Enquanto os da cidade dependemos dos boletins do Serviço de Meteorologia, o homem do interior encontra na própria natureza, avisos que o orientem acerca das condições do tempo. Para qualquer variação, há sinais que o previnem. Desde o conhecido vôo estonteado das baratas, ao aparecimento de sararás... tudo são prenúncios de mudança de tempo.
O sr. João Neto, do Riacho, me afirma que, se o porco começa a carregar, na boca, cisco, palhas, a grunhir e sacudir a cabeça, isto é indício seguro de vento sul. E se chover, permanecendo as galinhas no terreiro, é que se trata de simples aguaceiro, logo passará; mas, se elas fugirem, procurando algum abrigo, é temporal na certa.
Dona Felicidade, serrana da velha guarda, me fornece os seguintes sinais de chuva:
- Criança de colo suando
- Bem-te-vi cantando, no alto da árvore, quer chover!
- Guaiu subindo vage pro morro (se desce do morro para a várzea é sol).
- Irerê, quando passa pra lagoa.
- Três-potes cantando na vage (será sol, se cantar no morro).
- Quando a intanha grita na lagoa, em tempo seco, vem chuva.
Minha aluna Marta Consuela, da Escola Normal, me transmite esta indicação aprendida do avô, que residia em Iconha: quando o gato lambe a pata e esfrega na cabeça, por cima da orelha, se o fizer três vezes anuncia chuva.
Informação ainda de outra aluna, Rosilda C. Rodrigues, esta de Cariacica; Quando está um bando de pássaros, voando alto, em círculos, sem pousar, vai chover.
Ouvi, certa vez, numa conversa alguém dizer: Quando o jumento, à tarde, berra na quebrada, são trinta dias de "molhada".
Aliás, nesse gênero de previsões rimadas, podemos lembrar as seguintes:
Céu pedrente, chuva ou vento
Circo no sol, chuva no pó
Circo na lua, chuva nenhuma.
Para remate destas contribuição à Semana do Folclore, registro estas duas crenças populares: se ronca trovoada, ameaçando tornar-se mais forte, cantando um galo, a trovoada se espalha; matar sapo chama vento sul.