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Jangada Brasil - a cara e a alma brasileiras

Panacéia

ANO VI - EDIÇÃO 69
Agosto 2004

Panacéia
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Ritos mágicos

O barrete do saci, por Luís da Câmara Cascudo

Superstições e crendices
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Capa
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Festança
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Cancioneiro
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Imaginário
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Oficina
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Palhoça
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Colher de Pau
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Catavento
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Almanaque
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As cartas, opiniões e pedidos dos nossos leitores
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PANACÉIA - Nesta seção, textos sobre plantas medicinais; rezas; benzeduras; simpatias; crenças; superstições; amuletos; orações; devoções; magia e feitiçaria...


Superstições e crendices

Guilherme Santos Neves (Informante: Dalmácia Ferreira Nunes)

• Mulher que espera neném não deve passar por cima de corda — faz mal.

• Também não deve sentar-se na porta de entrada da casa — faz mal.

• Mulher grávida com cadeiras muito largas — espera menina; se não são largas — espera menino.

• A "invide" deve ser guardada ou enterrada. Se o rato carregar, a criança fica ladrão...

• A tesoura — que deve ser pequena — que cortou o umbigo da criança deverá ser guardada, dela não se servindo durante muito tempo.

• Quando a criança intera sete dias não deve, neste dia, tomar banho — faz mal.

• A água do primeiro banho do neném deve ser jogada, depois, no rio corrente.

• Cabelo de recém-nascido, quando cai, ele está conhecendo a mãe.

• Beijar a boca de criancinha cria sapo ou sapinho nela. (Sapo ou sapinho é "uma coisa branquinha, miudinha, feito como leite").

• Ao lavar a roupinha da criança não se deve torcer ela e sim espremer entre as mãos, senão dá dor de barriga no neném.

• Criança que chora no ventre da mãe, será feliz.

• Criança que ri quando dorme, está sonhando com os anjos.

• Tomar canjica aumenta o leite da mãe.

• Criança que arrota no peito da mãe dá inzipra nesta.

• Arroz quente posto na nuca da criança gaga, num instante ela solta a língua.

• Crianã que morre pagã, se ela chorar deve-se dizer três vezes: "criança, eu te batizo, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém".

• Criança que brinca com fogo, mija na cama.

• Caçula que espia por baixo de suas perninhas está chamando outro neném, seu irmãozinho.

• Criança não deve pôr chave na boca — custa a falar.

• Quando se muda de uma casa para outra, deve-se levar uma vassoura nova e deixar na outra, a velha.

• Não se deve beber água à meia-noite sem antes acordar ela, dizendo três vezes: "Acorda,Maria! Acorda, Maria!"...

• Ao se plantar a semente da pimenta não se deve dizer: "vou plantar esta pimenta", e sim: "vou jogar fora esta pimenta". Só assim é que ela pega.

• A primeira estrela que a gente vê, lá no mato, diz-se, três vezes, esta reza para matar a figueira: "Minha linda estrela, figueira disse pra morrer vós e viver ela. Ma eu digo que morra ela e viva nós!" (Figueira é o nome que o povo dá à verruga.

• Logo depois que morre alguém numa casa, os potes e latas com água devem ser esvaziados, porque a alma do morto tomou banho neles.

• Quando o defunto é levado de casa para o cemitério, pessoas amigas — e não parentes do morto — devem logo varrer toda a casa, atirando fora o cisco.

• Quando a menina ou mocinha dá uma topada, deve dizer logo, três vezes: "Não dou! Não dou!", porque alguém quer tomar o seu namorado.

• Moça fazendo café na barra da combinação, faz o namorado gostar só dela.

• Moça que quer saber o nome de quem vai ser seu namorado, coloca à meia-noite, num copo com água, papeizinhos dobrados com o nome de todos os rapazes conhecidos. No dia seguinte, logo cedo, deverá ver qual deles é que está aberto — nele estará o nome do namorado eleito.

• Ao ver, na roça, a lua em sua primeira noite, diz-se:

Deus te salve, lua nova
Lua de São Quelemente
Quando fores, quando voltares
Livrai-me de dor de dente

Também se diz, mostrando, nos dedos, dinheiro:

Deus te salve, lua nova
Lua de São Quelemente
Quando fores, quando voltares
Trazei-me deste presente

Outra variante:

Deus te salve, lua nova
Lua de boa ventura
Queme cresça o meu cabelo
E me bata na cintura

(Em Neves, Guilherme Santos. "Folclore de Caçaroca". Folclore. Vitória, nº 91, agosto de 1976)