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Jóias, adornos indispensáveis

As jóias já se tornaram adornos indispensáveis, ideal para as toilettes de soirée, quando nenhuma mulher esquece os finos colares de péroloas ou brilhantes, os clipes e broches raros, existem outros ornamentos mais acessíveis e que podem ser usados tanto à noite como de dia. São as chamadas jóias para toda hora, que vemos por aí girando, pelas ruas, a dar vida e colorido aos despretenciosos vestidinhos de passeio, ou encontramos nas vitrinas das joalherias, numa profusão de fios de ouro, colares pulseiras, anéis, brincos e uma variedade enorme de berloques.

Sempre sistematicamente os populares berloques. Esses pequenos enfeites surgiram, firmaram-se na preferência feminina, e por serem belos, práticos e baratos jogaram para segundo plano os outros adornos conhecidos, parecendo dispostos a não ceder terreno a qualquer jóia existente. O resultado é que nenhuma consegue vencê-los em popularidade, e hoje não se compreende pulseira que se preze desprovida dos famosos berloques. No princípio eram os peixes de ouro, pequenas sereias, a superstição fácil da mulher presente em figas rústicas para afugentar o azar. Vulgarizados, esses motivos foram substituídos por dados, sinos, trevos, esferas douradas envoltas imponentemente no majestoso anel de saturno. No entanto, também esse já não constituem novidade e tendem a cair em desuso.

Como em relação às joias a moda se comporia com bastante elasticidade, limitando-se a ditar ordens escassas, nada impede a mulher de percorrer as joalherias em busca de berloques originais, fugir à padronização procurando motivos exóticos. Nas lojas da cidade há uma infinidade deles para os mais diversos gostos. Sim, porque na escolha das jóias, como no uso dos perfumes ou na preferência por determinadas flores, tudo depende de bom gosto. E o bom gosto, como a distinção de maneira, não se improvisa. A personalidade da mulher transparece nessas pequenas predileções que não obedecem a nenhuma direção, e, dentro dos limites que nos impõe a moda, podemos escolher o que mais nos agrada. Numa joalheria da avenida Rio Branco informaram-nos terem grande aceitação os berloques extravagantes. Descobrimos ali minúsculos chapéus mexicanos a Cr$ 900,00, lanterninhas a Cr$ 750,00, pandeiros de madrepérolas a variar de tamanho e preço. No encosto de água-marinha das pequenas cadeiras douradas prendia-se a etiqueta: Cr$ 700,00. Outros tipos de lanternas, mais caras que as primeiras descansavam no balcão.

Muitos belos, esses berloques pareciam ter como única finalidade tentar as mulheres, fazê-las aparecer em público fantasiadas de modernas Diógenes a empunhar novas lanternas muito diferentes das antigas.

No entanto, os mais significativos adornos são ainda os que lembram o nosso folclore, motivos regionais existentes na cuia de chimarrão de Cr$ 900,00 ou na jangadinha do nordeste, com remo, corda, banco e samburá de ouro, além das velas de rubi. Também muito bonitas são as bolas de futebol e as esferas itaianas trabalhadas à mão. Quanto aos anéis os mais populares continuam sendo os pequeninos, geralmente usados no dedo mínimo, ou as grandes espirais e cornucópias de ouro e pérolas que emprestam um toque exótico às mãos. As preferências femininas recaem nas incrustações de pedras preciosas e nos anéis tipo cachos de uva.

Entre as jóias para toda hora encontra-se a conhecida pulseira de ouro, muito fina, com uma placa para gravar o nome, indicada para adolescentes, estudantes, jovens esportistas, que podem usá-las indistintamente com a toilette de passeio, os trajes de praia ou o uniforme escolar. Com o sucesso alcançado pelo algodão nacional, que atualmente se iguala aos tecidos luxuosos, a mulher elegante, apelando para as jóias mais baratas consegue facilmente realçar a graça do vestidinho leve de rua. Por meio de adornos adquirem maior vida o estampado vistoso do chintz, as diversas padronagens do fusão, a vaporoso organdi, a cetineta ou o cretone. O cuidado com os pormenores nunca passa despercebido e sempre traz efeitos surpreendentes. Brincos e colares de pedras coloridas, um broche preso, com a originalidade, as clássicas moedas de ouro ou berloques tintilando numa pulseira — e nada impede à morena brasileiríssima igualar em charme sua irmã parisiense.

("Jóias, adornos indispensáveis". Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 10 de setembro de 1952)
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