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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

A MISSA DE NATAL
ESPECIAL DE NATAL
ANO VI - EDIÇÃO 61
DEZEMBRO 2003

Ainda as taieiras, por Téo Brandão

A Missa de Natal

A queimada da palha em Passé, por Carlos Ott

Árvore de Natal, por Franscisco Pati

Auto da porfia das flores, por Gustavo Barroso

Bandeira de Reis

O ciclo dos dois compadres, por Ruth Guimarães

Ciclo folclórico de Natal, Eurico Nogueira França

Festa de Natal em Nova Almeida,por Leão Nunes

Festas de Natal, por Abelardo Duarte

Folclore de Natal, por Fausto Teixeira

Folia de Reis, por Solano Trindade

Já saíram de viagem para visitar Menino Jesus, por Rossini Tavares de Lima

O Natal através da voz dos animais, por Guilherme Santos Neves

O Natal com Jesus Cristo, por Celina Ferreira

Natal de ontem e de hoje, por Carlos Moliterno

Natal e Ano Bom, por Areobaldo Lellis

Natal e presentes, por Jorge Americano

Natal

Pastoril no Recife, por Valdemar Valente

Pinheiro, velas e fogueiras de Natal, por Almiro Caldeira

Presepes e lapinhas, por Téo Brandão

Reis Magos, santos esquecidos dentro das tradições do Natal, por Armando Gimenez

O reisado, por Téo Brandão

Terno das camponesas de Ibirataia, por Carlos Ott

Terno de Reis I, por J. C. Paixão Cortes

Terno de Reis II, por J. C. Paixão Cortes

Um palhaço de Reis, por Renato José Costa Pacheco

Um Reis-de-boi em Conceição da Barra, por Guilherme Santos Neves

Versos de Reis, por Renato José Costa Pacheco

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ESPECIAL DE NATAL

ESPECIAL DE NATAL: Nesta edição, textos sobre as manifestações populares relacionadas ao ciclo natalino...


Árvore de Natal

Franscisco Pati

Desde os primeiros dias de dezembro, nas feiras-livres de São Paulo, encontramos vendedores de pinheiros. Destinam-se estes, como facilmente se presupõe à preparação da árvore de Natal.

Nas nossas casas não é pequena a azáfama.

Depois da exumação dos santos e demais pertences do presépio, começam as crianças a preocupar-se com a árvore. A indústria da fabricação de árvores artifíciais, feitas de papel pintado, faz progressos de ano em ano, é certo, mas em geral as crianças gostam de árvores "de verdade", colhidas à beira da estrada ou no quintal do vizinho. Aqui na chácara destacamos uma pessoa para o fim especial de atender aos pedintes, mostrando-lhes a impossibilidade de auxiliar o nosso pinheiral. O pinheiro é grandemente decorativo. Além da solenidade com que se mantém imóvel no ar, vergando dificilmente às ventanias, é comprido e esguio, dono de um porte físico muito elegante.

Em várias cidade da Europa arma-se a árvore de Natal no meio da rua, aproveitando-se para tal as da arborização pública. É um costume introduzido com êxito em São Paulo. Remontam as primeiras tentativas ao ano passado. Tivemos árvores de Natal na praça das Bandeiras, na praça da República e outras. Em lugar de presentes, apenas lâmpadas multicoloridas. Este ano, estimuladas pelo exemplo da municipalidade, as próprias casas comerciais incumbem-se de enfeitar a sua rua. Na praça Osvaldo Cruz, ponto de confluência de uma porção de ruas e avenidas, hoje centro comercial de grande importância, a ornamentação é vistosa. Na praça Ramos de Azevedo, junto às escadarias do Teatro Municipal, um grande gerador de energia elétrica mantém acesas a noite inteira lâmpadas em profusão, espalhadas por várias árvores.

No interior das lojas e das casas de família o espetáculo é o mesmo. Ao lado do presépio está a árvore.

Assim como o presépio se tem enriquecido através dos séculos, constituindo hoje uma autêntica miniatura da história das civilizações, começam nas árvores de Natal a encher-se de berloques. Em linhas gerais e que se quer representar com a árvores de Natal dentro de casa é a meu ver a estação do ano ou seja o  inverno. A árvore de Natal é, nessas condições, um elemento de incorporação de presépio no tempo. É um fator cronológico. Por isso a vemos recoberta de flocos de algodão. O algodão é a neve caindo. A neve é o inverno. Tendo nascido na Europa em dezembro na época do solsitício, a festa de Natal deve causar-nos a todos uma sensação de frio, ainda que dezembro, sob os trópicos, seja o mês do calor.

Desde quando existe no mundo a tradição da árvore de Natal?

A pergunta é oportuna.

Segundo Henri Marros, professor na Sorbonne, a festa de Natal começou a ser celebrada no ano 274 da nossa era, sob o imperador Aureliano, Segundo Paul Lemerie, diretor da Escola de Altos Estudos, de Paris, remonta no calendário de 335 da nossa era a mais antiga menção do dia 25 de dezembro é dia de festa universal desde muito tempo antes de Cristo, pois o Natal, como celebração de "Sol invicto" (Natalis Solis invicti), pertence ao folclore universal. Todavia, a tradição da árvore de Natal, associada à do presépio e, conseguinte, à da própria festa de nascimento de Jesus, é muito recente.

Em França, no dizer de Janine Delpech, a primeira referência à árvore de Natal aparece num romance do século XIII, intitulado "Durmans de Gallois", o herói Parsifal contempla e admira uma árvore misteriosa, salpicada de pequenas línguas de figo que brilham alternadamente, umas ao lado das outras. É a árvore da Ciência do Bem e do Mal. Encontramos isso também na Alsaeta, onde a árvore, nos autos religiosos representadas ao longo do Reno, simboliza o Edén. Anotou um viajante que em Estrasburgo, desde 1605, era costume "erguer no interior das casas pinheiros enfeitados com rosas multicores, feitas de papel, batata e açúcar". Goehte confessa ter visto uma primeira árvore de natal em 1765.

Quem a introduziu na França foi Helena de Mackemburgo. Isso se deu no palácio das Tulhérias no ano de 1840, exatamente no mesmo ano em que o príncipe Alberto, em Londres, acendia as primeira velas de um pinheiro armado no palácio de Buckingham.

Pati, Franscisco. "Árvore de Natal". Correio Paulistano, São Paulo, 21 de dezembro de 1954