No corte, o facão rabo-de-galo faz parte integrante do homem. Pega o cortador na touceira, com suas mãos endurecidas, descarrega o facão num corte só, desfolha a cana com o gancho traseiro do Collins e depois subdivide os colmos em pequenos toros. Também canta toadas em sua faina. Mas, não são mais antigas da terra como outrora. Entoa agora canções de carnaval: samba, marchinhas, e o baião que nascido na terra, emigrou para o sul e voltou com trajes malandros no Rio de Janeiro.
Na bagaceira e no corte já não existe o cabra jogador de cacetes. Aquele que, por simples brincadeira ou esporte, como chamamos nós, mandava que o companheiro crivasse de facadas a fim de defender-se com golpes de porrete. Mas, naquele tempo, era o trabalhador a tropa mobilizável do senhor do engenho, que tinha nele o cangaceiro para o que desse e viesse, em troca da proteção para livrá-lo da cadeia ou do rancor do inimigo mais poderoso. O cortador não inicia e nem termina o serviço mais sob as ordens do toque do búzio, como antigamente. Hoje é o apito moderno do motor que dirige todas as labutas do engenho, desde o despertar até a última fase do trabalho quotidiano. Foi com cabras manejadoras do cacete que o então Capitão Epifânio Alves Pequeno, nos albores da República, recrutou gente para a Polícia de São Paulo.
Naquele época, italianos arrelientos, de navalha e punhal, difundiam desordem e compravam brigas nos bairros da Paulicéia. O cacete manejado pelo cabra de cabelo na venta, do Cariri, num abrir e fechar de olhos, pôs água na fervura daqueles irrequietos desordeiros, recrutados em Nápoles e na Sicília. Também foi aquele militar, que morreu com a patente de general, o verdadeiro precursor dessa saída em massa de trabalhadores caririenses para o sul, em busca de melhorias, embora muito falazes, já que a terra natal lhes negava até a esperança.