Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras
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Agosto 2005 - nº 81 - Ano VII


Sumário

Festança

Aspectos da festa de Bom Jesus da Lapa
Osvaldo de Souza

A festa de São Roque em Paquetá
Marisa Lira

Jardineira, arco de flores ou balainhas

Cancioneiro

O romance do conde de Alemanha
Téo Brandão

Tipos populares do Recife
Eustórgio Vanderlei

As letras do abecedário

Imaginário

O Filho da Burra

O quibungo

A camisa do homem feliz
Figueiredo Pimentel

Colher de Pau

Frutos, caça e pesca do Brasil
José de Santa Rita Durão

Os rituais da farinha de mandioca
A. Seixas Neto

Complexo da mandioca
Gastão Cruls

Oficina

A semana do vadio e a do trabalhador
Gustavo Barroso

A rede
Múcio Leão

Caprinocultura
Mauro Mota

Palhoça

Adão foi feito de barro

Em plena era atômica, estátua de jumento vai subir ao pedestal

Funcionário malandro
Oscar Nonato Chaves

Panacéia

Espirro
Getúlio César

Para curar embriaguez: urubu

Fatos e crendices sobre o raio
Ângelo Pais de Camargo

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Simplicitate Design

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Imaginário
Textos sobre lendas e mitos; contos; personagens; fábulas; narrativas populares; seres fantásticos...

A camisa do homem feliz

Gravemente enfermo, caíra prostrado numa cama o poderoso sultão Abou-Malek.

De todas as partes vieram remédios, sábios e curandeiros; fizeram-se preces públicas; prometeram-se honras e fortunas a quem o salvasse.

Apareceu um dia no palácio uma velhinha, declarando que o sultão só se restabeleceria, ficando radicalmente curado, se vestisse a camisa de um homem feliz.

Imediatamente partiram mensageiros a procurar esse homem feliz, com ordem de lhe comprar a camisa por qualquer preço, ou arrancá-la à força, se ele a não quisesse ceder.

Principiando pela capital do reino, os emissários foram bater nos palácios dos ricos; depois dirigiram-se aos remediados; falaram por último com os pobres.

Seguiram, então, pelas pequenas cidades e aldeias, conversando com os camponeses. Passaram por todas as vilas, esquadrinharam todos os lugares.

Em parte alguma encontraram um só homem feliz.

Os ricos queriam se mais ricos ainda; os pobres desejavam fortuna; os doentes queriam saúde; soldados, oficiais, padres, operários, lavradores — todos tinham ambições e desejos.

Os mensageiros, inteiramente desanimados, regressaram para a capital.

Uma tarde, passando por uma vasta campina, encontraram um pastor sentado à sombra de uma copada árvore, tocando flauta. Ao longe, o rebanho pastava tranqüilamente.

A fisionomia do pastorzinho respirava honestidade, calma e contentamento.

Um deles lembrou-se de lhe dirigir a palavra:

— Vejo-o sentado aí, tão a seu gosto, que sou capaz de apostar que você nada mais deseja, camarada.

— E se o senhor apostasse, ganharia pela certa, respondeu o pastor.

— Como? tornou o outro admirado. Então, você nada ambiciona? nada quer?

— Nada.

— Não desejaria ser rico? Ser nobre? Viver num palácio? Morar na corte?

— Nada disso dá a felicidade que gozo!

— Mas você é verdadeiramente feliz? insistiu o mensageiro.

— Já lhe disse: sou feliz e nada quero.

— Então há de me fazer um favor: preciso muito da sua camisa.

— Minha camisa? perguntou o pastorzinho, admirado.

— Sim, sua camisa.

— Ah! isso é coisa que lhe não posso dar.

— Pois compro-a.

— Também não posso vender.

— Faça preço; e, por mais absurda que seja a quantia, nós lhe pagaremos.

— Mas se eu já lhe disse que não posso dar nem vender a minha camisa!... falou o pastorzinho.

— Será, então, à força..., disse o mensageiro.

E ele e os outros, atiraram-se sobre o pastor e arrancaram-lhe o paletó.

— Ah!... O homem feliz não tinha camisa, e por isso não podia vendê-la nem dá-la!...

(Pimentel, Figueiredo. Histórias da baratinha. Rio de Janeiro, Livraria Garnier, 1994, p.95-97)
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