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Como em todo o Brasil, o Natal enseja o início do ciclo comemorativo que,
aberto à meia-noite de 24 de dezembro vai até o dia de Reis, comemorado a 6 de
janeiro.
Como evento religioso do Natal, sobressai a missa do galo, celebrada nas
igrejas católicas à meia-noite, à qual comparece grande número de fiéis. É
precedida pela ceia realizada em família, caracterizada por grande variedade de
iguarias salgadas e doces — bacalhau de diversas maneiras, peru, galinha,
pernil, frutas nacionais e européias (nozes, castanhas, avelãs, amêndoas), bolo
recheado com frutas cristalizadas e em calda, sendo, no entanto, as rabanadas o
prato típico mais apreciado. A ceia é, geralmente, regada com bebidas nacionais
ou estrangeiras — vinhos, cervejas, refrigerantes. Antecipando a festa, são
armados presépios nas casas, nas igrejas e nas praças públicas, na área do
Grande Rio e em municípios do interior. Os presépios são visitados pela
população que diante deles louva o nascimento de Jesus. Apenas os localizados em
praçãs e os das casas de famílias são visitados pelos grupos de folguedos
natalinos: folias de reis e pastorinhas.
Dentro do ciclo do Natal acontece a passagem de ano — chamada Ano Novo ou Ano
Bom — festivamente comemorada em todo o estado no seio das famílias, nos clubes
e nas ruas centrais do Rio de Janeiro que ficam repletas de papel picado,
jogado, na véspera, dos edifícios mais altos, constituindo-se num belo
espetáculo plástico. Cabe destaque à tradicional festa de Iemanjá realizada na
noite de 31 de dezembro para 1º de janeiro pelos grupos umbandistas nas praias
do Rio de Janeiro e adjacências, onde se pode assitir à realização de rituais
com cânticos e danças.
Continuando as comemorações do ciclo segue-se o dia dos Santos Reis, cultuado
pelo calendário cristão. Além das homenagens especiais dos grupos de folias de
reis, folguedo popular do ciclo natalino presente em todos os municípios
fluminenses, há hábitos tradicionais referentes a esta celebração. Assim é o da
confecção do bolo de reis que leva quatro prendas misturadas à massa comum: um
anel, uma cruz, uma moeda e um dedal. Ao ser repartido entre os que comemoram a
data, causa muita curiosidade e alegria descobrir as pessoas agraciadas com as
prendas que trazem em si um simbolismo: o anel significa casamento; a cruz,
convento; a moeda, dinheiro e o dedal, trabalho. Há também a prática popular
para o dia de Reis, de colocar na palma da mão esquerda três sementes de romã.
Estas devem ser seguras, uma a uma, entre o polegar e o indicador direito,
levadas entre os dentes e mordidas levemente. Após morder, recita-se: Baltazar,
traz meu dinheiro de volta; o mesmo deve ser feito com as duas sementes que
restam, substituindo o nome Baltazar pelo dos reis Belchior e Gaspar. As três
sementes devem ser guardadas envoltas em papel, na carteira de dinheiro até o
ano seguinte, quando deverão ser plantadas em jardim ou vaso de planta, sendo
substituídas por novas sementes, após o ritual descrito. Esta prática garantirá
dinheiro farto durante todo o ano que se inicia.
O grupo denominado reis-de-boi, localizado em Arraial do Cabo, município de
Cabo Frio, sai às ruas para brincadeiras, cantorias e louvação no período do
Natal para comemorar alegremente o nascimento de Jesus. Além deste grupo, há os
que forem transportados da região nordeste à do Grande Rio, por migrantes e se
apresentam no ciclo com as características originais de sua região. É o caso do
boi-de-reis que brinca no município de Duque de Caxias, desde longa data,
formado por um grupo paraibano ali radicado. No mesmo local costuma
apresentar-se um grupo de lapinha também constituído por moças paraibanas ou
filhas de nordestinos. Acrescente-se a estes o grupo de reis-do-congo organizado
no mesmo município por migrantes provenientes do Rio Grande do Norte. Os três
últimos mantêm a tradição dos folguedos à moda da região de origem, sem
incorporação de elementos da cultura fluminense. Brincam apenas nas suas
próprias casas por não serem entendidos pela nova comunidade onde estão
inseridos.
Por influência da devoção a São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de
Janeiro, o ciclo do Natal é prorrogado em todo o estado até 20 de janeiro, dia a
ele dedicado. Motivados por esta devoção, os numerosos grupos de folias de reis
passam a sair a partir do dia 7 de janeiro com estampas e outros elementos
ligados a São Sebastião incorporados à sua bandeira. Também os grupos de
pastorinhas, outrora numerosos neste estado, hoje presentes apenas nos
municípios de Angra dos Reis, Santa Maria Madalena e Santo Antônio de Pádua —
distritos de Monte Alegre e Ibitiguaçu — prorrogam sua saída até 20 de janeiro.
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