Jangada Brasil a cara e a alma brasileiras
Nesta seção, textos sobre música regional; literatura de cordel; cantos de trabalho; poesia popular; desafios; romances; cantos religiosos; quadras, pasquins...

Moda dobrada

Não tem gosto nem prazer
Quem no mundo não viageia
Eu dei um passeio em Santos
Em quatro somana e meia
Cheguei na beira do mar
Vi cantiga da sereia
Subino p'la praia acima
Sem deixar rasto na areia

Numa tarde de verão
Na noite de lua cheia
Se eu contá os gosto que tive
Me ferve o sangue nas veia
Namorei teus olhos pretos
Por baixo da sobranceia
Se eu for preso nos teus braços
Não precisa mais cadeia

Morena, esses teus olhos
Me parece uma candeia
De longe me turva a vista
De perto a vista clareia
Teus olhos não tem iguais
Teu rosto não tem pareia
Se disser que otra é bonita
Morena, você não creia

Só por eu te querer bem
Vivo por terras aieia
Eu vim cá foi pra te ver
Botão de rosa vermeia
Tu és um pingo de ouro
Que neste salão passeia
Quando eu vejo os teus carinhos
Meus sentidos tutuveia

(Volta)

Enfeite de seu semblante
É teu brinco das oreia

Os teus olhos são estrelas
Que no ar se relampeia
Em qualquer parte que eu ande
Os teus olhos me campeia
A respeito a querer bem
Não quero quem me aconseia
Hei de amar a quem me ama
Querer bem quem me rodeia

Moda de viola colhida por Amadeu Amaral no interior do estado de São Paulo.

 

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