Acrescentaremos ainda algumas palavras a respeito da alimentação do povo.
A carne de vaca constitui o principal alimento.
As reses procedem das fazendas de criação, sitas alguns dias de viagem rio acima, de onde são trazidas em canoas.
Durante a viagem, recusam alimento e perdem a maior parte da gordura, chegando ao seu destino em deploráveis condições.
São abatidas logo, no dia seguinte, para o consumo diário, e são abertas a machado e a cutelo, sem nenhuma observância dos preceitos de higiene, deixando-se o sangue correr sobre a carne.
Diariamente, cerca das seis horas da manhã, vêem-se numerosas carroças seguindo em diferentes direções pela cidade, para fazer a distribuição da carne aos açougues, o que é feito em peças, tal qual a carne de cavalo, quando é levada para algum canil.
E isto, para uma pessoa de estômago delicado, não deixa de causar repugnância, quando, ao sentar-se à mesa outra coisa ali não vê, senão a carne de vaca.
Algumas vezes, tem-se o peixe, porém é um alimento muito caro.
A carne de porco só aparece aos sábados.
O pão é feito de farinha de trigo importada dos Estados Unidos.
A população branca da cidade geralmente faz uso de manteiga irlandesa ou americana, e outros produtos importados do estrangeiro.
A farinha, o arroz, o peixe salgado e as frutas, constituem o principal alimento dos índios e dos negros.
A farinha prepara-se da raiz da mandioca ou cassava, da qual se faz também a tapioca.
A farinha tem o aspecto de ervilhas do campo.
Talvez seja mais parecida mesmo com serragem de madeira. Quando misturada com água, forma-se um caldo glutinoso, porém é um alimento muito nutritivo.
Isto, com um pouco de peixe salgado, bananas, pimenta, laranjas e açaí (vinho tirado do coco de uma palmeira), constituem os principais alimentos da maior parte da população branca da cidade.
A nossa alimentação habitual compreendia: café, chá, pão, manteiga, carne de vaca, arroz, farinha, abóboras, bananas e laranjas.
Isidoro era um ótimo cozinheiro.
Ele fazia toda sorte de assados, guisados e cozidos, de carne de vaca, além dos pratos do trivial.
As bananas e laranjas eram para nós uma verdadeira delícia.
E, com o bom apetite que sempre tínhamos, devido aos nossos exercícios com caminhadas pela floresta, nada tínhamos de que nos queixar, no tocante ao nosso passadio.
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