A virtude atribuída aos amuletos vem de longa data. Pascal o célebre filósofo trazia consigo um amuleto para livrá-lo de um precipício que a cada momento ameaçava tragá-lo. Mas Littré, o grande sábio francês, fez um estudo sobre o cérebro de Pascal e chegou a seguinte conclusão: era um doente, um alucinado. Bentinhos, figas, rosários, dentes de coelho, trevos, elefantes, ferraduras, signos, são alguns desses amuletos usados pelo nosso povo.
Acredita-se, no Ceará, que ao ser um homem assassinado, põe-se uma moeda na boca do morto para descobrir o assassino. O culpado não poderá evadir-se e, perseguido, vê-se obrigado a confessar o crime.
Para se achar um objeto perdido, deve-se amarrar um sabugo de milho e dependurá-lo e batê-lo com um cacete, invocando sempre o nome de Santa Engrácia. Se o objeto não aparecer, de repente, deita-se a imagem da santa ao sol, por espaço de uma hora; se ainda assim não é encontrado o objeto, faz-se com a santa o mesmo que se havia feito com o sabugo de milho, isto é, bater nela com um cacete e, imediatamente, o objeto surgirá. São muitas as pessoas que recorrem, também, a Santo Antônio para achar os objetos perdidos.
Para alguém se livrar de algum vínculo ou prisão, basta pegar uma jibóia e na noite da quinta para a sexta-feira santa, esticá-la entre duas árvores. É um santo remédio! A cobra não morre mas desaparece durante a noite e é só a pessoa colocar a corda na cintura e se livrará de todo o vinculo.
Magia dos patuás
Segundo o mestre Cascudo, patuá quer dizer caixa, caixão, em tupi, designando-se com esta palavra, todas as modalidades de magia que dão sorte. Na noite de quinta para sexta-feira santa, vai-se, entre as 11 e 12 horas, buscar o patuá numa encruzilhada. Pode-se, então, fazer um pacto com o diabo e pedir sorte junto às mulheres, nas cartas, e outras coisas mais. Contam que uma mulher foi buscar patuá e aí chegando encontrou um grande bode preto. A mulher ficou de tal modo assustada que gritou: "Maria Santíssima!". Desde então, ela julgava estar sempre queimando e sacudia as roupas como se visse fogo e morreu pouco tempo depois.
O patuá de sapo é bastante perigoso, pois favorece os ladrões e... os amantes, já que abre todas as portas. Há também, o patuá do "pica-pau" que é bem brasileiro, pois este pássaro é característico de nosso país.
Um negro tinha o poder de abrir qualquer porta e servia-se disso para as suas aventuras amorosas. O seu dono prometeu-lhe uma roupa se lhe desse uma mostra de sua arte e o preto, imediatamente, abriu a porta da sala que estava bem fechada. À força do chicote o dono conseguiu saber a sua "mágica". Consistia num patuá que ele trazia pendurado ao pescoço, obtido de um pica-pau. Prega-se uma tabuinha no ninho de um pica-pau quando a fêmea se acha fora e limpa-se bem o ninho. O pica-pau vem, não pode abrir o ninho e desaparece novamente, voltando depois com uma folha no bico. Começa a picar e deixar cair a folha que se deve pegar antes que tenha tocado no solo. Repete-se isso três vezes e com a terceira folha a tábua se afasta para o lado. Batendo-se com esse "breve" de folhas em qualquer porta, ela logo se abre.
No amor
No amor, então, os amuletos são de grande poder. E as crendices e superstições são inúmeras, principalmente no tempo de São João. Impregnadas, muitas de lirismo e ingenuidade. Em noite de São João, passa-se um ramo de manjericão na fogueira e atira-se ao telhado. Se na manhã seguinte o manjericão ainda está verde, o casamento é com moço, se murcho, é com velho.
Para saber com quem se casará, a moça vai para trás da porta com a boca cheia d'água, em noite de São João, e o primeiro nome que ouvir será o do seu futuro marido. Um amuleto irresistível: o chá do buquê de uma noiva é santo remédio para se conseguir casamento.
A moça que arrebenta os cós da saia, estão lhe tomando o noivo... Numa época em que os homens não usam chapéu, esta superstição se tornou obsoleta: mulher que quer bem à um homem não deve pôr o chapéu dele na cabeça sob pena de brigarem.
Outra crendice deliciosa: prender com um alfinete o vestido da noiva ou pôr na cabeça sua grinalda atrai logo um noivo. E mais está cheia de lirismo: o aparecimento das estrelas Três Marias sobre uma casa é prenúncio de casamento. São superstições que tornam o amor mais romântico e mais... apetecível.