Zé Cirino, nesse dia
Só morreu por malcriado
Na entrada do piquete
Cirino foi avisado
Quando Cirino chegou perto
Seu coração lhe avisou
Desmontou-se do cavalo
Seus estribos encurtou
Os cabras tavam de frente
Um pra o outro assobiou
De três tiros que lhe deram
Seu cavalo refugou
Deu três saltos empareados
E nos quatro arrevirou
Cirino por ali saiu
Gemendo, sentindo a dor
Os bofes dependurado
Batei a mão e arrancou
Cirino por ali saiu
Pouco torto e derreado
Na subida de um barreiro
Cirino ficou deitado
O cavalo foi chegando
Enfreado e a rédea solta:
— Ô sinhô Zé Gobiraba
Zé Cirino é preso ou morto
Gobiraba entrou pra dentro
Bateu mão à cartucheira
Hoje entrou o cola novo
Na família dos Teixeira
— Ô sinhô Zé Gobiraba
Atenção queira me dar
Seja mais amoderado
No seu modo de matar
— Se eu hoje mato gente
Mato com minha razão
Eu quero é vingar a morte
De Cirino meu irmão
Gobiraba ia passando
Pisando de rama em rama
— Cabra, tem o couro seco
Eu nunca vi a tua fama
— Nunca viste a minha fama
Ô Virgem da Conceição
Cabra, larga do costume
De matar à traição
Gobiraba foi passando
Lá na fonte da nação
Encontrou o padre Vicente
Com a estola na mão
— Mas cabra, que anda fazendo
Cabra que anda fazendo
Matando de rua em rua
Anda feito um assassino
— Padre, se eu sou assassino
Me assentei em sua lista
Hoje não deixo nem galinha
No terreiro de Batista