Uma das maiores prevenções alimentadas pela superstição popular na Amazônia, como aliás em todo o Brasil, é contra as pessoas de "olho grande". Na gíria, essa expressão é sinônimo de malefício magnético. Acredita-se que certos indivíduos podem despedir do olhar fluidos perigosos e nocivos, que causam os mais variados efeitos. Assim como o magnetismo animal admite a hipótese de poder uma criatura exercer sobre a outra uma influência particular suscetível de produzir impressões sensíveis, por meio de fluidos dirigidos, da mesma forma o "olho grande" representa uma lei importante e decisiva para a gente do povo. Quando acontece perder uma pessoa a situação, a fortuna, o emprego, decair financeira, moral e fisicamente, não é difícil encontrar-se a causa. As comadres explicam logo: — Foi "olho grande".
Há "olho grande" para tudo: contra os bons negócios, contra a felicidade doméstica e até contra os noivados promissores e contra os bebês que engordam nos bercinhos. Por isso, muita gente recorre ao uso de figas e toda espécie de amuletos para poupar-se à irradiação dos fluidos que andam no ar.