Jangada Brasil a cara e a alma brasileiras
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Cirino

Colhida em Aracaju, Sergipe, a 15 de novembro de 1974. Informante: Maria dos Anjos Silva, de Malhador

Zé Cirino, nesse dia
Só morreu por malcriado
Na entrada do piquete
Cirino foi avisado

Quando Cirino chegou perto
Seu coração lhe avisou
Desmontou-se do cavalo
Seus estribos encurtou
Os cabras tavam de frente
Um pra o outro assobiou

De três tiros que lhe deram
Seu cavalo refugou
Deu três saltos empareados
E nos quatro arrevirou

Cirino por ali saiu
Gemendo, sentindo a dor
Os bofes dependurado
Batei a mão e arrancou

Cirino por ali saiu
Pouco torto e derreado
Na subida de um barreiro
Cirino ficou deitado

O cavalo foi chegando
Enfreado e a rédea solta:
— Ô sinhô Zé Gobiraba
Zé Cirino é preso ou morto

Gobiraba entrou pra dentro
Bateu mão à cartucheira
Hoje entrou o cola novo
Na família dos Teixeira

— Ô sinhô Zé Gobiraba
Atenção queira me dar
Seja mais amoderado
No seu modo de matar

— Se eu hoje mato gente
Mato com minha razão
Eu quero é vingar a morte
De Cirino meu irmão

Gobiraba ia passando
Pisando de rama em rama
— Cabra, tem o couro seco
Eu nunca vi a tua fama

— Nunca viste a minha fama
Ô Virgem da Conceição
Cabra, larga do costume
De matar à traição

Gobiraba foi passando
Lá na fonte da nação
Encontrou o padre Vicente
Com a estola na mão

— Mas cabra, que anda fazendo
Cabra que anda fazendo
Matando de rua em rua
Anda feito um assassino

— Padre, se eu sou assassino
Me assentei em sua lista
Hoje não deixo nem galinha
No terreiro de Batista

 

(Lima, Jackson da Silva, O folclore em Sergipe, I: romanceiro. Rio de Janeiro, Cátedra / Brasília, Instituto Nacional do Livro, 1977, p.448-450)
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