Os vendedores de tapioca são todos do sexo masculino e provenientes de diversas regiões do Brasil, embora o número de nordestinos e nortistas seja relevante entre eles. Segundo informam, a tapioca vendida pelas ruas é feita em Parelheiros, bairro periférico de São Paulo.
Há um rapaz de origem japonesa, que expõe e vende tapioca em traje social: paletó, camisa branca e gravata. Esse vendedor permite fotografá-lo com seus instrumentos de trabalho e fornece de boa vontade dados referentes à venda do produto, mas pede para que seu nome não seja revelado, porque procura emprego; tendo mulher, filhos e pais idosos para sustentar, teme que o fato de vender coisas pela rua, para manter a família até arrumar emprego fixo, não seja compreendido pelos parentes e amigos.
Freguês
O comércio de tapioca é diversificado. Depende do local de venda, de quem a vende, do produto exposto, características e garra do vendedor, preço e modo de apresentação do artigo ao público: em cesta, sobre caixote ou em tabuleiro. De modo geral, os compradores de tapioca são pessoas oriundas do Norte, Nordeste e das cidades interioranas. A tapioca é um produto consumido em São Paulo, pela classe pobre, porque uma tapioca polvilhada com coco fresco custa apenas 20 cruzeiros [dezembro de 1981]. O artigo é divulgado e vendido em áreas de lazer, onde as pessoas de baixa renda buscam divertimento descontraído e pouco dispendioso. Dentre os consumidores entrevistados, há quem compre tapioca para comer na hora ou para levar para casa.
Todavia, entre os fregueses de José Almeida dos Santos há pessoas ricas que adquiriram o produto por curiosidade, mas acabaram gostando e passaram a consumi-lo com freqüência.
Técnica de venda
Para atrair a atenção, o vendedor de tapioca anuncia o produto em voz alta.Costuma expor e vender em áreas de grande densidade de transeuntes ou em ângulos próximos a paradas de ônibus, nos cruzamentos de semáforos, junto às passarela para pedestres. É comum homens e garotos transitarem pelos parques com tabulheiros de tapioca à cabeça, gritando: "Tapioca da Bahia! Tapioca de coco; quem vai querer? Olha a tapioca fresquinha! Feita em casa! Vai chegando minha gente!"
Vendedores que ficam junto às passarelas, usam técnica de venda diferente: colocam cestas cheias no chão e ficam na expectativa do freguês, a cuja aproximação começam a gritar: "Tapioca fresca feita em casa! Examine o artigo, amigo! Vamos provar a tapioca baiana! Venha ver, é coisa boa! É da terrinha da gente, conterrâneo!".
A expressão-chave, para atrair consumidores é tapioca da Bahia, usada por todos os vendedores, inclusive o japonês, os motivos alegados por todos os vendedores são os seguintes: "Nós gritamos tapioca da Bahia, porque as ruas estão cheias de baianos; então eles, ouvindo a gente gritar que está vendendo coisas da terra deles, param, com certeza para comprar". "As pessoas gostam de comer e comprar novidades e coisas esquisitas; até parece doença de gente rica que não tem nada para fazer. Por isso mesmo que gritamos tapioca da Bahia". "Se gritássemos tapioca paulista, o cara que ouvisse irira pensar que o pobre vendedor tá louco varrido. Ia logo pensando que o coitado do vendedor de tapioca está querendo tapear, porque esse negócio é comida de índio e de gente da roça". "O vendedor ambulante é considerado tapeador, homem de má-fe e indivíduo que vende mercadoria ordinária, mas, na verdade, nem todos vendem porcaria ou tapeiam o consumidor". "Nós inventamos palavras estranhas para vender a mercadoria, porque a gente é desempregado, vem de longe, não conhece ninguém, não sabe fazer nada; então, precisa se virar, para não morrer de fome com a gurizada."
Instrumentos de trabalho
Os instrumentos de trabalho são objetos comuns: tabuleiros de alumínio, cesta de vime, prancha de madeira portátil e caixote; são utilizados para transportar o produto de casa até o local de venda e vice-versa, à guisa de balcão de exposição. Como suporte, usam-se caixotes.
Cestas também são usadas para transportar o produto e para contê-lo enquanto se acha exposto. São colocadas no chão e cobertas com pano ou com plástico. Vendedores que transitam pelas ruas, feiras-livres e paradas de ônibus, levam uma cesta de tapioca enlaçada ao braço esquerdo. Os tabulheiros e as pranchas de madeira são usados para transportar a mercadoria e servirem como recipientes durante a exposição das tapiocas.