Receitas publicadas no Jornal das Famílias de 1866
Água férrea
Faz-se essa água com pregos velhos, ou ainda melhor com uma bola de aço.
Achata-se essa bola e põe-se de molho em duas libras d'água por espaço de algumas horas. Na primeira hora vai-se mexendo com ela por intervalos.
Depois dessa primeira hora, pode-se beber da água, e depois mexer novamente com a dita bola para que tenha tempo de descansar para a vez seguinte que se queira beber.
Esta mesma bola pode servir até ter-se-lhe deitado em cima 12 libras de água.
Biscoitos para chá
Misturai com 1 libra de farinha de trigo bem seca, meia libra de açúcar refinado, uma onça de grão de caravia, um pouco de noz moscada e da casca interior da noz moscada socada, batei duas gemas de ovos com um bocado de vinho branco bom, juntai a estes ovos batidos com o vinho meia libra de manteiga derretida em nata, ou leite bem fresco, misturai tudo isso com a massa que já tendes, e amassai-a bem.
Fazei depois com essa massa pequenos biscoitos, da forma que quiserdes, e
ponde-os a cozinhar sobre um tabuleiro de folha, em forno regular.
Receita para fazer vinagre aromático para saladas
Lança-se em uma porção de vinagre, branco ou tinto, o branco é melhor, dois punhados de estragão, meio punhado de agrião, meio punhado de cerefólio misturado com folhas tenras de pimpinela, dois dentes grandes de alho e uma ou duas pimentas frescas.
Deixam-se todos estes ingredientes outo dias de infusão, depois do que coa-se
o vinagre e engarrafa-se para servir nas ocasiões necessárias.
Meio para fazer com que as maçãs cruas não sejam indigestas
Depois de haver-se comido maçãs beba-se-lhe por cima um copo d'água no qual se terá dissolvido uma colher de chá de carbonato de magnésia apurada.
A magnésia neutraliza imediatamente na maçã a substância ácida que a torna
indigesta.
Compota de maçãs
Tomai quatro maçãs grandes, parti-as ao meio, para lhes extrairdes toda a parte dura do centro, com cuidado porém de não estragá-las.
Ponde numa caçarola um copo e meio de água e uma quarta de açúcar; logo que o açúcar estiver derretido, deitai-lhe dentro as maçãs, com o centro para baixo, e espremei-lhes em cima o sumo de um ou dois limões, conforme a água que eles tiverem.
Não cubrais a caçarola enquanto estiver no fogo.
Logo que as maçãs estiverem moles no ponto que julgardes conveniente, tirai-as com uma escumadeira e pode-as na compoteira.
Na calda que vos ficou na caçarola, fazei ferver alguns pedaços de nacela e despejai depois essa calda sobre as maçãs.
A compota dos pêssegos faz-se do mesmo modo que a de maçãs, depois de
descascados e partidos ao meio, com a única diferença que na água destes se
espreme limão.
Biscoitos de flor de laranja
Põe-se numa caçarola a porção de açúcar e água que se julga conveniente relativamente à quantidade de flores de laranja que se tem.
Logo que a água está em ebulição, lança-se-lhe dentro as folhas (sic) de laranja, que só devem ser colhidas pouco antes de servir-se delas, e as quais se terá cortado as pétalas em pedacinhos.
Deixa-se ferver até que o açúcar fique claro, engrosse e faça fio.
Chegando a esse ponto, mexe-se fortemente, deixa-se dar duas fervuras sem mexer e tira-se depois do fogo, derramando-o prontamente em caixinhas de papel, que já se terão preparado da maneira seguinte.
Cortam-se pedaços de papel redondos, que se colocam sobre a boca de pequenos copos, acalcando sobre eles a palma da mão, e apertando as bordas, de modo que ao tirá-los dos ditos copos, eles têm a forma de pequenas caixinhas, nas quais se despeja pequenas porções do doce, para que os biscoitos não fiquem muito espessos.
Logo que o calor dos biscoitos seja suportável à mão, tira-se-lhes o papel e estão prontos.
Esta qualidade de doce dura por muito tempo.
Pêssegos em aguradente
Tomai 25 pêssegos quase maduros e bem sãos.
Tira-lhes a penugem com uma toalha.
Espetai-os por toda a parte com um alfinete grosso e lançai-os gradualmente num tacho d'água que poreis no fogo logo que os tenhais espetados todos.
O fogo deve ser vivo, mas a água não deve ferver e sim conservar-se sempre em um estado próximo da ebulição.
Apalpai de tempos a tempos os pêssegos, e à medida que achardes algum que cede à pressão dos vossos dedos, tirai-o com a escumadeira e ponde-o numa bacia de água fria.
Quando tiverdes tirado todos, mudai a água dos pêssegos e nessa nova água deixai-os ficar dez minutos, depois dos quais os poreis para escorrerem sobre uma toalha.
Fazei à parte, com libra e meia de açúcar, uma calda que estará pronta quando cair da colher em fita.
Ponde essa calda na vasilha onde quereis que fiquem os pêssegos, despejai-lhe dentro uma canada de aguardente, mexei bem essa mistura e lançai nela os pêssegos.
Logo que o líquido estiver frio, podeis tampar bem a vasilha e guardá-la.
Maçãs cozidas no forno
Espetai cinco maçãs com a folha de um canivete, ou faca de ponta fina, com o mesmo canivete tirai-lhes o centro, que enchereis de açúcar depois, ponde-as num tabuleiro de folha com duas colheradas d'água, na qual dissolvereis meia quarta de açúcar, ou uma quarta se as quiserdes mais doces.
Ponde-as num forno brando. Quando estiverem cozidas, tirai-as do tabuleiro,
ponde-as na vasilha em que quereis que apareçam na mesa, introduzi na cavidade
de cada uma um bocado de geléia de groselha, ou outra que for mais de vosso
agrado, apolvilhai-as com açúcar, passai-lhes por cima a pá quente e regai-as
depois com a água que vos tiver ficado no tabuleiro.
Geléía de folhas de laranja
Põe-se de molho, 12 horas antes de fazer a geléia, 64 gramas (2 onças) de cola de peixe da primeira qualidade, cortada em pedacinhos.
Passadas as 12 horas, põe-se no fogo e deixa-se ferver até reduzir-se à metade.
Tendo obtido esse resultado, passa-se pela peneira fina, ou qualquer pano, o sumo de sete laranjas seletas, que se mistura com a cola depois de fria, juntando-lhe mais 250 gramas (8 onças) de açúcar refinado. Mexe-se de modo que fique tudo intimamente unido, e despeja-se depois nas fôrmas que se deseja dar à geléia.
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