Jangada Brasil a cara e a alma brasileiras
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Estória do breve dinheiro de alcance longo

O poderoso dinheiro, base para obtenção de quase tudo que desejamos e precisamos, teve origens modestas, pois descende de conchas, couros e vidro. E agora, o "vil metal" preside a praticamente todos os atos da vida de hoje.

O nascimento desta importante personagem de nossos tempos se perde na noite das idades...

A verdade é que ninguém sabe ao certo quem é o responsável pela sua criação. Ignora-se, também, quando surgiu tal como o conhecemos agora. De qualquer forma, surgiu antes de Cristo.

Muitos garantem que o dinheiro apareceu no século VII AC. Começaram a circular naquela época peças de moeda cunhada com figuras gravadas e peso mais ou menos uniforme. Ou seja começaram a circular estes disco de metal cunhado regularmente, com o rosto do soberano ou o escudo de armas do governo com direito a fabricá-los. E pouco a pouco os discos foram se transformando nos signos representativos do preço da mercadoria, em instrumento de troca e parte imprescindível dos contratos comerciais.

No século VII AC, as moedas eram pedaços irregulares de metais fundidos, cujo valor dependia do peso e da qualidade. Chegaram a circular como dinheiro pedaços de cobre e de chumbo que pesavam até um quilo, assim como pedaços bem menores de ouro e prata.

Pode-se imaginar como era um "suplício" para os comerciantes e para as pessoas ricas carregar e tomar conta de seu dinheiro. Tal foi a razão pela qual os pedaços de ouro, prata, cobre e bronze foram se tornando menores e receberam formas regulares.

Inventores

Há quem diga terem sido os sumérios os primeiros a considerar os metais como um meio de intercâmbio comercial. Acham que foram os lídios os inventores da moeda. E destacam os fenícios, grandes comerciantes da antiguidade, que teriam estabelecido um sistema de pagamento baseado em pesos de prata, cobre e bronze, a que davam a forma de patos, galinhas e outras aves. É realmente pitoresca a forma de muitas moedas, assim como os de tamanhos. Vocês devem ir ao Museu do Banco do Brasil [no Rio de Janeiro]. Verão peças curiosíssimas.

Viajando para ainda mais longe na escala do tempo, devemos contar que um dos ancestrais mais remotos do dinheiro é o gado vacum. E também os rebanhos de ovelhas, cavalos, porcos. Podia-se comprar um terreno dando em troca animais, adquirir o alimento e até uma bonita esposa.

Manuscritos achados por arqueólogos em escavações feitas no Oriente falam de trocas assim — três burros ou duas vacas por uma jovem e a troca de uma saca de milho por um carneiro. Trocava-se um frango por uma cesta de tomates e assim por diante!

Mas, este "dinheiro", que se reproduzia, tinha desvantagens... Comia, envelhecia e morria. E podia sofrer de enfermidades.

Vidro e couro

Na alvorada do capitalismo, o homem inventou moedas de vidro e de madeira fina. Criou moedas de cartão, porcelana e outros materiais. Era dinheiro fabricado durante o cerco de uma cidade, daí o seu nome de obsidional, do latim obsidio, cerco. Aqui no Brasil tivemos a moeda obsidional holandesa, que serviu em Pernambuco, de forma hexagonal. São hoje muito raras.

Desta forma, partindo da simples troca de coisas, fabricando moedas dos mais diversos metais e outros materiais, chegamos à moeda cunhada, com valor intrínseco e garantido por reservas de ouro guardadas em cada país. Vieram o papel-moeda, o franco forte, o dólar, o frango antigo, a libra, agora mais fraca, o mil réis, o cruzeiro novo. E certamente o homem inventará a moeda espacial, para as futuras transações na lua e nos outros planetas e estrelas. Que se precavenham os economistas estudem... estudem... estudem.

 

("Estória do breve dinheiro de alcance longo". O Jornal. Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 1969)
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