Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
Edição do Mês | Edições Especiais | Edições Anteriores | Tema do Mês | Temas Anteriores | Por Autor | Por Artigo | Por Seção |
Agosto 2005 - nº 81 - Ano VII


Sumário

Festança

Aspectos da festa de Bom Jesus da Lapa
Osvaldo de Souza

A festa de São Roque em Paquetá
Marisa Lira

Jardineira, arco de flores ou balainhas

Cancioneiro

O romance do conde de Alemanha
Téo Brandão

Tipos populares do Recife
Eustórgio Vanderlei

As letras do abecedário

Imaginário

O Filho da Burra

O quibungo

A camisa do homem feliz
Figueiredo Pimentel

Colher de Pau

Frutos, caça e pesca do Brasil
José de Santa Rita Durão

Os rituais da farinha de mandioca
A. Seixas Neto

Complexo da mandioca
Gastão Cruls

Oficina

A semana do vadio e a do trabalhador
Gustavo Barroso

A rede
Múcio Leão

Caprinocultura
Mauro Mota

Palhoça

Adão foi feito de barro

Em plena era atômica, estátua de jumento vai subir ao pedestal

Funcionário malandro
Oscar Nonato Chaves

Panacéia

Espirro
Getúlio César

Para curar embriaguez: urubu

Fatos e crendices sobre o raio
Ângelo Pais de Camargo

Veja o que foi publicado em Panacéia
Apoio Cultural
Simplicitate Design

Veja como sua empresa pode apoiar a nossa iniciativa.

Panacéia
Textos sobre plantas medicinais; rezas; benzeduras; simpatias; crenças; superstições; amuletos; orações; devoções; magia e feitiçaria...

Para curar embriaguez: urubu

Em João Pessoa, um agricultor do vale do Mamanguape assegura que só conhece um remédio infalível contra a embriaguez. Ei-lo "mata-se um urubu, tira-se-lhe o bofe, torra-se, transforma-se em pó, que se põe dentro de uma garrafa de cachaça. Depois, coloca-se a garrafa à vista do bebedor, de modo que, sem qualquer esforço, ele possa beber aquela cachaça. Dentro de poucos dias, o beberrão contumaz enjoa da cachaça e, assim deixará de bebê-la definitivamente. Se, porém, vier a saber que na cachaça havia bofe de urubu, voltará a fazê-lo da maneira anterior".

Esta informação aparece no livro Medicina folclórica, de autoria de José de Magalhães, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Para aqueles que desejam abandonar o vício existem, entretanto, dezenas de "truques especiais" bastante conhecidos, especialmente no interior da Bahia, Minas Gerais e Alagoas.

Sustentam vários nordestinos que, abandona-se a bebida, "tomando a cachaça misturada com areia de cemitério ou com pena de urubu torrada", mas o paciente não pode saber; ou "colocando-se um pão ou bolacha debaixo do braço da pessoa recentemente falecida e depois entregando-o ao viciado para comer, sem que ele saiba o que foi feito".

Outra "mezinha" para deixar de beber é esta: "tira-se, de uma galinha preta, a moela, lava-se, torra-se, faz-se uma infusão e dá-se para a pessoa beber. Nunca mais esse ex-beberrão deve comer galinha preta". Segundo os entendidos. "Um copo de aguardente com três pingos de sangue de urubu" também é bom remédio para esquecer a branquinha.

Agora, pode-se tentar ainda estes "eficazes argumentos": colocar um pão nos pés do morto e dizer, sem ser percebido: "leva a cachaça de fulano", ou fazer uma infusão de cachaça com minhoca ralada no chão. É tiro e queda, afirmam os baianos.

Urubu

Segundo o doutor José Magalhães, "o urubu — medicação antietílica registrada por barão de Studart — ainda goza de predileção entre as demais".

— Também se fuma, em cachimbo de barro, a mistura de penas de urubu, guizos de cascavel e folhas de fumo, Eduardo Campos, por exemplo, verificou o hábito de comer-se o fígado dessa ave para deixar de beber.

Mac Kinny, na obra O abutre na ciência médica da antigüidade revela que essa ave sempre foi "elemento mágico na terapêutica dos povos antigos (egípcios, babilônios, assírios, gregos e romanos), que dela aproveitavam penas entranhas, ossos, humores, excrementos, sangue, cérebro, pele, carne, bico etc.."

— Parece — acentua esse autor — que os egípcios estimavam o abutre, menos como fonte de matéria médica, do que como símbolo de proteção divina da humanidade nesta vida e na futura.

Roquete Pinto escreve que a coruja também já foi usada para combater a embriaguez. Segundo ele, os padres da Companhia de Jesus "davam, aos índios bêbados, aguardente misturada com calda desta ave triste".

("Para curar embriaguez: urubu". Diário Popular. São Paulo, 07 de março de 1970)
Home | Revista | Catavento | Almanaque | Realejo | Downloads | Colaborações | Mapa do Site
Assine nosso boletim | Central dos Leitores | Expediente | Apoio Cultural
Jangada Brasil © 1998-2009. Todos os direitos reservados. | Fale Conosco | Termos e condições de uso