONEIRO: Nesta seção, textos sobre música regional; literatura de cordel; cantos de trabalho; poesia popular; desafios; romances; cantos religiosos; quadras, pasquins...


A mulata no folclore sul-riograndense

Adão Carrazzoni

Felício Antônio Guterres é um bugre velho, veterano da guerra do Paraguai, que vive ainda hoje na histórica cidade de Rio Pardo. Vive ele, ainda forte e de espírito lúcido e vivaz, pelos bares da cidade, contando os episódios pitorescos uns, heróicos outros, de sua mocidade feliz e agitada que já vai tão longe, perdendo-se num cenário de lendas e apagando-se nas brumas do passado...

Seus únicos amigos, fiéis e inseparáveis, são uma velha sanfona esburacada e um bom cepo de pinga.

Desse velho bugre, relíquia do passado, de outras eras, recolhemos a letra da toada que abaixo transcrevemos e que, possivelmente, terá valor como contribuição a um futuro estudo do rico folclore sul-riograndense:

A sinhazinha prometeu-me
Mulatinha pra casá
As crioulas só de inveja
Agora querem me matá

Eu não quero mais mulata
Nem que ela venha do céu
Por causa de uma mulata
Fui pará em Montevidéu

Um laço de fita verde
De três dedos de largura
Na cintura da mulata
Mata qualquer criatura

Mulata bonita é veneno
Mata tudo que é vivente
Embriaga as criaturas
Tira a vergonha da gente...

Mulata, minha mulata
Quem te deu vestido azul?
Um soldado da brigada
Do Rio Grande do Sul

Marrecão do banhado
Marrequinha da lagoa
Bem dizia, meus amigos
Que mulata é coisa boa

Mulatinha ó doce de ovo
Não se come sem canela
Camarada de bom gosto
Não pode passar sem ela

(Carrazzoni, Adão. "A mulata no folclore sul-riograndense". Folha de Minas, 15 de agosto de 1948)