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Apronta-se o povo n’aldeia
Começa o sino a tocar
Grita um menino em peleja:
— O galo hoje na igreja
Tem gente que pinicar
Aprontou
a roupa nova
Mariquinha Quixadá
Doz Rufino Papa-ova
Morador no Camará:
— O galo, o ano passado
Pinicou também por cá
Por isto
não, diz Joaquina
Eu vou contar-te uma história
Houve quem teve um pinico
A Vicença da Gulória
Filha de Pedro Fonseca
Neta da Chica Zidória
Já vi
barulho na igreja
Nesta noite, meu senhô
Credo em cruz, horrenda coisa
Foi mesmo um forrobodó
Deu um ataque lá nela
Todo povo se assanhou
Não era parenta minha
Mas também me envergonhou
Tá bem,
senhora Joaquina
Que conversa feia é esta?
Olhe que é noite de festa
Fala Joaninha das Dores
Moradora na Floresta
Por
causa destas e de outras
Aqui, o ano passado
Houve um furdunço bem feio
Mané foi esconjurado
Pelo compade vigário
Que ficou muito zangado
Por nós aqui na calçada
Termos a ele apolhado
Tocava a
terceira entrada
Chamando todo o cristão
Já se aprontava o vigário
Para fazer o sermão
E entrava o povo veixado
Fazendo enorme rojão
O padre
tinha o rostinho
De mocinha apaixonada
Azulzinha como anil
De navalha bem raspada
O sacristão, já com sono
Tinha cara enfarruscada
Tudo em
silêncio se achava
Quando o povo se assanhou
O que foi? O que não foi?
Um rapazola gritou!
Uma mocinha bem pronta
Dentro da igreja soltou
Um enorme e feio berro
Que o povo todo assombrou!
Credo em
cruz, diz uma velha
Que falta de inducação
Logo na hora em que o padre
Está dizendo o sermão!
Diz a mocinha, coitada:
Sá dona não fui eu não
Tudo
enfim diz que não foi
Não foi ninguém, foi o cão
É possível que o capeta
Na hora deste sermão
Tenha entrado na igreja
Pra fazer malcriação?
Dizia a
velha danada
Por que errou a oração
Batendo só com os beiços
Rodando contas na mão
Este berro tão danado
É de quem comeu feijão
Repetia a velha à moça...
Sá dona, não fui eu não
Terminou
a missa, e o povo
Em grupo dali saía
Desculpe minha conversa
Meu leitor, minha alegria
O resto, conto mais tarde
Fica pra missa do dia
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