A coleta folclórica que aqui apresentamos foi feita por Biguá e data de 1915. As quadrinhas foram, todas elas, colhidas no lugar denominado Telho, na divisa entre os municípios de Jaguarão e do Herval. Biguá é o pseudônimo de um velho ferroviário cultor das tradições gaúchas e que, por muitos anos, manteve no Diário de Notícias, de Porto Alegre, uma seção intitulada "Meu cantinho".
Lá vem o sol saindo
Redondo como um botão
Vem ferindo, vem matando
O meu triste coração
Lá vem o sol surgindo
Como um canudo de prata
Vem abrindo e penetrando
No peito daquela ingrata
Lá vem o sol abrindo
No horizonte um clarão
Menina, me dá um abraço
Que te dou meu coração
O inventor da partida
Não sabia o que era amor
Quem parte, parte sem vida
Quem fica morre de dor
O inventor da partida
Não tinha amor a ninguém
Quem parte, parte chorando
Quem fica saudades tem
Lá de trás daquele carro
Passa boi, passa boiada
Também passa a mulatinha
Toda tesa e requebrada
Esta noite dormi fora
E me esqueci do cobertor
Deu o vento na roseira
E me cobriu todo de flor
Periquito que bate-bate
Periquito que já bateu
Quem gosta de mim é ela
Quem gosta dela sou eu
Atirei um limão verde
Por cima da sacristia
Deu no cravo, deu na rosa
Deu na prenda que eu queria
Que coqueiro tão alto
Que alto se envergou
Aquela moça tão linda
Por outro me desprezou
O peixinho da lagoa
O sereno molhou
E o coração de sia Carola
O seu Canhoto roubou
Peixinho da lagoa
Veio à tona e mergulhou
Seu Canhoto foi embora
E sia Carola ficou
Naquele salão de baile
Onde se dança e se namora
Tem tanta moça bonita
E meu pai sem ter uma nora
Eu adoro as meninas
E de modo bem sincero
Mas quem quero não me quer
E quem me quer eu não quero
Lá vai a garça voando
Deixando as penas no chão
Só eu não posso arrancar
As penas do coração
Nunca vi amor comprado
Fazer alguém feliz
E também moça solteira
Ter firmeza no que diz