Jangada Brasil
  

  Jangada Brasil  | RealejoProvérbios  |  No Estradão  |  Amigos da Jangada  | Contato  | Mapa do Site

Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

A MISSA DE NATAL

ANO VI - EDIÇÃO 62
JANEIRO 2004

Almanaque
....................................
Conheça nosso Brasil - I, por Rafael de Carvalho

Conheça nosso Brasil - II, por Rafael de Carvalho

Pelo correio eletrônico

Do almanaque do Barão de Itararé

Na parede do boteco

Escrito em papel-moeda

Latrinália

No estradão

Provérbios
....................................

Capa
....................................

Festança
....................................
Cancioneiro
....................................
Imaginário
....................................
Oficina
....................................
Palhoça
....................................
Colher de Pau
....................................
Panacéia
....................................
Catavento
....................................
 

Edições anteriores
Seleções temáticas
As cartas, opiniões e pedidos dos nossos leitores
Bibliografia utilizada
Saiba mais sobre a Jangada Brasil
Contatos
 

Almanaque: Nesta seção, textos sobre variedades; frases de pára-choques de caminhões; passatempos; provérbios; curiosidades; pregões de ambulantes; causos; anedotas; folclore de botequim; latrinália; escritos em papel-moeda; anedotas; charadas...


Conheça o nosso Brasil - Mapa folclórico do Brasil

51
Depois da Bahia assim
Minas vem com tal riqueza,
que parece um privilégio
Dado pela natureza.
E depois de Três Marias
Minas vai uma beleza.

52
Minas Gerais com certeza
Pelas riquezas que tem,
Não quis mais ser explorada
Por opressores de além.
E chamou todo o Brasil
Para protestar também.

53
E foi Tiradentes quem
Com o seu valor ingente,
Tentou com sua bravura
Esclarecer nossa gente...
Hoje em dia não se entrega
O Brasil impunemente.

54
Ele plantou a semente
Do nosso patriotismo
Hoje em dia, os vendilhões
Do Brasil, vão com cinismo
Enxovalhar a memória
Desse mártir do entreguismo.

55
Não falo por fanatísmo.
O que eu sou é brasileiro
Que sofre ao ver o Brasil
Nas garras do estrangeiro.
O seu povo perseguido,
E sem valor seu dinheiro.

56
Tem o estado mineiro
Uma princesa encantada
Belo Horizonte, uma pedra
No chapadão, lapidada.
É a capital do estado
De ferro e ouro cercada!

57
Bem aqui nesta estirada,
À beira do mar, de pé.
Espírito Santo exporta
Madeira, cacau, café.
A capital é Vitória
E que também porto é.

58
Aqui tem porto a locé
Na costa que aqui se inclina.
Cidade tem São Mateus,
Muniz Freire e Colatina.
Rio Itabapoana
No de Janeiro confina.

59
E Niterói se reclina
Sorrindo pra Guanabara.
Parecem dois namorados
Numa afeição muito rara,
Que unidos por baixo d'água
Ninguém no mundo os separa.

60
Junto de Minas, se ampara
A serra da Mantiqueira.
Com o estado de São Paulo
À esquerda faz fronteira.
Niterói — a capital
Banha-se no mar, fagueira.

61
Canavial, bananeira...
Lima, limão, laranjal
Tem aço em Volta Redonda
Em Cabo Frio tem sal.
Perto da Lagoa Feia
Inda se vê cafezal.

62
Assim falei no geral
Do nosso estado do Rio.
São João da Barra, que é porto,
Porto é também Cabo Frio.
E em Niterói atraca
Qualquer tipo de navio.

63
Sem querer perder o fio
Sigo na mema toada
Temos aqui pela frente
A Guanabara falada.
Devido à sua beleza
Por todo mundo é cantada.

64
A Guanabara é cortada
De barco pra todo lado.
O seu nome é tão bonito
Que ela deu nome ao estado
Onde existem atrações:
Pão de Açúcar, Corcovado...

65
Que o Cristo, como um soldado,
Por essas belezas zele
E não deixe que o Lacerda
Arranque a nossa pele,
E liberta a Guanabara
Dos currais do Fontenelle.

66
Nosso bom-senso repele
Tanto imposto e carestia.
Quando a coisa ia mais quente
Nós entramos numa fria
Que é só cadeia e pancada...
E tome democracia!

