Os biólogos já classificaram e cadastraram muitas centenas de espécies de aranhas que convivem conosco neste mundo. A maior parte delas é inofensiva ao ser humano, embora algumas poucas, mesmo pequeninas, tenham uma picada (sempre em auto-defesa) mortal mesmo para um homem robusto e saudável. Algumas são muito diminutas e outras são tão grandes que não cabem num pires de café.
O cinema de suspense tem exibido freqüentemente a decantada cena de uma enorme aranha caranguejeira preta e peluda caminhando sobre o corpo de alguém. A cena é arrepiante. Mas nem sempre a situação é indicativa de perigo.
Conta a lenda que um homem foi injustamente acusado de um crime. Não podendo, no momento, provar sua inocência, resolveu fugir da sanha de linchadores, embrenhando-se profundamente num bosque, onde, depois de muito caminhar, encontrou uma caverna, na qual entrou para descansar e dormir.
Uma aranha teceu com capricho uma teia fechando totalmente a entrada da gruta.
O bando de perseguidores, ao passar por ali, resolveu procurar o fugitivo dentro da caverna, mas o chefe do grupo disse:
— Não percamos tempo aqui. Se ele tivesse entrado na gruta, teria rompido essa teia de aranha. E o grupo foi embora.
O crime foi esclarecido e o verdadeiro criminoso foi localizado. O homem foi salvo pela diligência de uma aranha amiga. Foi uma situação em que um aparente perigo ou ocorrência desfavorável o beneficiou, mesmo que ele não tenha percebido.
Será que o mesmo já aconteceu com Você? Vejamos:
1) Quando um professor nos “aborrece” insistindo na nossa atenção para que melhor assimilemos a lição...
2) Quando um guarda de trânsito nos multa por excesso de velocidade visando evitar que nos acidentemos...
3) Quando um chefe nos chama a atenção e nos repreende para que desempenhemos melhor nossas funções...
4) Quando um fiscal da Prefeitura nos aplica uma multa para que limpemos e construamos um muro em nosso terreno baldio para que ele não se torne um criatório de ratos, baratas e insetos...
5) Quando um lixeiro nos olha atravessado porque não embalamos corretamente o nosso lixo, que acaba se espalhando pela nossa sarjeta...
6) Quando um amigo nos corrige algum vício de comportamento que nos pinta uma má imagem...
7) Quando um motorista de ônibus só nos abre a porta quando o veículo estiver parado, para evitar que nos acidentemos ao descer dele andando...
8) Quando um feirante se mostra algo zangado quando apalpamos desnecessariamente as frutas e legumes que outros vão ter que receber...
9) Quando uma esposa amorosa nos corrige algum costume errado no trato ambiental do lar, para que não venhamos a dar vexame lá fora...
10) Quando... etc., etc., etc. (Você conhece tantos!)
(Ai! Que picada dolorida foi essa??) (Talvez seja a crítica honesta e contundente de algum crítico literário muito meu amigo!)
07 de abril de 2004
Texto enviado em colaboração à Jangada Brasil