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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

oficina

ANO VI - EDIÇÃO 63
FEVEREIRO 2004

Oficina
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Os pedreiros e seu trabalho, por Thomas Ewbank

Velhos e perdidos cantos de trabalho, por Guilherme Santos Neves

A contagem de bois
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Capa
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Festança
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Cancioneiro
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Imaginário
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Palhoça
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Colher de Pau
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Panacéia
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Catavento
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Almanaque
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OFICINA - Nesta seção, textos sobre profissões; ferramentas; técnicas; agricultura, pecuária; artesanato; vendedores ambulantes; pregões...


Os pedreiros e seu trabalho

Thomas Ewbank

Os tijolos são pouco usados, exceto na construção de arcos de portas e janelas e nos arremates para os suportes das vigas. No Rio de Janeiro não há casas de tijolos. Ao colocar os tijolos, o pedreiro tem sempre à mão, cheio d'água, um chifre de boi. A água do chifre é chamada "prego de pedreiro" pela solidez que dá à parede. Se um pedreiro brasileiro visse um de seus irmãos ianques levantar um edifício de cinco andares, dispondo os tijolos tão depressa como pudesse apanhá-los, fuigiria daliinstantaneamente, apelando a todos os santos para que mantivessem as paredes de pé até afastar-se delas. Os tijolos, que não são muito cozidos, têm dez polegadas de comprimento por cinco de espessura.

As paredes das casas do Rio de Janeiro são extraordinariamente grossas, e para uma casa de dois andares, raramente os alicerces têm menos de cinco pés de profundidade. As paredes não são construídas dispondo-se as pedras em camadas, como tijolos, mas com peças de vários tamanhos, inserindo entre as pedras grandes outras pequenas, de meia polegada a duas polegadas de diâmetro, que são fixadas com argamassa, de tal sorte que antes de ser colocado o reboco, a parede dá a impressão de ser inteiramente formada daqueles fragmentos.

Os andaimes são construídos segundo os velhos métodos e são firmes. As vigas transversais dos andaimes atravessam a parede, projetando-se igualmente de ambos os lados, embora somente uma das extremidades se apóie nos barrotes verticais. A cada cinco pés de altura, é construída nova plataforma de pranchas de cada lado da parede. Isso muito dificulta o trabalho de se erguerem pedras grandes. Há poucos dias, oito negros, durante quase meia hora gritaram um refrão africano para levantarem uma pedra que não pesaria mais de duzentas libras a uma altura de dez pés, sob a direção do mestre-pedreiro, que também ajudava o trabalho. Era içada por uma corrente que passava por um único moitão amarrado a um dos pilares do andaime.

Martelos, trolhas, enxadas para misturar argamassa e cestos redondos para levar a massa sobre a cabeça, são precisamente como vemos em obras ilustradas dos manuscritos dos séculos XV e precedentes. Tais instrumentos aparecem igualmente nas esculturas egípcias. A roupa dos trabalhadores e seus pés descalços ao subirem escadas também reproduzem as cenas dos trabalhos de construção nos dias dos faraós. O uso da pá quadrada ao invés da enxada é um aperfeiçoamento moderno, e, assim como o cocho de cal, de origem inglesa ou irlandesa, não é visto aqui. Há, no entanto, outros instrumentos muito eficientes, de freqüente aplicação, que se encontram em mãos de todos os trabalhadores. É estranho que tais instrumentos, tão antigos e valiosos, tenham sido negligenciados pelos operários ingleses e americanos. Apresentamos a seguir esboços de dois deles.

A é um prumo: um pequeno cilindro perpendicular, suspenso, como de costume, por um fio que passa por seu eixo; a é um cilindro horizontal, cujo comprimento corresponde precisamente ao diâmetro de A. A linha passa livremente através do meio de a, como está representado. Para usar este instrumento, aperta-se uma extremidade de a contra o lado da pedra que deve ser ajustada, permitindo que A desça para qualquer parte abaixo, e então o lado de A determinará, por sua distância da parede, o desvio da perpendicular. A é sempre de latão ou de ferro, e a é geralmente de madeira dura. Em suma, o prumo em pleno funcionamento. Na gravura, b representa o aparelho tal como é vendido nas lojas, com ligeiras variações; está completo, com seu carretel

 

[1846]

(Ewbank, Thomas. A vida no Brasil; ou Diário de uma visita à terra do cacaueiro e das palmeiras. Rio de Janeiro, Editora Conquista, 1973, v.1, p.182-183)