67
E muita gente queria
Uma vida mais humana!
Por isso era passeata
Nas ruas toda semana!
Mas agora, até o Cristo
Se falar muito entra em cana!

68
Mas Urca e Copacabana,
E Ipanema e Leblon...
São coisas que a gente vendo
Diz sem bairrismo nenhum:
"Tem tanta mulher bonita
Que o cantador perde o tom"

69
Vila de Villegaignon
A gente avista primeiro
Bem perto da capital
Que é Rio de Janeiro,
Do seu quarto centenário
Se fala no mundo inteiro.

70
Ele tem um verdadeiro
Surto de real progresso.
Tem Santa Cruz, Campo Grande,
Realengo e Bonsucesso
A Padre Miguel eu falo:
Sou seu amigo confesso.

71
E de vocês me despeço
Pra terra do cafezal.
São Paulo é tão verdadeiro
Que São Paulo é capital.
Seus portuários em Santos
São orgulho nacional.

72
Também tem algodoal,
Cana-de-açúcar e arroz.
Tem bode, porco e cavalo,
Rebanhos de ovelha e bois,
Tem uva pra fazer vinho
E o resto eu digo depois.

73
São Paulo, "ora por quem sois"
Com tanta população!
São mais de 15 milhões...
— Eta São Paulo machão!
Ele é o mais populoso
Estado da União!

74
Sua colonização
Não se deu muito tranqüila
A tribo dos carijós
Contra opressor não vacila:
Oitenta de uma só vez
Aquela tribo aniquila.

75
Martim Afonso cochila
E perde toda essa gente.
Se a sua barba era grande
Cresceu mais daí pra frente.
Fundou a primeira vila
No Brasil, de São Vicente.

76
Hoje São Paulo é potente
Do litoral ao sertão.
Tem uma refinaria
De petróleo, Cubatão.
Com cento e dez mil barris
Por dia de operação.

77
De automóvel e caminhão
É intenso seu fabrico.
E cada dia que passa
São Paulo fica mais rico
Mas para os trabalhadores...
É melhor calar meu bico.

78
Vou ver se melhor me explico:
Sendo a terra do café
Tem viaduto do Chá
E insinua muita fé:
São Paulo, Santa Ifigênia,
São Caetano, Santo André.

79
No futebol deu Pelé
Que joga em Pacaembu.
De rios, tem Paraná,
Tietê, Mogi-Guaçu
E o Paranapanema...
Complicado pra chuchu.

80
Tem Paranapiacaba,
— Uma bela cordilheira.
Depois vem serra do Mar
Ao norte, muito altaneira,
Saudando em Minas Gerais
A serra da Mantiqueira.

81
Cananéia é derradeira
Ilha do seu litoral.
Junto à cidade de Iguape
E lá tem muito arrozal.
Cidade de Ponta Grossa
Do lado oposto e final.

82
Erva-mate e pinheiral.
— Riquezas do Paraná
Tem uma bela baía
Que é a de Paranaguá
A capital é Curitiba
Não é distante de lá.

83
Rios tem o Paraná,
Iguaçu e Piquiri
Nascendo em Guarapuava
Nós temos o Ivaí
Desembocando em São Paulo
Tem ainda o Tibaji.

84
Cidades como Irati,
Apucarana e Londrina.
Tem Ponta Grossa no meio,
Porém não tem Ponta Fina
Bem aqui tem o Rio Negro.
Junto a Santa Catarina.

85
Café, é bebida fina
E dá muito em Cambará
Na fronteira de São Paulo,
Bem nesta ponta de cá.
Vindo mais pro Mato Grosso
Passamos em Maringá.

86
Ainda no Paraná
Outra grandeza ressalto:
O salto de Sete Quedas.
De lá novamente eu salto
As do Iguaçu, que têm
Oitenta metros de alto.

87
Voltando para o asfalto
Tem São José dos Pinhais.
Paraná além do trigo,
Tem uva, tem arrozais.
Nossas violas são feitas
De lá dos pinheirais.

88
Falemos das capitais
Já na região sulina:
Temos lá Florianópolis
Já em Santa Catarina
Plantada no Oceano
— Uma ilha genuína.

89
Do lado oposto Argentina
Numa faixa muito estreita.
Tem muita floresta, trigo...
Ali dá até maleita
Às margens do Chapecó
Que no Uruguai se deita!

