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Franscisco Pati
Desde os primeiros dias de dezembro, nas feiras-livres de São Paulo, encontramos
vendedores de pinheiros. Destinam-se estes, como facilmente se presupõe à
preparação da árvore de Natal.
Nas nossas casas não é pequena a azáfama.
Depois da exumação dos santos e demais pertences do presépio, começam as
crianças a preocupar-se com a árvore. A indústria da fabricação de árvores
artifíciais, feitas de papel pintado, faz progressos de ano em ano, é certo, mas
em geral as crianças gostam de árvores "de verdade", colhidas à beira da estrada
ou no quintal do vizinho. Aqui na chácara destacamos uma pessoa para o fim
especial de atender aos pedintes, mostrando-lhes a impossibilidade de auxiliar o
nosso pinheiral. O pinheiro é grandemente decorativo. Além da solenidade com que
se mantém imóvel no ar, vergando dificilmente às ventanias, é comprido e esguio,
dono de um porte físico muito elegante.
Em várias cidade da Europa arma-se a árvore de Natal no meio da rua,
aproveitando-se para tal as da arborização pública. É um costume introduzido com
êxito em São Paulo. Remontam as primeiras tentativas ao ano passado. Tivemos
árvores de Natal na praça das Bandeiras, na praça da República e outras. Em
lugar de presentes, apenas lâmpadas multicoloridas. Este ano, estimuladas pelo
exemplo da municipalidade, as próprias casas comerciais incumbem-se de enfeitar
a sua rua. Na praça Osvaldo Cruz, ponto de confluência de uma porção de ruas e
avenidas, hoje centro comercial de grande importância, a ornamentação é vistosa.
Na praça Ramos de Azevedo, junto às escadarias do Teatro Municipal, um grande
gerador de energia elétrica mantém acesas a noite inteira lâmpadas em profusão,
espalhadas por várias árvores.
No interior das lojas e das casas de família o espetáculo é o mesmo. Ao lado do
presépio está a árvore.
Assim como o presépio se tem enriquecido através dos séculos, constituindo hoje
uma autêntica miniatura da história das civilizações, começam nas árvores de
Natal a encher-se de berloques. Em linhas gerais e que se quer representar com
a árvores de Natal dentro de casa é a meu ver a estação do ano ou seja o
inverno. A árvore de Natal é, nessas condições, um elemento de incorporação de
presépio no tempo. É um fator cronológico. Por isso a vemos recoberta de flocos
de algodão. O algodão é a neve caindo. A neve é o inverno. Tendo nascido na
Europa em dezembro na época do solsitício, a festa de Natal deve causar-nos a
todos uma sensação de frio, ainda que dezembro, sob os trópicos, seja o mês do
calor.
Desde quando existe no mundo a tradição da árvore de Natal?
A pergunta é oportuna.
Segundo Henri Marros, professor na Sorbonne, a festa de Natal começou a ser
celebrada no ano 274 da nossa era, sob o imperador Aureliano, Segundo Paul
Lemerie, diretor da Escola de Altos Estudos, de Paris, remonta no calendário de
335 da nossa era a mais antiga menção do dia 25 de dezembro é dia de festa
universal desde muito tempo antes de Cristo, pois o Natal, como celebração de
"Sol invicto" (Natalis Solis invicti), pertence ao folclore universal.
Todavia, a tradição da árvore de Natal, associada à do presépio e,
conseguinte, à da própria festa de nascimento de Jesus, é muito recente.
Em França, no dizer de Janine Delpech, a primeira referência à árvore de Natal
aparece num romance do século XIII, intitulado "Durmans de Gallois", o herói
Parsifal contempla e admira uma árvore misteriosa, salpicada de pequenas línguas
de figo que brilham alternadamente, umas ao lado das outras. É a árvore da
Ciência do Bem e do Mal. Encontramos isso também na Alsaeta, onde a árvore, nos
autos religiosos representadas ao longo do Reno, simboliza o Edén. Anotou um
viajante que em Estrasburgo, desde 1605, era costume "erguer no interior das
casas pinheiros enfeitados com rosas multicores, feitas de papel, batata e
açúcar". Goehte confessa ter visto uma primeira árvore de natal em 1765.
Quem a introduziu na França foi Helena de Mackemburgo. Isso se deu no palácio
das Tulhérias no ano de 1840, exatamente no mesmo ano em que o príncipe Alberto,
em Londres, acendia as primeira velas de um pinheiro armado no palácio de
Buckingham.
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