Era um home
Que no sertão habitia
Fazia uma grande roça
Entre a mata e a i[lh]a
Aproveitava toda chuva
Que na mata chovia
Mas nunca pôde ser feliz
Que o legume que plantava
Chegava o macaco e comia:
— Meu Deus, não sei o que é que eu faça
Com tanta macacaria;
Mulé, eu vou lhe dar um conselho
Sendo que você queira tomar
Botemo o cavalo na feira
E vamo s'arremediar
— Marido, eu vou lhe dar um conselho
Sendo que você queira tomar
Botemo o cavalo na feira
E vamo s'arremediar
— Marido, eu vou lhe dar um conselho
Sendo que você queira tomar
Botemo o cavalo na roça
E vamo engordar
Adepois dele gordo
Vendemo e vamo s'arretirar
— Meu cavalo 'tava dormindo
No pino da meio dia
Quando ele s'acordou-se
Foi com ela macacaria
Uns de cóc[or]a e outr'assentado
Perguntando a um a outro:
— Tará morto esse danado?
Tinha uma macaquinha
Que sabia dizer missa:
— Ganhemo todos os mato
Tiremo cipó sem preguiça
Nós não pode comer milho
Com fedor dessa carniça
Tinha outro macaquinho
Por nome de Boaventura:
— Ganhemo todos o mato
Tiremo cipó com fartura
Ajuntemo os camarado
E amarremo na cintura
Quando o meu cavalo se viu
Com tanto macaco amarrado
Ajuntou o pé no mundo...
Pai Jacó arrespondeu:
— Meu cavalo russo pombo,
Russo pombo d'alegria
Te dou três ração de milho
Te lavo três vez o dia...
Quanto mais Jacó falava
Mais o cavalo corria
— Que diabo tem esse cavalo
Que inda agora tava manso
E agora está brabo?
Como eu falo tu não me atende
Corre, cavalo diabo
Tinha um macaquinho
Por nome Félix Gome:
— Eu queria estar na mata
Morrendo de sede e fome
Mas não queria ir
Na casa do home...
Tinha outro macaquinho
Por nome de Félix Tomaz
— Chega,meus camarado
Derriemo o corpo p'atrás
Quem vai na casa do home
Morre e não vem cá mais...
Tinha uma macaquinha
Por nome de Juverni:
— Valei-me, Nossa Senhora
Que a casa do home é 'li...
Tinha outra macaquinha
Por nome de Florisbela
— Tá chegado a 'casião
De nós pagar a tabela...
Tinha outra macaquinha
Por nome de Margarida:
— Valei-me, Nossa Senhora
Nós vamo perder a vida
Adonde tinha um macaquinho
Já vinha se cuncunluindo
Pai Jacó olhou p'atrás:
— Ô miseráve, tu inda vem sorrindo?
Meu cavalo quando avistou a casa,
Deu um rincho d'alegria
Saiu o dono da casa
Com toda sua famia
Meteu o pau nos macaco
Matou macaco três dia:
— Pai Jacó você é o dono da família
Tome sua pancada maior
Versão colhida em Aracaju, a 19 de junho de 1973. Informante: Pedro Ricardo de Souza, procedente de Simão Dias.