Este trabalho foi escrito atendendo a uma reivindicação do Diretor Municipal de Cultura da cidade de Santa Luzia, PB, doutor Francisco Fernandes Filho (Maestro Chiquito) baseado em um fato real.
Foi assim que aconteceu
Lá na Casa da Cultura
Um órgão do município
Pertencente à prefeitura
Essa história zombeteira
Com sabor de brincadeira
Mas que foi verdade pura
A fruta quando madura
Precisa ser consumida
Se insistir em guardá-la
Torna-se fruta vencida
Assim uma ordem dada
Precisa ser respeitada
Pra lei não ser transgredida
Minha poesia convida
A seguir nesta aventura
Que junta inseto com gente
Boniteza com feiúra
Morte, vida e ferroada
Tempo com data marcada
Na minha literatura
Lá na Casa da Cultura
Tem uma repartição
Com vários funcionários
Cada um na sua função
Uma ou outra discordância
Mas coisa sem importância
Prevalecendo a união
Em uma reunião
Tinha o chefe decretado
Que todos usassem farda
E assim ficou combinado
Bermudas pra o masculino
Saias para o feminino
Foi o acordo firmado
Mas um membro revoltado
Não quis a ordem acatar
Sendo mulher resolveu
Ir de calças trabalhar
Conseguindo com essa asneira
Discordar das companheiras
E o chefe contrariar
Toda idéia singular
Em grupo não soa bem
Por isso que Nicolau [1]
Entrou na trama também
De sua casa vizinha [2]
Preparou uma meisinha [3]
Enfeitiçada no além
Mandado não sei por quem
Um marimbondo surgiu
Para cumprir a tarefa
Que Nicolau lhe incumbiu
E usasse fosse o que fosse
Na moça que rebelou-se
E a saia não vestiu
Nenhum zumbido se ouviu
Na hora determinada
Marimbondo, calmamente
Aplicou-lhe uma picada
Do tipo bem dolorida
Na parte mais escondida
Feminina e delicada
A moça sobressaltada
Soltou um grito de dor
Levantou-se da cadeira
Suas calças arriou
E ali, no meio da sala
Tirou do pé a sandália
E o marimbondo matou
O local picado inchou
Como uma mala sem alça
A moça, que era rumbeira
Andava a passos de valsa
E a solução encontrada
Foi usar saia rodada
Tendo que abolir a calça
O chefe, cheio de graça
Se alegrou com o resultado
Dia 14 de maio
O fato foi registrado
E lavrado em escritura
Lá na Casa da Cultura
Esse dia é feriado!
Santa Luzia, maio de 2006
Notas
1. Personagem folclórico, ex-escravo, da cidade de Santa Luzia, PB
2. Casa de Nicolau: atração turística no período junino em Santa Luzia
3. Feitiçaria
Colaboração do autor à Jangada Brasil
José Medeiros de Lacerda tem 59 anos. Vive em Santa Luzia, Paraíba. É professor e funcionário público. Possui mais de 70 cordéis escritos em 30 anos de poesia.
(Lacerda, José Medeiros de. A moça e o maribombondo [Folheto de cordel])