Frei Caneca — Herói e mártir republicano

Homero do Rego Barros

1779
No ano acima, frei Joaquim
Do Amor Divino Rabelo
E Caneca, veio ao mundo
No nosso Recife belo
Neste chão pernambucano
Se tornou republicano
Do seu eu ouvindo o apelo

Na Ordem dos Carmelitas
Pra servir a Deus, entrou
Com apenas 16 anos
E anos após se ordenou
Caneca, do pai tirado
Ao seu nome acrescentado
Frei Caneca a ser passou

Domingos Silva Rabelo
Era seu progenitor
Alcunhado de Caneca
Talvez pelo seu labor
Profissão de tanoeiro
Era humilde e hospitaleiro
Além de trabalhador

Filosofia, retórica
Bem como geometria
Frei Caneca lecionava
Quando o tempo permitia
Além disso era escritor
Poeta e sacro orador
Na igreja que o acolhia

1817
Idealista, implicado
Naquela revolução
Na Bahia padeceu
Quatro anos de prisão
Porém seu idealismo
Fruto de amor e civismo
Não morreria, isso não!

Padre José de Alencar
Barros Lima (Leão Coroado)
Padre Roma, na Bahia
Foi vencido e fuzilado
Só o padre João Ribeiro
Suicidou-se ligeiro
Ao ser, com os mais, condenado

No listão também estavam:
O padre Pedro Tenório
O padre Antônio Pereira
E tanto vulto finório
Como o padre Miguelinho
Todos seguindo o caminho
Do alto sonho ainda inglório

1824
No O Typhis pernambucano
Jornal por ele fundado
No Recife, em vinte e três
Combatia, obstinado
A monarquia de então
Mostrando ao povo e à nação
O caminho a ser trilhado

Ao passo que liberdade
Ele pregava por cá
Também movia campanha
Pras bandas do Ceará
Nos dando seu Itinerário
Do Ceará
— relicário
Que seu bom-senso nos dá

Contrariando a política
Ditada de Portugal
Por amor ao nativismo
Com seu gênio liberal
Em prol do chão brasileiro
Combateu Pedro I
E o regime imperial

E se opondo ao imperador
E à régia orientação
Em 24 envolveu-se
Com outros, na rebelião
Coordenando o movimento
Que triunfaria com o evento
Da sã Confederação

Mas a Confederação
Do Equador ficou em nada
Pois seus combatentes viram
A sua intenção frustrada
Uns foram aprisionados
Enquanto outros condenados
À morte não desejada

Era Pais de Andrade, o chefe
Da frustrada rebelião
Que até já havia alcançado
Uma maciça adesão
Do Rio Grande do Norte
Da Paraíba tão forte
E do Ceará, por que não?

As forças imperiais
Venceram nesses estados
Que aderiram a Pernambuco
E aos revoltosos ousados
Uns fugiram, outros baquearam
Os que mais a pátria honraram
Foram à morte condenados

1825
À praça das Cinco Pontas
Frei Caneca foi levado
A fim de ser, em seguida
Por um carrasco enforcado
Mas este se recusou
E su'alma ao céu voou
Ao ser espingardeado

E aos 13 de janeiro
Daquele ano distante
Frei Caneca, o herói, partia
Com seu ideal brilhante:
Ver o Brasil separado
Da Coroa e seu reinado
Para se tornar gigante

Frei Caneca que hoje vive
Junto a Deus, na eternidade
Deu seu viver precioso
À causa da liberdade
Anos após sua morte
O Brasil altivo e forte
Viu feita sua vontade

1889
Brilhou, enfim, a república
Com a queda da monarquia
O Brasil mais livre ainda
Do que em 22 seria
Frei Caneca! Com Joaquim
Xavier, também, por fim
A independência viria!

Rios de sangue custaram
Tão bravas rebeliões
Pra ficar a pátria livre
Como as ditosas nações
(Das invasões holandesas
E doutras, em tais proezas
Banimos todos vilões)

Dando a vida em prol da pátria
H - Herói se fez esse frade
O - Orador, poeta e político
M - Mártir foi da liberdade
E - Esteve preso e ao ser morto
R - Recebeu glória e conforto
O - Onde há Deus e eternidade