|
Thomas Ewbank
Os tijolos são pouco usados, exceto na construção de arcos de portas e
janelas e nos arremates para os suportes das vigas. No Rio de Janeiro não há
casas de tijolos. Ao colocar os tijolos, o pedreiro tem sempre à mão, cheio
d'água, um chifre de boi. A água do chifre é chamada "prego de pedreiro" pela
solidez que dá à parede. Se um pedreiro brasileiro visse um de seus irmãos
ianques levantar um edifício de cinco andares, dispondo os tijolos tão depressa
como pudesse apanhá-los, fuigiria daliinstantaneamente, apelando a todos os
santos para que mantivessem as paredes de pé até afastar-se delas. Os tijolos,
que não são muito cozidos, têm dez polegadas de comprimento por cinco de
espessura.
As paredes das casas do Rio de Janeiro são extraordinariamente grossas, e
para uma casa de dois andares, raramente os alicerces têm menos de cinco pés de
profundidade. As paredes não são construídas dispondo-se as pedras em camadas,
como tijolos, mas com peças de vários tamanhos, inserindo entre as pedras
grandes outras pequenas, de meia polegada a duas polegadas de diâmetro, que são
fixadas com argamassa, de tal sorte que antes de ser colocado o reboco, a parede
dá a impressão de ser inteiramente formada daqueles fragmentos.
Os andaimes são construídos segundo os velhos métodos e são firmes. As vigas
transversais dos andaimes atravessam a parede, projetando-se igualmente de ambos
os lados, embora somente uma das extremidades se apóie nos barrotes verticais. A
cada cinco pés de altura, é construída nova plataforma de pranchas de cada lado
da parede. Isso muito dificulta o trabalho de se erguerem pedras grandes. Há
poucos dias, oito negros, durante quase meia hora gritaram um refrão africano
para levantarem uma pedra que não pesaria mais de duzentas libras a uma altura
de dez pés, sob a direção do mestre-pedreiro, que também ajudava o trabalho. Era
içada por uma corrente que passava por um único moitão amarrado a um dos pilares
do andaime.
Martelos, trolhas, enxadas para misturar argamassa e cestos redondos para
levar a massa sobre a cabeça, são precisamente como vemos em obras ilustradas
dos manuscritos dos séculos XV e precedentes. Tais instrumentos aparecem
igualmente nas esculturas egípcias. A roupa dos trabalhadores e seus pés
descalços ao subirem escadas também reproduzem as cenas dos trabalhos de
construção nos dias dos faraós. O uso da pá quadrada ao invés da enxada é um
aperfeiçoamento moderno, e, assim como o cocho de cal, de origem inglesa ou
irlandesa, não é visto aqui. Há, no entanto, outros instrumentos muito
eficientes, de freqüente aplicação, que se encontram em mãos de todos os
trabalhadores. É estranho que tais instrumentos, tão antigos e valiosos, tenham
sido negligenciados pelos operários ingleses e americanos. Apresentamos a seguir
esboços de dois deles.
A é um prumo: um pequeno cilindro perpendicular, suspenso, como de
costume, por um fio que passa por seu eixo; a é um cilindro horizontal,
cujo comprimento corresponde precisamente ao diâmetro de A. A linha passa
livremente através do meio de a, como está representado. Para usar este
instrumento, aperta-se uma extremidade de a contra o lado da pedra que
deve ser ajustada, permitindo que A desça para qualquer parte abaixo, e
então o lado de A determinará, por sua distância da parede, o
desvio da perpendicular. A é sempre de latão ou de ferro, e a é
geralmente de madeira dura. Em suma, o prumo em pleno funcionamento. Na gravura,
b representa o aparelho tal como é vendido nas lojas, com ligeiras
variações; está completo, com seu carretel
[1846]
|