Composto pelo mestre-escola Brás Angelino de Sousa em Santa Cruz da Uruburetama (Ceará), em 1877. Registrado por Leonardo Mota em Violeiros do Norte.
A fome me faz
temer
Da desgraça o duro corte,
Estou conhecendo a morte,
Pelo sinal...
Se não chover em
geral,
Em dezembro, com franqueza:
Se acaba toda a pobreza
Da Santa Cruz...
A furtar não me
dispus,
Morrer de fome acho feio...
Porém de pegar no alheio
Livrai-nos Deus!
Pode ser que com
os meus
Escape deste “estandarte”,
Pois temos de nossa parte
Nosso Senhor
Se ficarmos a
favor
Dos mais arremediados,
Temos de ser desprezados
Dos nossos.
Já vendi todos
meus troços,
Só não digo que furtemos
Porque do dono seremos
Inimigos.
Vamos ter novos
castigos,
Não se tem pr’onde fugir:
É ao governo pedir
Em nome do Padre...
No caso que ele
se enfade,
Se nos der coisa tão pouca,
É só pra botar na boca
Do filho...
Não temos
feijão, nem milho,
Nem farinha, nem crueira,
Só nos resta uma palmeira
Do “Espírito-Santo”.
Não sirva a
ninguém de espanto:
Mas tenho profetizado
Que há de morrer tudo inchado!
Amém...