Boa noite meninada
Boa noite cabra da peste
É só dá uma respirada
Pra daná a falá do Nordeste
Empolgado eu estou
Mas ando de memória, meio fraco
E pra quem já se empolgou
Tiro a cola(texto escrito) do suvaco
Aqui pra riba
A gente até acredita em Papai Noel
Mas o que nos instiga
É mesmo o tal do cordel
Literatura boa, obra prima
Toda de versos floreada
O que vale mesmo é a rima
Quando é bem rimada
Do tal do cordel
O grande mestre é Patativa
É tão grande quanto um arranha-céu
É simplesmente uma lenda viva
E pra você que até duvida
Afirmo que pouca coisa o mestre não é
É velho, mas cheio de vida
Nasceu em Assaré
Pra mudar um pouco o assunto
Vou falar da carpideira
Mulher que vela difunto
Que chora que é uma doidera
Logo que a carne fresca vira presunto
É contratada a tal senhora
Que muito convincente e sem assunto,
Chora, chora, chora e chora
Depois que o sujeito tá lá deitado
Com toda essa encenação
A gente até pensa que era respeitado
Ninguém desconfia que era ladrão
Falando agora, de coisa mais animada
Vou relatar uma ocasião
Que deixa toda gente arretada
É a noite de São João!
Pra vê bonita menina
Não há quem não ande
De Olinda a Petrolina
De Catolé a Campina Grande
Entre cidades é disputa a olho nu
Pois não posso me esquecê não
Da maravilhosa Caruaru
Que também se gaba do maior São João
Mas deixemos a rixa de lado
E vamos falá de alegria
Se tu tivé meio injuriado
É só conhecer a Bahia
Que beleza a música de lá
Pra quem pensa que é só axé
É melhor logo se informá
Sobre o melhor afoxé
O nome dele é de arrasá
É simplesmente: Filhos de Gandhy
No ritmo de Yjexá
Agita a criança e a gente grande
Outra coisa que enche meu zóio de brio
Com pandeiro, viola ou sanfona
É um bem feito desafio
Que a todos emociona
Tem outra coisa que é bem boa
Mas um pouco diferente
Não tem briga, ninguém zoa
É o danado do tal do repente
Ou repente, ou desafio
Os dois são feitos em dupla
Se tu canta, eu não pio
E não vale imitar o Supla
Aliás que desvalorização
Da cultura popular
Essa mídia sem coração
Devia mais é se estrepar
Mas como aqui eu não vim
Pra começar a brigá
Continuo bem de mansim
A minha terra exaltá
Vou tentar contar uma lenda
Preste atenção no que vou dizê agora
Já dando uma imenda
Falo da cabra-cabriola
É um bicho muito batuta
Com ela ninguém pode
Como a raposa é astuta
E é fedida como o bode
Cabriola é um monstro malvado
Sai sempre à meia noite
Detesta menino mal criado
E não tem medo de açoite
O único jeito de derrotar a safardana
É ser sempre muito educado
Não mijar nunca na cama
E com a mãe ser comportado
Vixe! acho que vô chegando ao final
Pra falar do folclore nordestino
Vou acabar só no carnaval
Ou quando cair em desatino
Pra encerrar vou tentar fazer um resumo
De coisas que vocês já até ouviram falar
Isso pelo menos é o que eu presumo
E se for verdade nossa peça vai arrasar
Vou lembrar do maracatu
E tudo o que mais há
Da ciranda, do lundu
E de Lia de Itamaracá
Do bumba-meu-boi do Maranhão
Do tambor de crioula e do forró
De Luiz Gonzaga, rei do baião
De camarão, o bobó
Sei que deixei de fora coisa pra daná
Mas não se apoquente muito não
Esse folclore é mesmo de arrasá
E está no meu coração
E antes que eu vá imbora
Pro FHC quero falar
Quem sabe faz a hora
Vê se para de viajar
Se pelo menos conhecesse bem o Brasil
Saberia quanto o folclore tem valor
Se não conhece, vai pra puta que pariu
Que eu nunca mais voto em doutor.