Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Fevereiro 2006 - Ano X - nº 87


Sumário

Festança
Sambas de roda
Hildegardes Vianna

A estranha origem do frevo
Benjamin Lima

O que é maracatu?
Rossini Tavares de Lima

Cancioneiro
Os encantos da morena
Guilherme Santos Neves

Uma coleta folclórica de 1915

O folclore alagoano
Hermógenes Lima Fonseca

Imaginário
Aventuras de dois irmãos
Alberto da Costa e Silva

João Cinza e a moça dos sete sapatos

O tatu e o professor
André Cardo

Colher de Pau
A poesia do café
S. M.

Metáforas superadas
Bastos Tigre

O vinagre na medicina caseira
Veríssimo de Melo

Oficina
Pregões

Carrinhos
Lídia Federici

O homem da ostra
Eustórgio Vanderlei

Palhoça
A marinha é de todos

Tipos populares de Atibaia: Henrique Evaristo Ferreira (vulgo Henrique Preto)
João Batista Conti

Sapatos do Pará
D. P. Kidder e J. C. Fletcher

Panacéia
Reumatismo
José Pimentel de Amorim

Benzeduras em Portugal
Elisa Vilares Cepeda

O culto de Santo Onofre
Mário Melo

Veja o que foi publicado em cancioneiro
Apoio Cultural
Simplicitate Design

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Cancioneiro
Textos sobre música regional; literatura de cordel; cantos de trabalho; poesia popular; desafios; romances; cantos religiosos; quadras, pasquins...

Uma coleta folclórica de 1915

A coleta folclórica que aqui apresentamos foi feita por Biguá e data de 1915. As quadrinhas foram, todas elas, colhidas no lugar denominado Telho, na divisa entre os municípios de Jaguarão e do Herval. Biguá é o pseudônimo de um velho ferroviário cultor das tradições gaúchas e que, por muitos anos, manteve no Diário de Notícias, de Porto Alegre, uma seção intitulada "Meu cantinho".

Lá vem o sol saindo
Redondo como um botão
Vem ferindo, vem matando
O meu triste coração

Lá vem o sol surgindo
Como um canudo de prata
Vem abrindo e penetrando
No peito daquela ingrata

Lá vem o sol abrindo
No horizonte um clarão
Menina, me dá um abraço
Que te dou meu coração

O inventor da partida
Não sabia o que era amor
Quem parte, parte sem vida
Quem fica morre de dor

O inventor da partida
Não tinha amor a ninguém
Quem parte, parte chorando
Quem fica saudades tem

Lá de trás daquele carro
Passa boi, passa boiada
Também passa a mulatinha
Toda tesa e requebrada

Esta noite dormi fora
E me esqueci do cobertor
Deu o vento na roseira
E me cobriu todo de flor

Periquito que bate-bate
Periquito que já bateu
Quem gosta de mim é ela
Quem gosta dela sou eu

Atirei um limão verde
Por cima da sacristia
Deu no cravo, deu na rosa
Deu na prenda que eu queria

Que coqueiro tão alto
Que alto se envergou
Aquela moça tão linda
Por outro me desprezou

O peixinho da lagoa
O sereno molhou
E o coração de sia Carola
O seu Canhoto roubou

Peixinho da lagoa
Veio à tona e mergulhou
Seu Canhoto foi embora
E sia Carola ficou

Naquele salão de baile
Onde se dança e se namora
Tem tanta moça bonita
E meu pai sem ter uma nora

Eu adoro as meninas
E de modo bem sincero
Mas quem quero não me quer
E quem me quer eu não quero

Lá vai a garça voando
Deixando as penas no chão
Só eu não posso arrancar
As penas do coração

Nunca vi amor comprado
Fazer alguém feliz
E também moça solteira
Ter firmeza no que diz

("Uma coleta folclórica de 1915". Jornal do Dia. Porto Alegre, 17 de fevereiro de 1957, suplemento "Tradição, regionalismo, folclore", nº 2)

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