90
Canoas também se ajeita
No leito do Uruguai
Mais à direita o Pelotas
Que do mesmo lado sai
Sem contar o rio Peixe
Que prali nadando vai.

91
O Itajaí se atrai
Para o mar e vai rolando,
Ao lado de Blumenau
Mansamente vai passando
Vai sair noutra cidade
Que tem seu nome adotando.

92
Eu só quero parar quando
Falar desta terra inteira.
Onde tem gado bovino,
Suíno, além de madeira,
E carvão e charqueada
E erva-mate de primeira.

93
Cidades temos Videira,
Concórdia e Joaçaba.
Tem Lajes e Tubarão.
Do lado esquerdo, nesta aba:
Brusque, Joinvile e Mafra...
E aqui o mapa se acaba.

94
Por lá deu muito emboaba
Por isso há muita mistura
De português, espanhol,
Alemão, que a gente jura
Ser um país estrangeiro
Devido aquela estrutura.

95
Havia uma raça pura
— Nosso povo verdadeiro!
A tribo dos carijós
Que ali vivia primeiro
Iniquamente arrasada
Por invasor estrangeiro.

96
Hoje tudo é brasileiro,
— São filhos do mesmo chão,
E longe vai esta fase:
A da colonização.
Nosso povo hoje não topa
Qualquer tipo de opressão.

97
Com a forma de um balão,
Aqui habita o gaúcho,
Que em vez de café bem cedo
Mete chimarrão no bucho.
Como o vaqueiro no Norte
Ama um cavalo de luxo.

98
E na cordeona puxa
Pra cantar com elegância,
Com uma china do lado
No meio da estância
Dos pampas do Rio Grande
Absorvendo a fragância.

99
Ouço falar desde infância
Em poncho e boleadeira.
Chiripá, guaiapa e guampa,
Chilena, bagual, tronqueira...
É linguajar do gaúcho
No sul da nossa fronteira.

100
Do balão, na cumieira
Tem cidade de Erexim,
Tem Passo Fundo e Cruz Alta
E da boca lá no fim,
Encontramos Jaguarão
Junto à Lagoa Mirim.

101
Naquele rabinho assim
Fica o Arroio Chuí.
Ponto final deste mapa,
O Brasil termina aqui.
E Vitória do Palmar
É bem pertinho dali.

102
Outra maior nunca vi
Como a lagoa dos Patos.
Uruguai e Jacuí
Danam-se lá pelos matos
Querendo afogar o povo
Os jornais dão os relatos.

103
Gosto de me ater aos fatos
Pois a verdade é meu guia.
Porto Alegre é capital
De onde inda há pouco se ouvia
Notícia pra todo lado:
Rede da democracia!

104
Adeus, ó Santa Maria,
Levo a minha cordeona.
Vou pras coxilhas rebeldes
Ao lado de uma piona
Pelear por Liberdade
De faca, laço ou tapona.

105
No Sul, aqui nesta zona
Ou, nas fronteiras do Norte,
Falamos a mesma língua...
Somos um povo de sorte!
Tudo aqui tem tanta vida
Que este Brasil é de morte!

106
Vou já pegar um transporte
E voltar pro Centro Oeste,
Onde lá nos seus garimpos
Tem muito cabra da peste
Tem tanto cabeça chata
Que lembra o Norte ou Nordeste.

107
É o Anhangüera que investe
Há muitos anos atrás,
Em busca de ouro que sobra
Nos chapadões de Goiás
— Foi Bartolomeu Bueno
Anhangüera nos anais.

108
Tem dois rios colossais
Araguaia e Tocantins.
E ainda o Paranaíba
E o Aporé nos confins
De Minas com Mato Grosso
Onde há muitos curumins.

109
Cidade temos Morrinhos,
Catalão, Suçuapara
Silvânia, Ipameri,
Goiás e Itumbiara.
Pirenópolis, Formosa...
Lá tem muita pedra rara.

110
Em Goiás a gente encara
Com uma jóia colossal
Feita pela mão do homem:
A Capital Federal
Brasília na arquitetura
Tem prêmio internacional.

111
Rogo a todos por igual
Acomprar o meu livrinho.
Foi feito pra nossa gente
A quem trato com carinho.
Ele é indispensável,
Lê-se de um jato, todinho.

Rio, 18 de setembro de 1965