Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Fevereiro 2007 - Ano X - nº 99


Sumário

Festança
Violão e modinha
João da Veiga Cabral

Torém
Florival Seraine

Reisado
Noé Mendes de Oliveira

Cancioneiro
A alma e o diabo

Cirino

A cruz da moça
José Medeiros de Lacerda

Imaginário
Do folclore da cegueira
Flávio Piza

O cágado e a fruta
Carmen Dolores

João Palavrão
Alceu Maynard Araújo

Colher de Pau
Engenho de açúcar e abelhas sem ferrão
Thomas Ewbank

O preparo do peru na cozinha tradicional
Jamile J. Tavares de Lima

Alimentação no vale do Paraíba
Gentil de Camargo

Oficina
A tecelagem folclórica do Rio Grande do Sul
Carlos Galvão Kerbs

O corte de cana
José de Figueredo Filho

Vendedores ambulantes
Jorge Americano

Palhoça
O terreiro
Maria Rita da Silva Lubatti

A farmácia, areópago provinciano do Brasil
Alceu Maynard Araújo

Folclore do som de coisas
João Chiarini

Panacéia
A influência das luas crescente e minguante no folclore capixaba
Fausto Teixeira

Olho grande
Osvaldo Orico

Oração cruzada
Osvaldo Elias Xidieh

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Apoio Cultural
Simplicitate Design

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Palhoça
Textos sobre a casa em diferentes regiões; utensílios; materiais; móveis, indumentárias; usos e costumes; tipos populares...

O terreiro

Maria Rita da Silva Lubatti

No terreiro de Manuel Gordo há uma cobertura de palhas, onde se guardam as bacias grandes, as cestas, as ferramentas, sacos, um juquiá, as redes e as esteiras prontas para serem vendidas. Há muitas plantas: pés de abóbora, caju, ingá, araçá, goiaba, pitanga, melancia, abacaxi, moitas de tomates, banana, mamão e maracujá. O pé de ingá faz boa sombra e é quase uma dependência da casa. Embaixo da árvore, fazem esteiras, puxam água com a bomba, almoçam, limpam as verduras e peixes. Dona Maria costuma colocar, à sombra do ingazeiro, algumas panelas velha com água para os gatos e as galinhas.

Os animais domésticos são oito galinhas, três frangos, um galo de sociedade com a vizinha, e dois gatos. Os gatos comem os ratos que roem as esteiras. As galinhas são para comer, para botar ovos e espantar as cobras do terreiro. O poleiro das galinhas é uma moita de murici ao lado da casa. O poleiro não pode ser longe da casa porque se as galinhas forem atacadas por animais durante a noite, os donos devem ouvir, de modo a evitar que sejam mortas.

O banheiro é uma moitinha nos fundos do terreiro aproximadamente a uns vinte metros da casa. Tomam banho de bacia na cozinha e a água é jogada fora pelos homem da casa; bacia cheia d'água é trabalho para homem e não para mulher, que é bicho fraco.

Na frente da casa há uma cacimba, com profundidade de dois metros e diâmetro também de dois metros. Está sempre descoberta. A água é tirada com uma lata de leite em pó amarrada a um bambu, com algumas voltas de arame. Essa lata, é chamada de coco. A cacimba estava cheia de folhas secas, lagartixas e sapos quando estive lá pela primeira vez. Meu marido explicou a Manoel Gordo que era perigoso para a saúde deles, continuar a tomar aquela água. Então, ele comprou uma bomba.

(Lubatti, Maria Rita da Silva. O folclore na vivência atual de Açu, Marreca e Quixaba, Campos. Escola do Folclore, Editorial Livramento, 1979)

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