Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
Edição do Mês | Edições Especiais | Edições Anteriores | Tema do Mês | Temas Anteriores | Por Autor | Por Artigo | Por Seção |
Fevereiro 2007 - Ano X - nº 99


Sumário

Festança
Violão e modinha
João da Veiga Cabral

Torém
Florival Seraine

Reisado
Noé Mendes de Oliveira

Cancioneiro
A alma e o diabo

Cirino

A cruz da moça
José Medeiros de Lacerda

Imaginário
Do folclore da cegueira
Flávio Piza

O cágado e a fruta
Carmen Dolores

João Palavrão
Alceu Maynard Araújo

Colher de Pau
Engenho de açúcar e abelhas sem ferrão
Thomas Ewbank

O preparo do peru na cozinha tradicional
Jamile J. Tavares de Lima

Alimentação no vale do Paraíba
Gentil de Camargo

Oficina
A tecelagem folclórica do Rio Grande do Sul
Carlos Galvão Kerbs

O corte de cana
José de Figueredo Filho

Vendedores ambulantes
Jorge Americano

Palhoça
O terreiro
Maria Rita da Silva Lubatti

A farmácia, areópago provinciano do Brasil
Alceu Maynard Araújo

Folclore do som de coisas
João Chiarini

Panacéia
A influência das luas crescente e minguante no folclore capixaba
Fausto Teixeira

Olho grande
Osvaldo Orico

Oração cruzada
Osvaldo Elias Xidieh

Veja o que foi publicado em cancioneiro
Apoio Cultural
Simplicitate Design

Veja como sua empresa pode apoiar a nossa iniciativa.

Cancioneiro
Textos sobre música regional; literatura de cordel; cantos de trabalho; poesia popular; desafios; romances; cantos religiosos; quadras, pasquins...

Cirino

Zé Cirino, nesse dia
Só morreu por malcriado
Na entrada do piquete
Cirino foi avisado

Quando Cirino chegou perto
Seu coração lhe avisou
Desmontou-se do cavalo
Seus estribos encurtou
Os cabras tavam de frente
Um pra o outro assobiou

De três tiros que lhe deram
Seu cavalo refugou
Deu três saltos empareados
E nos quatro arrevirou

Cirino por ali saiu
Gemendo, sentindo a dor
Os bofes dependurado
Batei a mão e arrancou

Cirino por ali saiu
Pouco torto e derreado
Na subida de um barreiro
Cirino ficou deitado

O cavalo foi chegando
Enfreado e a rédea solta:
— Ô sinhô Zé Gobiraba
Zé Cirino é preso ou morto

Gobiraba entrou pra dentro
Bateu mão à cartucheira
Hoje entrou o cola novo
Na família dos Teixeira

— Ô sinhô Zé Gobiraba
Atenção queira me dar
Seja mais amoderado
No seu modo de matar

— Se eu hoje mato gente
Mato com minha razão
Eu quero é vingar a morte
De Cirino meu irmão

Gobiraba ia passando
Pisando de rama em rama
— Cabra, tem o couro seco
Eu nunca vi a tua fama

— Nunca viste a minha fama
Ô Virgem da Conceição
Cabra, larga do costume
De matar à traição

Gobiraba foi passando
Lá na fonte da nação
Encontrou o padre Vicente
Com a estola na mão

— Mas cabra, que anda fazendo
Cabra que anda fazendo
Matando de rua em rua
Anda feito um assassino

— Padre, se eu sou assassino
Me assentei em sua lista
Hoje não deixo nem galinha
No terreiro de Batista

(Lima, Jackson da Silva, O folclore em Sergipe, I: romanceiro. Rio de Janeiro, Cátedra / Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1977, p.448-450)

Home | Revista | Catavento | Almanaque | Realejo | Downloads | Colaborações | Mapa do Site
Assine nosso boletim | Central dos Leitores | Expediente | Apoio Cultural
Jangada Brasil © 1998-2009. Todos os direitos reservados. | Fale Conosco | Termos e condições de uso